Leandro Stein - 29/07/2010
As sucessivas crises financeiras enfrentadas pelo Napoli nos últimos anos criaram graves problemas estruturais em suas categorias de base. Mesmo que vários jovens se destaquem, como Lavezzi e Hamsií, há anos os Azzurri não revelam bons nomes em sua equipe primavera. Exceção feita ao já experiente Paolo Cannavaro, nenhum outro jogador surgido no clube foi titular dos partenopei na temporada passada.
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A situação atual, no entanto, é bastante diferente da realidade vivenciada pelos napolitanos há algumas décadas. A começar pelo ídolo Antonio Juliano, cria da base que se consagrou como o jogador com maior número de partidas no clube. Outro bom exemplo vem do time que ganhou o Campeonato Primavera de 1979-80. Daquele elenco saíram Luigi Caffarelli, Constanzo Celestini e Giuseppe Volpecina, todos fundamentais na conquista do primeiro título nacional do Napoli, em 1986-87. Isso sem falar em Ciro Ferrara, outra revelação que venceu o scudetto.
Em 1990 e 1991, dois dos últimos suspiros das divisões inferiores dos Azzurri, vice-campeões em ambos os anos do Torneio de Viareggio. Também gandula do estádio San Paolo, Fabio Cannavaro participava da equipe primavera nesta época, sendo lançado entre os profissionais em 1992. Contudo, na mesma época o clube passava por vários problemas internos e, consequência disso, a formação de jovens jogadores acabou deixada de lado.
Recuperada, a base dos partenopei ganhou a Copa da Itália Primavera de 1997 e, mais que isso, um novo centro de treinamentos no mesmo ano. Mas a situação degradante permaneceu por mais alguns anos, com a bancarrota financeira em 2004, com o Napoli decretando falência. Em consequência, as categorias inferiores foram desmanteladas.
Assim que assumiu a presidência do clube, Aurelio De Laurentiis retomou o trabalho com os jovens, mas sem grande incentivo. A antiga estrutura foi esquecida e nada específico foi feito para que novos prodígios fossem lançados. O resultado, como já citado, é a falta de crias napolitanas na equipe principal, o que, ao que parece, só agora é percebido pela direção.
De Laurentiis vem anunciando um novo projeto para os garotos napolitanos, sob a direção do manager Giuseppe Santoro. Segundo o cartola, o Barcelona seria o grande exemplo a ser seguido pelo clube, mas há algo muito mais intenso do que apenas dizer que o Napoli seguirá os passos da base mais bem sucedida do mundo.
A começar por Walter Mazzarri, técnico do elenco principal partenopei, efetivado pelos próximos três anos para conduzir de forma mais planejada a busca por talentos. E competência é o que não falta ao comandante. Há uma temporada treinando os Azzurri, Mazzarri antes passou pela Sampdoria, aonde fez belo trabalho em conjunto com as equipes inferiores. Prova de tal, foi por suas mãos que atletas de qualidade, como Vincenzo Fiorillo, Andréa Poli, Guido Marilungo e Mattia Mustacchio, fizeram as suas primeiras partidas como profissionais.
Por enquanto, a ideia principal de Mazzarri é integrar o time primavera do Napoli com a equipe que disputa a Serie A. A partir desta temporada, ambos os grupos treinaram no mesmo local e, desta forma, os jovens irão se adaptar à forma de jogo utilizada pelo primeiro elenco através da adoção das mesmas táticas. Para auxiliar Mazzari, Roberto Miggiano, seu ex-companheiro no Empoli, orientará os juniores.
A observação dos principais talentos, aliás, já começou a ser feita desde a pré-temporada. Foram nove jogadores levados para Folgaria, onde ocorreu a preparação, sendo que apenas três destes já tinham feito alguma aparição pelos profissionais. E a participação dos garotos nos amistosos foi bem recebida pelo treinador, que se disse impressionado e com grandes perspectivas para alguns deles.
Destes, quem mereceu elogios mais rasgados foi Raffaelle Maiello, de 19 anos. O meia havia se destacado no Torneio de Viareggio quando ajudou o Napoli a passar de fase, fato inédito nos últimos anos. Segundo Mazzarri, que já escalara Maiello no fim do último campeonato italiano, a maturidade do prodígio em campo é notável. Além disso, ele impressiona pela versatilidade e pela precisão de seus pés tanto em passes quanto em chutes. Qualidades estas que o tornam uma boa opção para o chamado “tridente ofensivo” composto no Napoli por Hamsík, Lavezzi e Quagliarella.
Outro promissor que apareceu bem em Folgaria foi Lorenzo Insigne. O atacante, que também já entrou em partida da Serie A, é comparado com Giovinco por ser baixinho e habilidoso. Luigi Seppe , goleiro de 19 anos, surge como sombra para o titular De Sanctis, demonstrando segurança sob as traves. O zagueiro Armando Izzo, por sua vez, foi aclamado por sua determinação, mas talvez ainda não esteja pronto para subir de categoria. O meio-campista Crescenzo Ricardo, de 19 anos, e o atacante Camillo Ciano, de 20, são mais dois que merecem ao menos ser citados.
E, mais que investir na própria base, os napolitanos têm procurado joias também em outras equipes do país. O primeiro a ser sondado foi o meia argentino Franco Zuculini que, no entanto, acabou acertando sua transferência para o Genoa. Sorte diferente tiveram com Raffaele Maiorano, atacante de 18 anos que saiu do Torino para ir ao San Paolo, dando uma mostra da projeção que os planos de De Laurentiis começam a ganhar. Sob os olhos de Mazzarri, o horizonte do Napoli parece cada vez mais azul.
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