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Jair Pereira: um título para abrir portas

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Olavo Soares - 29/08/2010

Dunga, Jorginho e Bebeto foram (e ainda são) sinônimos de seleção brasileira por muitos anos. Os três participaram do fracasso na Copa de 1990 e encontraram a redenção quatro anos depois, com o título mundial nos Estados Unidos; Bebeto e Dunga ainda seriam titulares no grupo vice-campeão do mundo em 1998, na França.

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A história deles na seleção se iniciou muito antes dos mundiais adultos. E teve como temporada-chave o ano de 1983, quando o Brasil, tendo os três no elenco, foi campeão mundial sub-20, em torneio disputado no México.

O técnico da seleção na ocasião era Jair Pereira. A influência do treinador naquela conquista – e nas posteriores – foi determinante e até hoje Pereira é celebrado pela relevância que a geração de 1983, sob o seu comando, teve para que o futebol brasileiro recuperasse a hegemonia mundial.

Meteórico

Embora atualmente viva um período de relativo ostracismo (sua última experiência em um dos maiores times nacionais se deu em 1996, quando comandou o Botafogo), Jair Pereira é um dos técnicos brasileiros em atividade que mais vezes se sagrou campeão. Levantou taças no Cruzeiro, Atlético-MG, Corinthians, Flamengo e Vasco, entre outras equipes.

Mas ele ainda não tinha nenhuma dessas façanhas no currículo quando, em 1983, foi convidado para ser o técnico da seleção brasileira sub-20. Pelo contrário: havia iniciado sua carreira de treinador apenas dois anos antes e treinara somente o Campo Grande (do subúrbio carioca), a Ponte Preta e o Paysandu.

Àquela época (como ainda ocorre hoje), as seleções de base não tinham como técnicos nomes consagrados e sim profissionais em início de carreira. Certamente, o que pesou a favor de Jair para sua indicação foi seu passado como jogador. Relativamente vitorioso: Jair fez sua carreira praticamente toda no Rio de Janeiro (com exceção de uma temporada no Santa Cruz), e se destacou com as camisas de Flamengo e Vasco.

E em janeiro de 1983, Jair passou à CBF a mostra de que a escolha do seu nome foi um acerto: sob seu comando, a seleção foi campeã sul-americana sub-20, com uma campanha avassaladora – seis vitórias e um empate em sete jogos. O título representaria também a classificação para o Mundial da categoria, a ser jogado no México.

No mesmo país onde a seleção adulta fizera história 13 anos antes, o time sub-20 também se sagrou campeão do mundo. Além dos citados Jorginho, Dunga e  Bebeto, o grupo também tinha nomes como Aloísio, zagueiro que fez história no futebol português, e Geovani, ídolo do Vasco na transição entre os anos 80 e 90.

Jair permaneceu como técnico do time sub-20 até 1985 e mais uma vez foi campeão sul-americano (curiosamente, novamente com seis vitórias e um empate em sete jogos). Depois passaria a bola para Gilson Nunes, que comandou o time no Mundial da URSS – mais uma vez, o Brasil ficou com a taça. Os tetracampeões Taffarel e Muller estavam no elenco.

Profissional

Quando decidiu largar os garotos e consolidar sua carreira entre os adultos, Jair Pereira fez a habitual passagem pelo famigerado “mundo árabe” – e engordou sua conta bancária com os salários recebidos por Al-Shabab (Emirados Árabes) e Al-Jazira (Arábia Saudita), clubes que treinou em 1986.

Teve uma passagem discreta pelo Cruzeiro e foi nos pés de um garoto que alcançou seu primeiro grande feito como técnico de adultos. Foi no Corinthians, em 1988. O alvinegro enfrentaria o Guarani na decisão do Paulista daquele ano e o favoritismo estava do lado do time de Campinas – além de jogar pelo empate no tempo normal e na prorrogação, o Bugre contava com os talentosos Evair e Neto e o sólido Ricardo Rocha.

Mas Jair ousou e resolveu colocar, na prorrogação, o jovem Viola, à época com 19 anos. E Viola fez o gol do título. Além dele, outro garoto bancado por Pereira foi o goleiro Ronaldo, que nas finais substituiu o medalhão Carlos, contundido, e iniciou ali sua trajetória que o coloca como um dos maiores arqueiros da história do Parque São Jorge.

Jair foi demitido do Corinthians por burocracias contratuais. Depois, brilharia em Minas Gerais, conquistando o estadual por Atlético (em 1989 e 1991) e Cruzeiro (1992) – pelo clube celeste, levantaria ainda a taça da extinta Supercopa dos Campeões da Libertadores. Em 1994, sua última glória como técnico: foi campeão carioca com o Vasco.

Daquele momento em diante, Jair não mais brilhou como treinador. Teve passagens por Fluminense, Botafogo e Atlético-PR, retornou a Corinthians, Cruzeiro e Vasco, mas acabou caindo em um esquecimento que perdura até os dias atuais. Atualmente, deixou a carreira de técnico em segundo plano e prioriza atuar como coordenador em equipes menores.

Ficha técnica


Nome completo: Jair Pereira da Silva
Data de nascimento: 29/05/1946
Clubes e seleções que dirigiu: Brasil Sub-20, Vasco, Cruzeiro, Corinthians, Palmeiras, Atlético-MG, entre outros
Principais títulos: Mundial Sub-20 (1983), Campeonato Sul-Americano Sub-20 (1983/85), Campeonato Mineiro (1989, 1991, 1992), Campeonato Paulista (1988), Campeonato Carioca (1994), Copa do Brasil (1990)



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