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Talento não tem idade

A volta do traidor arrependido

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Pedro Venancio - 27/08/2010

Há pouco mais de um mês, o amigo Leandro Stein escreveu, na coluna “Colheita infeliz”, sobre a dificuldade que o Milan vem tendo em inserir jovens jogadores em seu elenco envelhecido. O clube, porém, mantém a filosofia de contratar garotos para reforçar a base, e, nesse verão europeu, conseguiu tirar três jogadores da rival Internazionale. O principal deles é o badalado meio-campista Marco Ezio Fossati, de apenas 17 anos, que defendeu a seleção italiana no Mundial Sub-17 de 2009.

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Apontado como o “novo Andrea Pirlo” pelo seu estilo de jogo, Fossati foi contratado por 3.5 milhões de euros, soma considerável se levarmos em conta que o contrato dele com a Internazionale. Após várias negociações e já sem esperanças de renovar o vínculo com o meia, a Internazionale achou melhor vendê-lo para que ele não saísse de graça no ano que vem. Com a confirmação da transferência, porém, muitos torcedores do clube ficaram chateados e fizeram analogias com a saída de Pirlo, que fez o mesmo caminho em 2001, quando já tinha 22 anos.

Existe, porém, uma diferença fundamental. Enquanto o atual camisa 21 rossonero começou a carreira no Brescia, Fossati é cria do próprio Milan, onde jogou até os 15 anos, quando mudou-se para o rival. Na época, a saída dele repercutiu muito em Milão, a ponto de rivalizar em alguns noticiários esportivos da cidade com a compra de David Suazo, que era um dos atacantes mais cobiçados do futebol italiano e na época se transferia do Cagliari para a Inter.

Em campo, há também quem diga que o estilo de jogo de Fossati se assemelhe mais ao de Fàbregas. Com 1.80m e 72 quilos, ele exibe muito dinamismo dentro de campo, além de demonstrar qualidade incomum nos passes, cruzamentos e chutes de longa distância, atuando geralmente muito próximo dos atacantes. Versátil, pode atuar como meio-campista “box-to-box”, armador central, ou mesmo extremo direito, aproveitando a facilidade que possui para bater na bola.

O processo de readaptação ao Milan, porém, pode não ser tão simples. A repercussão da saída dele em 2007, e o fato desse “arrependimento” ter custado 3.5 milhões de euros ao clube “traído” para trazê-lo de volta podem gerar certos atritos com alguns setores mais xiitas da torcida rossonera. A desconfiança terá de ser superada com boas atuações dentro das quatro linhas, e, quanto mais cedo isso acontecer, melhor para o jogador e para o clube, que terá conseguido o objetivo de acrescentar juventude ao elenco.

Fossati chega junto com outros dois jogadores: o defensor romeno Cristian Daminuta, 20 anos, e o meio-campista húngaro Attila Filkor, 22, que já foi emprestado para a Triestina. Ambos parecem fazer parte apenas daquela imensa lista de jovens que os grandes europeus cedem para os pequenos com a intenção de fazer com que tenham mais tempo de jogo para, posteriormente, tê-los como opção para equipe principal ou vendê-los para fazer caixa, ou mesmo usar esses garotos como moeda de troca em alguma negociação.

Os três reforços se juntam a nomes como Michelangelo Albertazzi e Giacomo Beretta na espera por uma chance efetiva no time principal e, com a presença de vários atletas experientes, o cenário parece adequado. Afinal de contas, poderiam estrear sem ter a pressão de resolver todos os problemas da equipe e com jogadores que podem ajudá-los a perder a insegurança natural da idade. Cabe a Massimiliano Allegri decidir se mudará a filosofia atual do clube e os usará ou se chegaremos à pré-temporada em 2011/12 constatando mais uma vez que o Milan está com o elenco envelhecido.



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