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O momento certo de vender

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Carlos Eduardo de Moura - 22/08/2010

A última semana foi tomada, dentro do noticiário esportivo, sobre a investida feita pelo Chelsea em cima do jovem atacante Neymar, da equipe do Santos. Muitos debates foram feitos, sobre se a possibilidade era boa, se valia a pena sair do Santos tão cedo, o eterno debate do êxodo de jogadores brasileiros ao exterior.

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O desfecho foi surpreendente: o Santos definiu que não iria vendê-lo, e apresentou um projeto ao jovem atacante que o convenceu a permanecer, mesmo com uma proposta envolvendo luvas de 4 milhões de euros limpos para o jogador e um contrato milionário para atuar em uma das maiores equipes da Premier League (e atualmente no mundo).

Os motivos definidos pelo garoto foram devidamente destacados pela mídia e exaltados pela torcida, mas será que realmente foi uma boa manter Neymar com um mega salário e um projeto envolvendo ações utilizando a imagem do jogador e sua vinculação com o clube santista?

A oferta de R$ 67,5 milhões não é uma quantia qualquer, considerando o mercado brasileiro e a situação financeira dos clubes brasileiros. O Santos apresentou, segundo estudo da Crowe Howarth RSC, dívidas no montante de aproximadamente 180 milhões de reais. Ou seja, de forma racional, a venda de Neymar poderia abater consideravelmente esse enorme passivo.

Outro fato a se considerar é a total peculiariedade do futebol, onde apostas sobre futuro dos jogadores são arriscadas demais e bastante instáveis – o que coloca uma carga de responsabilidade alta ao se recusar uma proposta milionária como a do Chelsea, frente a inúmeros riscos e desvios que a carreira do jovem atacante santista pode sofrer no caminho, e assim diminuindo seu valor de mercado. A recente venda de Hernanes para a Lazio mostra bem o quanto é incerta a valorização de um atleta de futebol.

É inegável que é importantíssimo os clubes brasileiros buscarem mecanismos para manterem seus bons atletas por mais tempo no futebol brasileiro, agregando valor técnico aos nossos campeonatos. Porém, o primeiro passo para a valorização do futebol é a organização profissional de nossos campeonatos, dando possíveis projeções de receitas para os clubes explorarem, e assim tocar projetos sérios de planejamento de carreira para seus craques, visando a competição com o mercado externo.

Projetos mirabolantes envolvendo salários milionários para jovens atletas, projetos de exploração de imagem para adequação da remuneração do jogador (com retorno não-garantido na proporção do investimento), em detrimento da regularização das dívidas do clube, gera fantasias que um dia clubes brasileiros, como o Santos, terão de pagar a conta no futuro, e definitivamente ela será muito salgada.



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