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Eternas promessas

Fábio Mello: só o talento não bastou

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Clarissa Carramilo - 30/07/2010

“A sina de produzir talentos jamais abandona um time destinado à vitória”, diz o site do São Paulo. É que ao lado do Cruzeiro, o tricolor paulista é um dos clubes mais bem sucedidos do país no que diz respeito à formação e negociação de atletas. Como em todo lugar, os garotos mais talentosos são reverenciados e tratados como joias, gerando as mais altas expectativas em dirigentes e torcedores. Foi assim com o meia-esquerda Fábio Mello, mais um jogador que não vingou e está hoje na lista das eternas promessas.

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Antes de Kaká, o São Paulo chegou a revelar alguns meias promissores que não deram certo, principalmente em função do ambiente do clube no fim dos anos 90. A falta de títulos e a pressão para voltar a disputar a Libertadores eram as principais cobranças da época. De alguma forma, a esperança de dias melhores era depositada em promessas como Fábio Mello, que acabou sendo prejudicado pelo contexto conturbado no qual o clube estava inserido.

Técnico e muito habilidoso com a perna esquerda, Fábio logo chamou a atenção pelas características diferenciadas. Somado a isso, as boas atuações na equipe sub-19, campeã da Dallas Cup de 1995, aceleraram sua estreia entre os profissionais. Sob o comando de Muricy Ramalho, Fábio então estreou no segundo tempo do jogo contra o Náutico, no lugar de Denílson, pela Copa do Brasil daquele mesmo ano. O garoto, porém, sentiu a pressão e não foi bem, voltando a atuar no time principal apenas no ano seguinte.

Tempo de empréstimo

Entre 95 e 96, ele jogou duas partidas pela Copa do Brasil e entre 96 e 97, participou de 15 jogos pelo Campeonato Brasileiro, marcando apenas três gols com a camisa do São Paulo. Um deles foi marcado em 05 de outubro de 96, contra o Sport, em Recife, e foi eleito o gol mais bonito da rodada. Pelo feito, Fábio ainda recebeu um troféu, numa singela homenagem do programa Mesa Redonda.

No tricolor paulista, porém, ele nunca chegou a ser titular. Ao lado de nomes como Rogério Ceni, Valdir Bigode, Denílson e Dodô, Fábio pareceu não achar lugar para o seu futebol. Ele ainda foi testado na lateral esquerda e no ataque, se transformando numa espécie de curinga, mas a baixa produtividade acabou lhe rendendo um empréstimo para o Atlético Paranaense.

Por lá, ele amargou uma passagem discreta e a perda do título do campeonato estadual para o rival Coritiba, em 97. Cobrado pela falta de raça desde os tempos de São Paulo, não demorou para que a torcida do Furacão começasse a pegar no seu pé. A ausência de seu nome na lista de jogadores da equipe atleticana que disputou o brasileiro daquele ano, disponível no site do Atlético, acusa que ele nem mesmo era relacionado para as partidas.

No ano seguinte, ele foi novamente emprestado, desta vez para o Juventude de Caxias do Sul. As expectativas dos torcedores para o Campeonato Brasileiro daquele ano eram enormes, já que o time havia sido campeão gaúcho invicto. Nas Serras Gaúchas, Fábio Mello jogou 17 partidas oficiais e teve mais uma temporada inexpressiva. O Juventude terminou o campeonato na 18ª posição e Fábio voltou para o São Paulo, onde viu o tricolor ser campeão paulista do banco de reservas, em 98.

Um certo brilho

Em 2000, uma fase mais vitoriosa, se comparada com sua trajetória anterior, começou a tomar forma na carreira de Fábio Mello. Aos 25 anos, o meia-esquerda disputou a Copa João Havelange no grupo B do módulo amarelo, com a camisa do Náutico. O Timbu ficou em quarto lugar na primeira fase, mas foi eliminado pelo São Caetano nas quartas de final.

As boas atuações e os resultados satisfatórios no Náutico despertaram o interesse do Atlético Mineiro, onde Fábio chegou como reforço após a conquista do 38º título estadual. O que parecia ser a volta por cima, porém, esbarrou em mais uma passagem lastimável. O meia ficou menos de uma temporada no Galo, sendo rapidamente vendido para o Danúbio, time da primeira divisão do Uruguai.

Em terras estrangeiras, Fábio Mello teve melhor sorte. O Danúbio Futebol Clube foi campeão do Torneio Apertura e vice-campeão do Clausura, perdendo a decisão para o Nacional e ficando com o vice-campeonato uruguaio de 2001. O time de Montevidéu ainda foi o ganhador da Tabla Anual ou Acumulada, uma premiação destinada ao melhor time de ambos os torneios.

Inconstante, Mello voltou para o Brasil em 2002, desta vez para assinar com o Fluminense. A 96ª edição do Campeonato Carioca não foi televisionada, já que todas as atenções estavam na Liga Rio São-Paulo. No Caixão 2002, como ficou conhecida a competição, o Flu foi o campeão depois de vencer o Americano por 2 a 0 e 3 a 1 nos jogos finais, assistidos por apenas 26 mil pagantes. O campeonato foi desanimador, com as principais equipes utilizando atletas reservas.

Naquele mesmo ano, Fábio se mudou para Brasília com o intuito de jogar o Campeonato Brasileiro da Série C. O Brasiliense, porto seguro para eternas promessas, havia ficado com o terceiro lugar no estadual e era vice-campeão da Copa do Brasil. Fábio Mello então participou da conquista daquele que foi o primeiro título nacional do Jacaré, campeão da Série C.

Em 2005, Fábio Mello se despediu dos gramados com a camisa do Figueirense, deixando para trás uma carreira que poderia ter sido melhor.

Sucesso no empresariado

Hoje em dia, Fábio Mello é empresário, dono da FMS Consultoria e Gestão Esportiva. E se como jogador ele foi contestável, como manager ele é um exemplo de sucesso. Por ironia, sua empresa representa jovens e promissores atletas como Victor, por exemplo, atual goleiro do Grêmio, recentemente convocado para a seleção por Mano Menezes.

Ele ainda foi o idealizador do Cetaf (Centro de Excelência em Formação de Atletas de Futebol), um projeto que visa trabalhar com jogadores das categorias sub-15 e sub-17. A proposta é oferecer tratamento global para jovens atletas, desde a seleção até a sua formação profissional para o futebol e para a vida como cidadão.

Ficha técnica

Nome completo: Fábio Jerônimo Mello

Data de nascimento: 17/11/1975

Local de nascimento: São Paulo, SP

Clubes que defendeu: São Paulo, Atlético-PR, Juventude, Náutico, Atlético-MG, Fluminense , Brasiliense, Paulista de Jundiaí e Figueirense

Seleções de base que defendeu: nenhuma



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