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Leandro Stein - 02/09/2010

Dentre os inúmeros problemas do English Team durante a Copa do Mundo de 2010, a falta de um centroavante confiável foi dos mais sentidos pela torcida inglesa. Wayne Rooney não tinha um companheiro do mesmo nível para atuar ao seu lado. Emile Heskey, por mais que tivesse feito uma boa preparação às vésperas do Mundial, não compareceu no momento mais decisivo. No mesmo caminho, seus reservas, Jermaine Defoe e Peter Crouch, deixavam a desejar quando o assunto era bola na rede.

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Desde meados do ano passado, no entanto, vem se desenhando a imagem do Messias, que corresponderá os anseios por um “Big Man” incomodando a defesa adversária. Cabelos longos, alto e raçudo, Andy Carroll possui as principais qualidades para um matador, apesar de ter atitudes longe de um lorde. Mas o faro de gols demonstrado na última Championship, a segunda divisão inglesa, e, especialmente, nas primeiras rodadas da Premier League, lhe dá um desconto.

E os apelos pela presença de Carroll no ataque da seleção se intensificaram na última semana. Com o avante de fora da lista de Fábio Capello para os primeiro jogos eliminatórios na Euro 2012, preterido por Carlton Cole e Darren Bent, a imprensa inglesa manifestou-se contra o treinador. O tablóide The Sun, inclusive, publicou em sua capa uma foto de Capello com orelhas de burro.

Aclamado por todo a ilha recentemente, o atacante de 21 anos, contudo, já é ídolo da fanática torcida do Newcastle há algum tempo. Conhecido por seus feitos no time reserva dos Magpies, em 2006 Carroll foi o mais jovem atleta do clube a estrear em uma competição continental. Depois de ser emprestado ao Preston North End, passou a ser visto constantemente pelos gramados do St. James Park ao longo da temporada 2008/09. Mas o jovem, apesar das boas atuações, seria incapaz de evitar o rebaixamento do Newcastle para a segunda divisão inglesa.

Mais que a fama dentro dos campos, todavia, desde então o centroavante acumulava contra si episódios de indisciplina. Em 2008, foi acusado de agredir uma mulher na noite de Newcastle. Posteriormente, em janeiro de 2009 foi a vez de trocar sopapos com Charles N’Zogbia durante um treinamento dos Geordies.

E apesar dos escorregões, Carroll ainda conseguiu se redimir na temporada seguinte, durante a disputa da Championship. Após a perda de seus principais atletas de frente, como Owen, Viduka, Duff e Martins, coube à diretoria dos Magpies dar um espaço aos talentos que surgiam em Tyneside. E foi neste cenário de pressão que, aos 19 anos de idade, o centroavante ajudou a liderar a equipe, fundamentalmente decisivo na reta final da campanha. Conquistou o título, o acesso e, de quebra, ainda foi o artilheiro do clube na competição. Ao todo, foram 17 gols e 12 assistências, fundamentais tanto para o desempenho do time quanto para a afirmação do jovem.

Durante a trajetória vitoriosa, porém, Carroll ainda se envolveria em mais confusões fora de campo. Em uma delas, mais uma briga em boate da cidade de Newcastle. Na outra, ao descobrir que Steven Taylor estava trocando mensagens com sua ex-namorada, o atacante lhe deu um soco que quebrou o maxilar do defensor, bem como a mão do agressor. Somente o sucesso do atacante dentro da área foi capaz de aplacar maiores punições e de estabilizar o clima dentro do elenco.

Tamanho destaque levou o jovem a também acumular passagens nas seleções de base. Além de participações com o time sub-19, Carroll participa atualmente das fases qualificatórias do Campeonato Europeu Sub-21, no qual fez dois gols em quatro jogos.

Para esta temporada, ainda sem maiores polêmicas em torno de seu nome, Carroll recebeu a camisa 9 dos Magpies, inutilizada até então por falta de alguém que a honrasse. E para quem achava que o garoto só se sobressairia contra adversários do segundo escalão do futebol inglês, a prova contrária veio no início da Premier League 2010/11.

Apesar de passar em branco contra o Manchester United, o atacante infernizou tanto a vida de Nemanja Vidic que até mesmo o técnico dos Red Devils, Sir Alex Ferguson, elogiaria o potencial de Carroll após o jogo. Mas o cartão de visitas real foi dado com um hat-trick anotado na goleada por 6 a 0 sobre o Aston Villa. Depois, ele ainda balançaria as redes mais uma vez, no empate contra o Wolverhampton.

No Newcastle, porém, mais que um jogador primordial, Andy Carroll é símbolo de um renascimento. Seu estilo goleador o coloca como herdeiro de uma linhagem sempre muito bem quista dentro do clube, encabeçada mais recentemente por Alan Shearer, com quem freqüentemente é comparado. Com 1,93 m de altura, além de presença de área, o jovem possui cabeçada certeira. Mas, mais que isso, também tem chute fulminante de pé esquerdo e técnica suficiente para dribles curtos. Tudo isto adicionado a muita, mas muita vontade.

Tais características de jogo, por si só, já o colocariam como forte candidato a uma vaga no elenco comandado por Fábio Capello. Some-se a isto a falta de um real dono da camisa 9 e o seu estilo aguerrido, que além de agradar o público, casaria perfeitamente com a forma de jogar de Wayne Rooney. Ainda é cedo, mas o cavaleiro da linha de frente do time da Rainha parece pronto para o ataque.
 



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