Gabriel Dudziak - 05/09/2010
Time de força média na Inglaterra desde a sua fundação, em 1905, o primeiro grande momento da história do Chelsea ocorreu na metade da década de 50. Foi quando a equipe azul faturou, surpreendendo a todos, o campeonato nacional da temporada 1954-55. A conquista, no entanto, foi apenas um momento único de brilho, e os Blues não mantiveram nos anos seguintes o mesmo patamar de atuações.
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Pelo contrário. Do título inédito em diante o time caiu de produção vertiginosamente e em 1961 o que parecia impensável ocorreu. Com resultados terríveis e o clube na zona do descenso, o técnico Ted Drake, responsável pela conquista de 54-55, foi demitido. Para seu lugar o Chelsea efetivou como treinador-jogador o zagueiro Tommy Docherty, então com 33 anos. Assumindo o clube em condições precárias, o novo comandante adotou um estilo linha dura. Além de estabelecer a disciplina como palavra de ordem, Docherty vendeu a maioria dos jogadores mais velhos do clube e os substituiu por jovens vindos da base dos Blues. Não foi o suficiente para salvar os londrinos, mas a iniciativa serviu ao menos para testar o novo time que surgia ali
Entre os jovens que disputaram a segunda divisão na temporada 62-63 estavam atletas como Bobby Tambling, atacante de 22 anos, Peter Bonetti, goleiro de 22 anos, Barry Bridges, extremo, também 22 anos, o meiocampista John Hollins, 18 anos, o lateral Ken Shellito, 24 anos, e o externo Bert Murray, 20. O principal jogador, no entanto, era Terry Venables, atacante e capitão do clube, na época com 20 anos de idade. Mesmo inexperientes, os garotos nem tomaram conhecimento da divisão de acesso, terminando o campeonato na segunda posição. Em sua primeira temporada completa no comando da equipe, Docherty instituía uma nova era: a dos "Diamantes", como ficaram conhecidos os garotos.
O desafio na volta à elite
Voltar à elite do futebol inglês com um time inexperiente, mas talentoso, era uma coisa. Outra bem diferente era se manter e voltar aos dias de glória. No entanto, aquele time dava liga e tinha habilidade de sobra, de maneira que nem mesmo o desafio da primeira divisão se tornou um obstáculo para Docherty e seus comandados. Logo em seu retorno, o Chelsea fez uma temporada 1963-64 consistente, somando 20 vitórias, 10 empates e 12 derrotas e ficando na quinta posição.
Mais experientes, entrosados e reforçados por Marvin Hinton, McCreadie, John Boyle e George Graham, os diamantes de Docherty se mostraram ainda melhor lapidados para a temporada 1964-65. Com Barry Bridges e Venables em grande fase, os Blues arrancaram bem no campeonato inglês e na FA Cup. Mas foi na Copa da Liga que o clube londrino teve seus melhores momentos.
Depois de vitórias fáceis nos primeiros rounds, contra Birmingham, Notts County e Swansea, o Chelsea foi enfrentar dificuldades somente nas quartas de final, contra o pequeno Workington. No primeiro jogo, fora de casa, empate em 2 a 2, com dois tentos de Bridges. No replay, 2 a 0 Chelsea, com show de Osgood. Na etapa seguinte os londrinos enfrentaram o Aston Villa, primeiro fora de casa. Mesmo em domínios dos Clarets, o Chelsea foi superior e saiu com a vitória. Boyle Bridges e Tambling marcaram e garantiram a apertada vitória por 3 a 2. Em Londres, bastou um empate em 1 a 1 para garantir a vaga na grande final.
Um time de jovens campeões
A decisão colocou frente a frente o Chelsea e o Leicester, que havia vencido o torneio na temporada anterior. Se o time de Docherty tinha jogadores no auge de sua forma, o Leicester não deixava por menos. Embora não contasse com os craques dos Blues, os Foxes tinham em sua meta o arqueiro Gordon Banks, já o melhor da Inglaterra naquela época e que faria história na Copa do Mundo do ano seguinte.
O primeiro jogo aconteceu no dia 15 de março de 1965, no Stamford Bridge. Jogando em casa e com 20 mil torcedores nas arquibancadas, os londrinos foram para cima e pressionaram desde o início do jogo. Aos 33 minutos os Foxes não aguentaram a fluidez e poder dos Blues, que abriram o placar com Bobby Tambling. Na segunda etapa, o Leicester foi pra cima e logo no primeiro minuto do segundo tempo empatou o jogo, com Colin Appleton.
O Chelsea precisava da vitória e ela pareceu muito próxima quando o capitão Venables marcou, de pênalti, aos 25, o segundo tento dos Blues. Não foi bem assim. Cinco minutos depois, Goodfellow recolocou a igualdade no placar, situação que deixava o Leicester em boas condições para o jogo de volta. Mas, como bem diz o provérbio futebolístico, só acaba quando termina. Com menos de 9 minutos a serem jogados, o lateral Eddie McCreadie teve um daqueles momentos únicos de inspiração. Recebendo a bola perto da própria área, McCreadie a dominou e foi com ela em uma corrida de mais de 50 metros, driblando diversos marcadores pelo caminho antes de empurrar para as redes de Banks e dar números finais ao jogo: 3 a 2.
Apesar da vantagem, o título estava longe de estar decidido. Jogando em seus domínios no dia 5 de abril, o Leicester era praticamente tão forte quanto o Chelsea e só precisaria de um gol para levar o jogo à prorrogação ou de dois para faturar o caneco. A torcida compareceu em peso. Mais de 25 mil pessoas apoiaram os Foxes, que pressionaram, pressionaram e pressionaram, mas não conseguiram furar a retranca do Chelsea e o muro formado por Peter Bonetti. Final de jogo; 0 a 0 e a glória daqueles meninos, outrora desacreditados e agora campeões!
O futuro
Mesmo na briga até o final da Premier League e da FA Cup, o título da Copa da Liga acabou sendo o único daquela temporada e o último de Docherty e seus diamantes originais. Logo depois da conquista a relação entre o técnico e os jogadores já estava um bocado deteriorada. O método durão do treinador causava revolta e a disputa pelo comando, sobretudo com Venables. Ainda no campeonato inglês de 64-65, oito jogadores, incluindo o capitão do time, deixaram a concentração da equipe antes de um jogo contra o Burnley e foram mandados para casa mais cedo. O caso culminou com a saída de Venables no ano seguinte e a consequente desmontagem do time campeão. Em 1967, ainda com Docherty e com alguns jogadores do time campeão em 65, o Chelsea chegou à final da FA Cup e da Fairs Cup, mas não venceu. No início da temporada 67-68, o treinador renunciou ao cargo e decretou o fim de sua época à frente dos Blues e dos diamantes londrinos.
Ficha Técnica
Clube/Seleção: Chelsea
Treinador: Thomas Docherty
Competição: League Cup
Ano: 1964-65
Escalação: Bonetti; Hinton, Harris, Hollins e McCreadie (Young); Boyle, Murray, Graham e Bridges; Venables e Tambling
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