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João Pedro: "teve uma confiança excessiva

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Lincoln Chaves - 31/07/2010

A geração sub-17 de 2009 decepcionou no Mundial da categoria, mas contava com nomes talentosos, muito badalados desde então. Neymar, Zezinho e Phillipe Coutinho eram os principais exemplos. O meia João Pedro não estava entre os mais famosos, é verdade, mas para quem acompanhava a equipe então comandada por Lucho Nizzo mais de perto, suas qualidades já indicavam que não tardaria a debutar entre os profissionais do Atlético-MG.

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Versátil, já atuou em diversos setores até se encontrar no meio-campo - onde sabe exercer bem qualquer das funções, fosse ela ofensiva ou defensiva. Destaca-se também pela sua regularidade, algo que já mostrava desde as primeiras convocações para a equipe que foi ao Mundial na Nigéria. Não à toa, conseguiu convencer Vanderlei Luxemburgo, cujo método de trabalho com jovens às vezes é discutível, a abrir espaço para seu futebol no Galo.

Em entrevista exclusiva ao Olheiros, João Pedro falou sobre seu momento no Atlético, elogiando o trabalho de Luxemburgo e a concorrência pela titularidade na equipe. Comentou também acerca do fraco desempenho brasileiro no Mundial Sub-17, revelando o que muitos já imaginavam: que a confiança na qualidade do time acabou sendo excessiva. E ainda admitiu sonhar com a Copa de 2014, embora tenha reconhecido a dura concorrência que haverá pela frente.

Olheiros - Você recentemente teve seu contrato renovado com o Atlético-MG, mas terá uma concorrência pesada pela titularidade. Como vê a disputa com Edison Méndez e Daniel Carvalho?

João Pedro - Eu estou tranqüilo quanto à chegada de reforços. Acho que o Galo é que vai ganhar com novas opções. Eu não estou preocupado com a titularidade absoluta. Eu subi para o profissional tem pouco tempo e sei que ainda tenho muito a aprender. É claro que eu quero ser titular, mas o mais importante neste momento é me manter no grupo.

Olheiros - Que tipo de coisas o técnico Vanderlei Luxemburgo tem pedido a você em treinamentos e jogos para que sua chegada ao time profissional se consolide?

João Pedro - O Luxemburgo é um técnico acima da média. Ele pede para eu me movimentar bastante, pela agilidade e intensidade de jogo que eu tenho, a fim de confundir a marcação. Ele me cobra bastante também para ter cuidado com a marcação, para não fazer falta sem necessidade.

Olheiros - Ainda quanto ao Luxemburgo, questionou-se na mídia algumas vezes que por vezes ele lançava garotos "na fogueira". Como tem sido o trabalho, da parte dele, para que você se encaixe na equipe?

João Pedro - Todos sabem que o Luxemburgo é diferenciado. Com pouco tempo de trabalho com ele eu já percebi isso. Ele é competente para instruir o jogador da melhor maneira e tirar o que cada um tem de melhor. E eu acho que jogador não tem que escolher hora pra jogar, se o treinador coloca é porque ele tem condições de ajudar a equipe.

Olheiros - Centroavante, meia, às vezes até volante. Você já rodou por todas as posições do meio para a frente, como lida com isso? E, claro, em qual posição se sente mais confortável?

João Pedro - Eu fico feliz em poder jogar em várias posições. Já atuei em todas elas por muitas vezes, por isso não tenho dificuldade de adaptação. O mais importante é jogar. Sinceramente, não tenho preferência.

Olheiros - Até hoje o Brasil se pergunta como um time com Neymar, Coutinho, Wellington, Zezinho, não passou sequer da primeira fase do Mundial. Quais as explicações para isso?

João Pedro - A derrota é sempre inesperada, ainda mais de um grupo como aquele, de jogadores de qualidade indiscutível. Mas no futebol as coisas nem sempre acontecem como a gente espera. Foi um momento difícil, mas eu consegui dormir no dia nossa eliminação porque eu dei o meu máximo para ajudar, que é a coisa mais importante.

Olheiros - Como era o clima da equipe na ocasião? Havia uma confiança até "excessiva" entre os jogadores de que a equipe iria avançar a qualquer momento?

João Pedro - Eu acho que teve uma confiança excessiva sim, mas pela qualidade daqueles jogadores, e isso é evidente. Mas como eu disse, futebol tem dessas coisas. E não há um culpado: todos são responsáveis. Um profissional também precisa aprender com as derrotas.

Olheiros - Estes jogadores, como você, mesmo após o resultado adverso, vivem um 2010 interessante. Uns mais, outros menos, mas todos tiveram bons momentos já entre os profissionais. Talvez o mais evidente aí seja o Neymar. O que pode explicar essa rápida reação de vocês?

João Pedro - Eu acho que a derrota faz um jogador crescer muito. Tudo é aprendizado e cada dia que passa você cresce ainda mais. Eu vejo isso naquele grupo de jogadores. Se hoje estes atletas estejam em evidência, certamente a derrota no Mundial ajudou para o amadurecimento de cada um.

Olheiros - Você parece ser uma exceção em uma geração na qual predominam jogadores mais rápidos e franzinos (Coutinho, Dudu, Wellington, Neymar). Pensas que o fato de ter características pode ajudar ou prejudicar sua carreira aqui no Brasil?

João Pedro - Cada um deve explorar a sua característica, mas eu me coloco na lista de jogadores rápidos também. Hoje o futebol está mais físico do que técnico, então quem conseguir aliar todos os atributos tende a sobressair.

Olheiros - O Atlético-MG vive uma pressão grande para voltar a conquistar títulos importantes, e esta acabou acentuada após a vaga na Libertadores escapar na rodada final do último Brasileiro. Como é para você lidar com esse tipo de ambiente, mesmo tão jovem?

João Pedro - O Atlético é realmente uma equipe de tradição e de uma torcida apaixonada. Portanto, grandes títulos precisam ser conquistados. Mas eu acho que estamos no caminho certo. Não começamos bem o Brasileirão, mas ainda tem muito campeonato pela frente. Além disso, este ano fomos campeões estaduais depois de três anos de jejum e perdemos na Copa do Brasil para o Santos, que na minha opinião é a melhor equipe do país. Com a chegada do Luxemburgo e dos últimos reforços, eu vejo que nós vamos crescer e dar trabalho.

Olheiros - Você se vê apto a sonhar com seleção para 2014, por já ter chegado à equipe principal aos 18 anos? E quem avalia que, na sua posição, pinta como nome forte para a Copa no Brasil?

João Pedro - Não tem como não pensar, quando se está jogando em alto nível, mas é muito difícil chegar à seleção principal. Tem ainda muita coisa para acontecer. Preciso trabalhar diariamente para evoluir primeiro e quem sabe uma oportunidade não surge no futuro. Eu vejo alguns nomes fortes para as próximas convocações, como o Denílson (Arsenal), o Lucas (Liverpool), o Sandro (Internacional) e o Paulo Henrique Ganso (Santos).



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