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CSP'08: preview da final

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Maurício Vargas - 23/01/2008

Leia a cobertura completa sobre a Copa SP

O melhor ataque encontra a melhor defesa na final da 39ª edição da Copa São Paulo de Futebol Junior. Longe dos holofotes, Rio Branco e Figueirense percorreram caminhos bastante diferentes para chegar, pela primeira vez, à decisão. Até por isso, ainda que se apontem injustiças ou se indiquem equipes teoricamente melhores, ambas foram merecedoras. E antes que se diga que esta foi uma Copinha perdida pela ausência de clubes mais tradicionais na finalíssima, vejamos por que Tigre e Figueira chegaram até aqui.

Rio Branco – Furacão do interior

O ataque do Rio Branco foi o ponto forte da equipe desde o início: a goleada por 8 a 0 sobre o Náutico de Roraima na estréia podia parecer fruto da fragilidade do adversário, mas nos outros jogos do grupo a equipe roraimense perdeu por 1 a 0 para o Criciúma e 2 a 0 para o Guarani. A equipe formada por Marquinhos Sartore tem vocação para o ataque e tem dificuldades se forçada a se defender.

E se o time é só ataque, seu principal nome é Felipe. O “Furacão”, como é conhecido na cidade de Americana, destacou-se com muita qualidade tanto para finalizar quanto para servir seus companheiros. A facilidade no drible, aliada a uma boa velocidade, fazem do camisa 9 alvinegro uma arma mortal quando carrega a bola em direção ao gol.

Entretanto, dos 26 gols marcados em sete jogos (média de 3,7), Felipe marcou sete. Os coadjuvantes – ainda que também protagonistas – são Tiago Silva, meia técnico que cadencia muito bem o jogo; Danilo, volante fundamental no esquema tático da equipe e que sobe freqüentemente ao ataque; Helerson, um aparentemente desengonçado, mas mortal atacante; e Denis, ala esquerdo que rompe bem na diagonal e cobra faltas venenosas.

A defesa, por outro lado, é problemática e deixou o torcedor americanense ressabiado nos seis jogos realizados no estádio Décio Vitta. Alisson falhou algumas vezes, mas foi mantido por Sartore; Vander e Vieira não transmitem muita segurança e até mesmo o volante Lucas Vieira, destaque da equipe na primeira fase, se perdeu e cometeu várias lambanças, entre elas um amarelo por retardar o reinício do jogo que lhe valeu suspensão para a final. Vieira, machucado, ainda é dúvida e o volante Rafael Santos deve jogar improvisado.

A cidade de Americana está em lua-de-mel com os garotos, esperança de dias melhores para um clube que se vê atolado em dívidas e foi rebaixado para a segunda divisão paulista após 17 anos na elite. Ainda que jogadores como Denis e Índio (atacante talismã) já tenham sido vendidos, e mesmo que o título não venha, esta já é uma campanha histórica.

Figueirense – Surpresa? Que surpresa?

Muitas equipes sonham em chegar a uma final, mas há pouco trabalho que fundamente tal sonho. No Figueirense, contudo, há – e muito – trabalho. Hegemônico em seu estado, vencendo os catarinenses sub-15, sub-17 e sub-20 no ano passado, o Figueira chegou à Copinha querendo deixar de ser apenas um revelador de talentos para ser uma força nacional das bases.

A coesa equipe de Rogério Micalle está muito perto de alcançar este objetivo, ainda que o resultado possa ser considerado como extremamente positivo mesmo que o título não venha. A campanha foi irregular: derrotado pelo badalado Pão de Açúcar, classificou-se apenas como o oitavo melhor no índice técnico.

A partir daí, vitórias sempre apertadas sobre Palmeiras, União São João, São Carlos e o São Paulo, sempre jogando contra a torcida e sempre apontados como azarões. Sinal de que a equipe tem personalidade, principal característica do goleiro Gustavo, responsável direto pela classificação à final – fechou o gol na semifinal com, no mínimo, duas defesas difíceis e um verdadeiro milagre em dois chutes à queima-roupa.

Gustavo fechou o gol também contra o São Carlos e é o nome da melhor defesa da Copinha (três gols em sete jogos, apenas um no mata-mata). Rafael e Luís Eduardo formam a dupla de zaga que, se mantiver a performance, garante que o time chega, no mínimo, aos pênaltis.

No mínimo porque, se não sofrer gols, o pior que pode acontecer é um empate em 0 a 0. E para garantir a vitória, dois nomes de destaque: Maicon Talhetti, dono do meio-campo catarinense que pode tanto cadenciar o jogo quanto explodir rumo à meta adversária, com excelente finalização; e Marquinhos, centro-avante oportunista que faz também a função de pivô. Os dois serão auxiliados por Edson Galvão e Marcelo.

Duas equipes pouco comentadas, com características diametralmente opostas: habilidade versus conjunto; explosão contra oportunismo; o melhor ataque contra a melhor defesa. Rio Branco e Figueirense podem não fazer uma final esperada, mas certamente fazem uma decisão merecida.

RIO BRANCO: Alysson, Bruno, Rafael Santos, Vander e Denis; Tiago Melo e Danilo; Felipe e Tiago Silva; Thauan e Helerson.
Técnico: Marquinhos Sartore

FIGUEIRENSE: Gustavo, Júlio, Rafael, Luís Eduardo e Massari; Luan e Roberto; Edson Galvão e Talhetti; Marquinhos e Marcelo.
Técnico: Rogério Micalle 

CAMPANHAS

Rio Branco

Primeira fase
8x0 – Náutico-RR
2x0 – Guarani
5x3 – Criciúma

Segunda fase
3x1 – Ferroviária

Oitavas-de-final
3x1 – Taboão da Serra

Quartas-de-final
4x1 – Fortaleza

Semifinal
1 (4)x(2) 1 – Internacional

Figueirense

Primeira fase
2x0 – Vila Nova-GO
4x1 – Vilhavelhense-ES
0x1 – Pão de Açúcar

Segunda fase
1x0 – Palmeiras

Oitavas-de-final
2x1 – União São João

Quartas-de-final
1x0 – São Carlos

Semifinal
1x0 – São Paulo



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