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Kakuta: futuro azul

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André Augusto - 29/07/2010

Dono de uma habilidade classificada como “fora do comum” pelas diversas pessoas que trabalharam com ele na França e na Inglaterra, o meio-campista Gaël Kakuta apareceu no noticiário do futebol muito cedo. Não por ajudar a França a ser vice-campeã do Europeu sub-17 de 2008, mas por sua controversa transferência do Lens ao Chelsea, contestada pela equipe francesa nos tribunais e que quase custou uma punição de dois anos sem contratações ao rico clube de Roman Abramovich.

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Obcecado por futebol desde cedo, o prodígio e o clube chegaram a sofrer punição da Fifa – depois convertidas em multa -  e passou período difícil após grave contusão, mas ressurgiu e caminha para, em breve, ser uma das armas do Chelsea formada na base do Blues, ao lado de outros promissores - como o atacante Fábio Borini ou o zagueiro Jeffrey Bruma, por exemplo. Fato que foge da característica contemporânea do Chelsea, de gastos astronômicos com grandes estrelas do futebol.

Veloz e de técnica refinada, o canhoto francês de 19 anos parece jogar “sem fazer força” (como já classificou o seu descobridor), sempre com a bola colada ao pé e atuando sempre na diagonal. Ou seja, sempre para cima da zaga adversária, característica que marca seu jogo, ainda pautado no individualismo. Algo que pode e deve ser corrigido, para deleite de Chelsea e França, que depositam muita esperança em Kakuta.

Na sexta-feira, ele tem a missão de empurrar a França rumo ao título no Europeu Sub-19. Principal jogador de sua seleção no torneio, Kakuta tem pela frente a Espanha em uma final que se anuncia trepidante.

Bom de bola, mal na escola

Descendente de congoleses, Gael Kakuta é natural de Lille, ao norte da França. O futebol entrou em sua vida ao ver seu tio, um ex-jogador amador em ação, aos sete anos. O jovem começou a jogar no Centro de Pré-formação da Federação Francesa em Liévin, próximo a sua cidade natal, onde foi descoberto pelo ex-atacante polonês Joachim Marx, olheiro do Lens, que logo se prontificou a levá-lo para treinar nos rivais do Lille.

“A melhor maneira para descrevê-lo é como um fenômeno”, declarou o ex-jogador da Polônia, que trouxe Kakuta para o Lens aos 10 anos. Desde então, Kakuta passou a pautar sua vida em torno de ser um jogador de futebol, tendo dificuldades na escola, onde chegou a repetir de série, dado seu desinteresse pelos estudos em detrimento de se tornar um astro do futebol.

Marx também o criticava por não treinar forte, justificando que a facilidade do garoto em jogar era tanta que ele poderia fazer quase de tudo em campo sem se esforçar muito. Vendo que tinha nas mãos um talento nato, a diretoria do Lens passou a “esconder” o garoto, com medo de que os grandes europeus o descobrissem para levá-lo a preço de bananas. O plano deu certo até a Federação Francesa passou a exigir que o jovem fizesse parte de seus times de base. Exposto, logo o Chelsea quis levá-lo à Londres, o que desencadearia consequências familiares, aos Blues e para Kakuta.

A conturbada ida ao Chelsea

Pela lei, Kakuta só poderia firmar um contrato profissional com um clube ao completar 16 anos.


Porém, o Chelsea, através de do diretor de futebol Frank Arnesen, ofereceu uma quantia de aproximadamente 5 mil euros ao jogador e sua família para que assinasse com os ingleses. Contudo, contrariando sua mãe - queria que ele continuasse os estudos na França para se profissionalizar no Lens - Kakuta aceitou a proposta, transferindo-se ao clube no verão de 2007, com 16 anos recém completos.

O Lens alegava que tinha um “pré-acordo” feito com o pai do meia, segundo o qual garantis que seu primeiro contrato como profissional fosse firmado com a equipe francesa. Tentando reaver algum dinheiro pela transferência, a equipe francesa foi à Fifa e denunciou o Chelsea. Dois anos após a transferência, em setembro de 2009, os Blues foram condenados a pagar uma compensação ao Lens, a proibição em realizar quaisquer contratações de atletas até a janela de transferências de inverno de 2011, além de uma punição de quatro meses ao atleta. A decisão foi em primeira instância e o Chelsea recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS). Em fevereiro de 2010, a entidade reverteu a punição em pagamento de uma multa, após acordo entra as duas partes.

Alheio à polêmica, Kakuta chegou ao clube e logo seu talento foi apontado por jogadores da equipe profissional, como Michael Ballack (atualmente, no Bayer Leverkusen). “Vão ver o rapaz francês, ele é a estrela”, disse o meio-campo alemão a jornalistas. Em seu primeiro ano de Chelsea, não conseguiu ganhar títulos, mas marcou 12 gols em 24 partidas, um bom número para o meia recém chegado, o que logo o levou aos Reserves do Chelsea.

Em 2008, outra boa temporada na base dos Blues. Os 12 gols em 20 jogos na temporada ajudaram o Chelsea a alcançar a final da FA Youth Cup. Porém, mesmo o gol na final contra o Manchester City não foi suficiente para dar o título, já que a partida acabou por 4 a 2 para os Citizens.

As coisas caminhavam bem para Kakuta - chegou a ser relacionado para o banco de reserva dos profissionais, diante do Stoke City, em janeiro – quando teve que ficar por seis meses sem atuar, por conta de uma fratura no tornozelo em fevereiro de 2009. O retorno, porém, aconteceu na hora certa: pouco depois que Carlo Ancelotti assumiu o comando da equipe, passou a olhar mais atentamente os jovens da base. Entre eles, o promissor francês.

E na época em que o “caso Kakuta” estourou e estava em trãnsito, Ancelotti resolveu testá-lo durante a vitória diante do Wolverhampton, em novembro de 2009. O meia substituiu seu compatriota Nicolas Anelka e atuou por mais de 30 minutos, criando boas chances e impressionando a todos com seu estilo de jogo agudo. Ainda entraria em um jogo das quartas de final da Copa da Liga Inglesa, contra o Blackburn - onde desperdiçaria o pênalti decisivo que desclassificou os Blues do torneio.

Ainda muito prestigiado, fez sua estreia em competições internacionais na partida contra o APOEL Nicósia, em dezembro, pela LC. Titular, fez boa partida durante o empate por 2 a 2 e foi muito elogiado pelo treinador. “Ele jogou muito bem e mostrou seu talento fantástico. Ele vem treinando bem todos os dias e será o futuro do Chelsea”, analisou o italiano.

Made in Bleus

Descoberto em uma das escolas de excelência da Federação Francesa, era natural que o talento de Kakuta sempre estivesse a serviço das seleções de base da seleção. Acumula passagens por torneios menores pela França sub-16, onde apareceu em pequenos torneios europeus.

Na equipe sub-17, participou de toda a campanha para o europeu da categoria, que culminou no vice-campeonato, após a goleada sofrida por 4 a 0 para a Espanha na final. Mesmo sem marcar na competição, o meio-campo foi um dos principais jogadores da equipe e do torneio.

Na edição 2010 do Europeu Sub-19, Kakuta vem fazendo bonito no torneio sediado na própria França. Marcou dois gols (contra Holanda e Croácia, esta nas semifinais) e ajudou os Bleus a alcançarem a final, novamente diante da Espanha.

O garoto é esperança para um brilhante futuro em azul: Chelsea e França esperam ansiosamente para que Kakuta aflore e deixe para trás o estigma de ter causado uma quase punição ao Chelsea para brilhar de vez nos campos. Principalmente para os franceses, que após o vexame na Copa do Mundo da África do Sul, clamam por uma boa renovação no elenco. Na Copa de 2014, o meia terá 23 anos. Uma boa idade para debutar em mundiais.

Ficha técnica

Nome completo: Gael Kakuta

Data de nascimento: 16/06/1991

Local de nascimento: Liller, França

Clubes que defendeu: Lens e Chelsea

Seleções de base que defendeu: França sub-16, sub-17, sub-18 e sub-19



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