Equipe Olheiros.net - 21/08/2010
Confirmado nesta semana e com previsão para começar no próximo dia 15 de setembro, o Torneio Sub-23 de clubes terá a participação de dez equipes: os quatro grandes do Rio de Janeiro, Corinthians, Palmeiras, Santos, Atlético Mineiro, Internacional e Avaí. Haverá também a transmissão televisiva dos jogos, que acontecerão nas preliminares das partidas do Campeonato Brasileiro. Antes mesmo de começar, o torneio suscita discussões acerca de sua utilidade.
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Existe quem defenda a tese de que a competição é interessante para colocar em evidência os jogadores que não têm chances nos profissionais. Há também quem seja contra por não ver sentido no torneio e em sua liberação para três jogadores acima dos 23 anos, além dos goleiros, que escapam da regra do limite de idade. Além disso, a Traffic, organizadora do campeonato, seria, em tese, uma das maiores interessadas nas mercadorias – jogadores – que estão sendo colocados em evidência nas partidas.
Como site especializado em divisões de base, Olheiros não poderia ficar de fora dessa discussão e chamou os amigos Mozart Maragno, ex-colunista do site, e Gustavo Hofman, da Trivela, para debater o assunto. Confira, nas linhas abaixo, as posições defendidas por cada um:
Sim, sou a favor da Copa Sub-23, por Mozart Maragno, ex-colunista do Olheiros
Virou clichê colocar qualquer torneio de base como "de empresário", ou outras alcunhas que diminuam sua importância. Se for patrocinado pela Traffic vira a materialização de lúcifer na terra. É sob algumas dessas avaliações que a Copa Sub-23 quer se consolidar no Brasil. Suas limitações passariam menos por quem o patrocina e idealizou e mais pela dificuldades de colocar jogadores interessantes em campo.
Aliás, o interessante das avaliações críticas baseadas em clichês é que só funcionam para o Brasil. O inúmeros campeonatos de base que temos lá fora, patrocinados por empresas, ou até por clubes - caso da Copa Nike Sub-15, que tem como “padrinho” o Manchester United – são “chiques”, bem organizados, não são apenas “vitrines para vender pé-de-obra”. O mais importante torneio de base do mundo (em clubes), a Copa São Paulo, por outro lado, sempre foi vítima dessas críticas. Enquanto isso , jogadores como Pato, Bruno César, Neymar e Ganso vão surgindo ano a ano na Copinha.
Os torneios de base são fundamentais para dar espaço à renovação de qualquer modalidade esportiva. É só analisarmos a importância do último Europeu sub-21 para a Alemanha, ou o Mundial Sub-20 de 2009 para Gana. A própria Supercopa de Futebol Júnior, realizada em Barueri recentemente, mostrou alguns atletas talentosos de Santos e Flamengo para o Brasil inteiro e que já figuram em suas equipes principais: Tiago Alves e Galhardo, por exemplo. Deram um salto de qualidade, sem dúvida.
A Copa Sub-23 poderia ser importante para dar ritmo de jogo e experiência a alguns atletas que estouraram a categoria sub-20 e não conseguiram espaço no time principal. O Santos levou uma equipe sub-23 à Ásia no final de julho e vai fazer caixa com o volante Adriano. O São Paulo, três anos atrás, levou uma equipe sub-23 à Índia e conseguiu recuperar Hernanes. Jogar na preliminar das partidas do Brasileirão, com TV aberta, é mais um fator positivo.
“Ah, mas a Traffic quer valorizar jogadores para vender”. Sabe o que eu acho? É ótimo. Se esse atleta não tem espaço no seu clube e se valoriza, pode vender sua força de trabalho em condições melhores, num outro lugar. Ganham o jogador, o clube e o grupo empresarial. Muitos torcedores já tem maturidade para fazer uma avaliação mais pragmática, racional dessas situações.
Se o São Paulo não usar o Sérgio Mota na equipe principal, por exemplo, poderia valorizá-lo nas preliminares. Mas o tricolor paulista desistiu de participar nesse primeiro ano. Aliás, embora com tabela pronta, não se sabe se o torneio vai sair. Os mais saudosistas e puristas, entretanto, poderiam matar a saudade dos “expressinhos” e dos campeonatos de aspirantes do passado. Quantos mais torneios de base, mais oportunidade para os jovens atletas do concorrido futebol brasileiro. A ideia é excelente.
Não, sou contra a Copa Sub-23, por Gustavo Hofman, da Trivela
Ao invés de criarmos mais uma competição, prefiro valorizar as existentes. Já temos um Brasileiro Sub-20, portanto, existe um espaço para os jovens talentos dos clubes aparecerem. Acho que essa competição deveria ser ampliada, tanto em números de clubes como de meses.
Nessa Copa Sub-23, as equipes teriam espaço para utilizar os atletas sem lugar no time principal, mas dentro dessa idade - fora os goleiros, que teriam free card, independente da idade. Acho mais interessante esses jogadores serem emprestados para clubes das Séries B e C, e até mesmo a recém criada D. Interesse dos outros clubes há.
Fora que haverá uma liberação para três atletas acima de 23 anos, como nas Olimpíadas. Totalmente sem sentido - mais um caso onde o empréstimo para clubes menores seria mais benéfico a todos os lados. Além disso, o Sportv anunciou a transmissão dessa nova competição. Ora bolas, que transmita a Série C! Muito mais interessante para todo futebol brasileiro - e também para os clubes que cederiam os atletas emprestados e os manteriam na vitrine.
Além desses argumentos já apresentados, o torneio será organizado pela Traffic. Bem, só por isso eu já gero uma certa antipatia pela competição, mas não sou ingênuo de imaginar que ela não vá mover seus tentáculos para qualquer outro torneio. Então, que vá apoiar as divisões menores, já que a CBF não se importa muito. A Série D, por exemplo, está aí, carente.
Enfim, resumindo, sou um defensor de divisões fortes no futebol brasileiro. A Série A já é, a B está se fortalecendo, mas a C e a D são paupérrimas. Ao invés de investir em um torneio sub-23, acho muito mais lógico e louvável apoiar as dezenas de clubes brasileiros espalhados pelo país. Têm torcida, vontade, mas falta grana. E, consequentemente, jogadores.
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