Leandro Stein - 26/08/2010
Ainda restam duas rodadas para o término da fase inicial do Campeonato Europeu Sub-21, mas algumas equipes já garantiram as suas vagas na próxima etapa do torneio. A Holanda de Siem de Jong, Daley Blind e Georginio Wijnaldum segue invicta na liderança do Grupo 4 e, com 21 pontos, não pode nem mesmo ser alcançada pela poderosa Espanha. Já no Grupo 5, quem surge como favorita rumo ao título é a República Tcheca, que, assim como a Oranje, ainda não perdeu na competição.
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Para chegar à ponta da tabela, os tchecos, porém, não tiveram vida fácil. Mesmo enfrentando algumas presas fáceis em sua chave, a equipe treinada por Jakub Dovalil teve pelo caminho ninguém menos do que os atuais detentores da taça, os alemães, além da Islândia, de campanha bastante sólida até aqui.
A bela caminhada começou de maneira tranquila, com uma goleada por 8 a 0 sobre a fraca seleção de San Marino. Depois, bateram os islandeses fora de casa e, de volta ao leste, a Irlanda do Norte. O grande feito, entretanto, veio por acontecer na quarta rodada. Com dois tentos históricos de Michael Rabusic, os tchecos derrotaram a favoritíssima Alemanha em plena cidade de Wiesbaden, território inimigo, por 2 a 1. E, detalhe, os alemães contavam até mesmo com alguns jogadores presentes na última Copa do Mundo, como Jerome Boateng e Toni Kroos, além dos badalados Mats Hummels, Benedikt Howedes e Tobias Sippel.
Nas rodadas posteriores, novas vitórias contra Irlanda do Norte e San Marino, que consolidaram ainda mais a posição da seleção tcheca. Com 18 pontos, a equipe está dois à frente da Islândia, que realizou uma partida a mais. Além, os tchecos possuem a melhor defesa de toda a fase classificatória, de apenas dois gols sofridos, e a segunda melhor média de gols, 3,67 por partida. A Alemanha, por sua vez, que fez somente oito pontos em seis jogos, não tem mais nenhuma possibilidade de classificação.
O resultado notável da República Tcheca, entretanto, não é surpreendente quando se analisa o elenco utilizado ao longo da competição. O bom retrospecto é fruto de um trabalho que é realizado há alguns anos, no qual o entrosamento tem sido fundamental para o progresso da equipe. Vários dos convocados para o time sub-21 já são faces conhecidas nos torneios que envolvem seleções de base.
Do time que chegou ao vice-campeonato no Mundial Sub-20 de 2007, ainda restam alguns nomes. Ondrej Mazuch, hoje titular do Anderlecht, mantém a parceria na zaga ao lado de Marek Suchý, do Spartak de Moscou. Não à toa, a solidez do sistema defensivo é um dos pontos altos do elenco de Jakub Dovalil. Além deles, o meia Marcel Gecov, que fora peça importante na engrenagem daquele time, é hoje o camisa 10 da equipe sub-21, principal armador das jogadas ofensivas. Já o caçula daquela lista de convocados, Tomas Pekhart, de reserva recorrentemente usado, transformou-se em artilheiro, anotando dois hat-tricks nas únicas duas partidas nas quais participou até aqui.
A geração posterior, vice-campeã europeia sub-17 em 2006 e semifinalista no Europeu Sub-19 de 2008, também mantém fortes traços no atual time. Dentre aqueles que estavam na seleção sub-19, o goleiro Tomáš Vaclík, o lateral Jan Lecjaks e o meio-campistas Jan Vošahlík e Lukáš Mareček são titulares absolutos do sub-21. Outros ainda, como Jakub Heindenreich, Petr Wojnar e Libor Kozák, permanecem entre os convocados.
Durante a Copa do Mundo Sub-20 de 2009, além de vários citados anteriormente, como Mazuch, Perkhart e Lecjaks, outros ainda são remanescentes. Destes, o zagueiro Ondřej Čelůstka, o lateral Jan Hosek, o meio-campista Lukáš Vácha e os atacantes Michael Rabušic e Jan Chramosta ainda têm lugar cativo entre os titulares. Por fim, apesar de não ter feito parte de nenhum dos grupos mencionados, o meia Borek Dockal é figura recorrente entre os sub-21 desde a última campanha.
E se o time praticamente inteiro foi composto por velhos conhecidos, jogadores importantes ainda foram encaixados no período recente. O zagueiro Radim Řezník e o meia Tomáš Hořava nunca haviam atuado por uma seleção de base antes, mas mereceram uma chance depois de se destacarem por Baník Ostrava e Sigma Olomouc, respectivamente. O maior destaque dentre os “novatos”, contudo, é o atacante Jan Blazek. Goleador com a camisa do Slovan Liberec e contratado pelo Larissa, da Grécia, o artilheiro já foi listado até mesmo pela seleção principal.
Para classificarem-se na primeira posição do grupo, os tchecos necessitam apenas de uma vitória nos próximos dois jogos. E, caso cheguem ao play-off e posteriormente na fase final, podem ter dois reforços de peso. Milan Cerny, meia do Sparta Praga, ainda é elegível para o torneio, apesar de não ter sido convocado até o momento. E a estrela do CSKA Moscou Tomás Necid, já acumulando 14 partidas e seis gols na seleção principal, pode pegar um lugar no ataque nas partidas decisivas. Além da qualidade técnica e do instinto inegável de matador, a Necid também conta a favor o fato de também ter longa experiência nas equipes tchecas de base e entrosamento com a maioria dos companheiros.
Com uma entonação diferente da última edição, o Europeu Sub-21 entra em um contexto mais importante nesta temporada. Mais que um troféu, a competição também vale vaga para as Olimpíadas de 2012. Para fazer história, no entanto, os tchecos precisam ficar entre os três primeiros colocados da etapa final, a ser realizada na Dinamarca em julho de 2011.
De lição ao elenco que milita tão bem no Europeu Sub-21, fica o exemplo da equipe que disputou e venceu o mesmo torneio em 2002. Dos 22 jogadores que faziam parte daquele grupo, 17 tiveram chances posteriores na seleção principal. Enquanto alguns, como Zdeněk Grygera e David Rozehnal, são membros praticamente permanentes da equipe nacional, outros transformaram-se em referências mundiais, como Petr Cech e Milan Baros. Se o troféu não vier, ao menos com um bom retrospecto é possível abocanhar uma vaga no time principal.
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