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Submundo da bola

Critério decisivo

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Dassler Marques - 30/08/2010

As ações estão mais lentas que deveriam. Mais de um mês depois de ter definido Mano Menezes como seu treinador, a CBF caminha a passos de tartaruga rumo a importantes decisões que precisa tomar para o Sul-Americano Sub-20 a ser jogado em janeiro de 2011. Competição, vale sempre recordar, que classifica para as Olimpíadas de Londres.

Um dos problemas sérios da equipe, ainda comandada por Luiz Verdini, é a falta de uma definição mais clara do elenco. A sensação pela última lista de convocados, visando a Copa Sendai, é de que ainda vivemos fase de testes. Por mais que se pense em criticar a comissão técnica, é importante notar que o período atual é impróprio para que os clubes sejam desfalcados, já que estamos no Campeonato Brasileiro. Aí é que constata algo importante: a CBF não dá pelota para o Sul-Americano Sub-20.

Da relação de convocados para Sendai, não há um jogador sequer com experiência realmente de profissional. Essa maturidade já se mostrou decisiva em 2007, quando Lucas e Alexandre Pato comandaram uma irregular equipe de Nelson Rodrigues ao título sul-americano, e também se mostrou deficitária em 2009, quando o time de Rogério Lourenço tinha qualidade, mas não sabia se impor definitivamente.

Atuar entre os adultos antes dos 19 anos, idade máxima, na prática, de quem estará com a seleção em janeiro, indica um amadurecimento importantíssimo. Muitos dos jogadores selecionáveis convivem há anos em categorias normalmente acima de suas idades, em um processo normalmente chamado de “queimar etapas”. Estacionar nos juniores nessa altura da carreira, como acontece especialmente com os /91 nesse momento (casos, por exemplo, de Bruno Uvini, Oscar, Alan Patrick e Wendel), é um indicativo preocupante.

Quando tiver dúvidas para a equipe definitivamente que jogará o Sul-Americano, recomenda-se a Luiz Verdini, ou quem quer que lhe suceda, que observe esse aspecto. Na lateral esquerda, por exemplo, o santista Alex Sandro precisa ser escolhido, especialmente por suas atuações seguras nas finais da Copa do Brasil. Conviver bem com a pressão – e não se engane, haverá muita - é fundamental para um torneio de tiro-curto como o que ocorrerá em janeiro.

Por mais que Alan Patrick e Oscar realmente caminhem para merecer a titularidade no meio-campo, outro nome que deve ser observado atentamente é o do são-paulino Marcelinho. Jogado aos leões, ele tem mostrado personalidade e qualidade em momentos bastante delicados de sua equipe, ainda que tenha oscilado contra o Fluminense. Em situação similar está Casemiro, além de tudo um volante muito superior aos que têm sido chamados por Verdini e com experiência de Mundial Sub-17.

Nesse sentido, é preocupante a falta de experiência dos zagueiros que possivelmente irão integrar o elenco sub-20 brasileiro. Para quem viveu confortavelmente com Tolói e Dalton em 2009, é delicado o fato de nomes de enorme potencial, como Saimon e Bruno Uvini, ainda não terem dado um salto definitivo. Juan e Sidimar, as outras duas opções aparentes, também não transmitem segurança. Não há sequer um bom beque /91 ou /92 jogando entre profissionais. Mais experimentado na Série C com o Juventude, Bressan merece atenção.

Um ponto decisivo e sobre o qual ainda não há qualquer indício é o aproveitamento de jogadores que atuam no exterior. Se Mano Menezes fala em ter boa relação com as equipes europeias, conseguir liberações de nomes como João Pedro, negociado nesta segunda-feira com o Palermo, Phillipe Coutinho, em bom início na Internazionale, e até mesmo Wellington Silva, do Arsenal, seriam mais que salutares. Ofereceriam um salto de qualidade e de experiência fundamentais.

Firulas

#1
Alan Patrick deve ter mais espaço no Santos. No sábado, marcou seu primeiro gol como profissional diante do Goiás, logo após divulgar ter recebido oferta do Shakhtar Donetsk. Sem as concorrências de Ganso e Robinho, haverá mais espaço para ele. Já é hora.

#2

Espera-se que Silas mantenha o que Rogério Lourenço vinha fazendo com Rafael Galhardo, jogador de bom potencial que começava a ganhar minutos de jogo no Flamengo. Se receber essa experiência de profissional, será o titular da lateral direita do Brasil sub-20 com tranquilidade.

#3
A coluna ficou duas semanas de fora por conta de outros compromissos profissionais. Agradeço a compreensão dos leitores.



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