Dassler Marques - 02/09/2010
Em marcantes 100 anos de vida, o Corinthians teve relação intensa com suas categorias de base. O chamado Terrão, espaço do Parque São Jorge onde, por décadas, treinaram os jogadores mais jovens do clube, ficou imortalizado no imaginário do corintiano como uma grande fonte de talentos. De Neco a Dentinho, o Timão sempre soube olhar para baixo em busca de reforços.
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Mesmo não sendo tão revelador quanto outros clubes brasileiros, o Corinthians sempre teve na torcida um trunfo importante para suas promessas – nada muito diferente do que em outros setores do Parque São Jorge. Ao contrário do que se passa em algumas equipes, o corintiano sempre viu, na base, a solução de problemas. Em todo o tempo, deu respaldo para os jovens que apareciam com as cores alvinegras.
Popularíssimo, o Corinthians também foi e segue sendo, por décadas, referência para garotos que desejam um lugar ao sol. Por isso e pela vocação em bem receber jovens no time profissional, o Timão sempre teve crias da base em seus grandes times em 100 anos de vida. No início, Neco. No Paulista de 54, Luizinho. No fim da fila, Wladimir. Na Democracia, Casagrande. No Brasileiro de 90, Ronaldo. No Mundial de Clubes em 2000, os laterais Índio e Kléber, além do volante Edu.
No momento em que completa 100 anos de vida, o Corinthians parece ter deixado as categorias de base em segundo plano. Relegada na mão de gente anacrônica como Adaílton Ladeira e Zé Augusto, que há anos sobrevivem apenas de boas campanhas na Copa São Paulo, o clube não sabe o que é revelar um bom jogador feito em casa desde Dentinho, que surgiu inconstante na campanha do rebaixamento em 2007.
Com um poder de captação ínfimo, as categorias de base do Corinthians estão anos-luz atrás de seus principais rivais. Nas três diferentes edições do Paulista, em 2010, o clube tem campanha inferior a São Paulo, Palmeiras e Santos, o que reforça a tese de que é necessária uma mudança drástica de conceito e de pessoal no departamento amador. Todos ainda parecem pensar como nos tempos do popular Terrão.
Esse momento se reflete no Ranking Olheiros, no qual o Corinthians ocupa apenas o sétimo lugar, de acordo com a atualização de julho. Anteriormente, quando não contaram os pontos do Mundial Interclubes da Espanha, os corintianos estavam em 10º.
Atualmente, as maiores esperanças do Corinthians recaem sobre o lateral Dodô, cobiçado pelo Manchester United no ano passado mas em queda livre nos últimos meses, e William Morais, que ganhou contrato até 2014 e parece entre as primeira opções de Adílson Batista para o banco de reservas.
Dominador na Copa São Paulo, coadjuvante nos demais
É impossível falar das categorias de base do Corinthians e não ressaltar o desempenho na Copa São Paulo, a competição mais tradicional do futebol brasileiro nas divisões inferiores. Em 41 edições, os corintianos venceram sete, foram vice em outras sete e possuem o melhor desempenho do torneio.
É importante notar que não é só a eficiência que explica a força sobrenatural do Corinthians quando o assunto é Copa São Paulo. Com grande parte dos jogos disputados no interior paulista, os corintianos sempre atuam com apoio maciço da torcida, que aprendeu ao longo dos tempos que, para uma temporada começar boa no Parque São Jorge, é preciso levar a Copinha.
Foi assim em 1995, ano em que o Corinthians revelou Silvinho e André Santos, para depois derrotar o Palmeiras na final do Paulista e ainda abocanhar a Copa do Brasil. Isso se repetiu em 99, quando Edu marcou o gol do título sobre o Vasco, Ewerthon apareceu como grande destaque e a equipe profissional levantou o caneco do Brasileiro, taça que também ficou com o clube em 2005. Naquele ano, surgiam Jô e Dinelson, por exemplo. No ano passado, uma limitada equipe venceu a Copinha, abrindo espaço para a dobradinha Paulista-Copa do Brasil.
Em outras competições de base, porém, a força corintiana é menos significativa. O clube jamais venceu, por exemplo, a Taça Belo Horizonte de Juniores e nem mesmo o recém criado Campeonato Brasileiro Sub-20. Nas últimas temporadas, só apareceu com brilho na SC Cup Sub-16 e em um Mundial Interclubes, de qualidade duvidosa, jogado anualmente na Espanha.
As maiores crias da casa em 100 anos de Corinthians
Neco
07/03/1895
Ponta esquerda
Estourou em 1914
A vida do Corinthians e a de Neco se confundem. Em 1910, quando o clube fez seu primeiro jogo com o União Lapa, o ponta esquerda já estava no terceiro quadro com 15 anos. Jogou com a camisa corintiana entre 1913 e 1930, acumulando 296 jogos e 235 gols. Em 1929, ganhou busto no Parque São Jorge antes mesmo da aposentadoria.
Luizinho
07/03/1930
Meia direita
Estourou em 1951
Filho da Zona Leste de São Paulinho, Luizinho arrastava corintianos para chegar mais cedo ao estádio para acompanhá-lo nos torneios de aspirantes. Esteve ao lado de Cláudio, Baltazar, Roberto Belangero e Gilmar dos Santos Neves na épica equipe campeã paulista em 1954, ano do IV Centenário paulistano. Irreverente e carismático, o Pequeno Polegar foi um dos mais amados pelos torcedores do Corinthians.
Rivellino
01/01/1946
Meia esquerda
Estourou em 1966
Maior símbolo das categorias de base do Corinthians em 100 anos de vida, Roberto Rivellino também arrastava torcedores para vê-lo em ação pelo time de aspirantes. Campeão paulista com essa equipe em 1964, foi levado aos profissionais no ano seguinte e não saiu até 1974, quando perdeu o Estadual para o Palmeiras e foi crucificado. O Reizinho do Parque, curiosamente, foi reprovado em peneiras por São Paulo e Palmeiras com o apelido de Maloca.
Wladimir
29/08/1954
Lateral esquerdo
Estourou em 1973
Dono do maior número de partidas a serviço do Corinthians, Wladimir, 805 jogos, virou titular do clube em 1972 e ganhou status de ídolo na temporada seguinte. Símbolo de identificação, amor à camisa e muita dedicação, só fez 7 partidas pela seleção brasileira, mas nada que tirasse seu brilho. De tão longevo, atravessou a geração do fim do jejum em 77 e foi um dos pilares da Democracia Corintiana ao lado de Casagrande, outra grande cria das categorias de base que só não entra aqui por falta de espaço.
Ronaldo Giovanelli
20/11/1967
Goleiro
Estourou em 1988
A vida do paulistano Ronaldo Giovanelli daria um filme, especialmente sua estreia. Símbolo de um garoto prodígio, ele saiu do banco de reservas para defender um pênalti de Darío Pereyra, nas semifinais do Paulista de 1988, contra o São Paulo. Dono de enorme personalidade e temperamento quase indomável, ele foi símbolo do clube durante toda a década seguinte e talvez o último realmente ídolo formado na base.
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