Dassler Marques - 27/07/2010
Dunga só foi mesmo definido como o treinador dos Jogos de Pequim poucos meses antes da convocação e, ao longo de quase todo o período, sequer conseguiu realizar jogos preparatórios. No desejo de contar com Kaká e Robinho, foi ignorado pela CBF, que lhe impôs ainda um pesado e fora de forma Ronaldinho Gaúcho. O cenário apresentado por Ricardo Teixeira a Mano Menezes é completamente diferente e o próprio novo técnico, em suas primeiras atitudes, também já dá passos interessantes rumo ao inédito ouro olímpico.
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Segundo informação obtida pelo Olheiros com fonte muito confiável, o plano mais otimista da CBF para Mano Menezes não vai até a Copa de 2014, mas sim até os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. Após o Mundial da África, Ricardo Teixeira já ensaiava em seu discurso que eram cinco grandes torneios no radar da seleção brasileira: Copa América em 2011, Olimpíadas de 2012, Copa das Confederações em 2013, Copa do Mundo em 2014 e, em 2016, novamente os Jogos Olímpicos.
Esse plano de seis anos também foi apresentado a Muricy Ramalho, que ao contrário do que se diz, não ficou desencantado com a conversa que teve com Teixeira. Em nenhum momento, sentiu inconsistência no presidente da CBF. Revelou a pessoas próximas, inclusive, que ficou impressionado com algumas ideias de Ricardo Teixeira, sob quem não tinha uma impressão exatamente boa até então.
Em seus primeiros passos, já mais claros a partir desta segunda-feira, Mano Menezes deixa claro estar alinhado ao projeto olímpico. Para quem duvida da competência do treinador em trabalhar com jovens jogadores, recomenda-se questionar, sim, a fraca base do Corinthians. Mano vem da base e fez trabalho exemplar no Internacional. Onde, cabe se lembrar, era o treinador dos juniores. No profissional estava Muricy, lançando Daniel Carvalho,Cleiton Xavier, Nilmar e Diego, entre muitos outros.
Na passagem pelo Grêmio, Mano foi o treinador responsável pela afirmação das três principais revelações do clube na década: Lucas, o melhor jogador do Brasileiro de 2006. Carlos Eduardo, grande nome na Libertadores de 2007. E Anderson, com quem teve problemas sérios por conta de atitudes inadequadas, mas ainda assim conseguiu tirar futebol.
Em sua primeira lista na seleção brasileira, Mano inclui sete jogadores com idade olímpica. Se você pensar que é ainda possível convocar três acima dos 23 anos, logo temos um time sendo, de certa forma, preparado para os Jogos de 2012. Renan, Rafael, Sandro, Paulo Henrique, Alexandre Pato, Neymar e André podem chegar ao grupo de atletas que vão às Olimpíadas e parecem bastante preparados para isso.
Destaque para a chamada de Renan, do Avaí. Além de primeiro jogador da história do clube a vestir a seleção, ele é também um alento na procura por um goleiro sub-23, algo aparentemente trabalhoso sobretudo pela queda de produção de Neto no Atlético-PR. Titular absoluto na campanha de semifinalista de seu clube na Copa São Paulo de 2009, tem apenas 14 jogos como profissional. Na Ressacada, é visto como um selecionável há vários anos. Sem dúvida, uma bola dentro de Mano incluí-lo entre os 23 que enfrentam os Estados Unidos. Normalmente seriam apenas dois goleiros, mas a presença de Renan no grupo será importante para seu desenvolvimento.
Ainda há muito pela frente para Mano Menezes e a CBF em uma nova fase que se anuncia, mas o discurso e as primeiras atitudes são as melhores possíveis. A reestruturação deve passar ainda pelas chegadas de um diretor, acima do técnico, e de um coordenador, abaixo dele. Cargos que eram absolutamente necessários, mas que também deve ser entregues às pessoas certas. Na terça, a seleção sub-20 estreia em Assunção, no Paraguai, em torneio preparatório para o Sul-Americano da categoria, em janeiro. Sidnei, auxiliar da seleção, estará por lá. Mais um bom sinal.
Firulas
#1
Segundo o Paulo Vinícius Coelho, o PVC, 14 dos 24 convocados atuaram em mundiais de base pela seleção brasileira. A coluna não teve tempo hábil de conferir as contas, provavelmente certas. É um dado expressivo.
#2
Fica ainda a expectativa pelo que irá acontecer com as comissões técnicas das seleções de base. Até hoje, Luiz Verdini não foi oficializado à frente da sub-20.
#3
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