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Leandro Stein - 09/09/2010

Quando são listados os favoritos em qualquer competição europeia, a probabilidade de os islandeses estarem presentes é praticamente nula. Em toda a sua história, a equipe nunca esteve nem perto de se classificar para as fases finais da Eurocopa ou da Copa do Mundo. Nos torneios continentais de base, excetuando-se o antigo formato, no qual não havia qualificação, a primeira vez que o país passou para as etapas decisivas foi no Europeu Sub-17 de 2007. E mesmo depois de deixar para trás Rússia e Portugal, a equipe foi o saco de pancadas da reta final, com três derrotas e dez gols sofridos em apenas três jogos.

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Parte de geração que conseguiu tal feito, no entanto, está pronta para lançar a seleção da Islândia a patamares ainda mais altos. Não houve maior surpresa nas Eliminatórias do Europeu Sub-21 do que a pequena ilha escandinava. Em oito partidas disputadas, foram somente duas derrotas, ambas para a República Tcheca, seleção de melhor aproveitamento na competição. Contando com jogadores de qualidade, como Gylfi Thor Sigurdsson, os islandeses tiveram o melhor ataque dentre os 52 participantes, com 29 gols feitos em 8 partidas.

Os resultados das partidas do Grupo 5 situam ainda melhor o grau de ascensão da pequena seleção. Além dos revezes contra os tchecos, o país fez o dever contra San Marino e Irlanda do Norte, somando quatro vitórias nos quatro confrontos. Somente contra os san-marinenses foram 14 tentos, acumulados em uma goleada por 8 a 0 e em outra por 6 a 0. Os pontos que valeram a classificação, contudo, foram conquistados justamente diante da Alemanha, favorita da chave e que acabou prematuramente eliminada do torneio.

Na partida de ida, disputada em Magdeburg, um empate heroico. Depois de estarem por duas vezes atrás no placar, os islandeses conseguiram igualar o resultado e tirar pontos preciosos dos alemães, que tinham em campo naquele dia jogadores como Badstuber, Gebhart e Howedes. Este, porém, ainda não seria o maior feito do time treinado por Eyjölfur Sverrisson.

No dia 11 de agosto, aconteceu o que foi um dos principais resultados da Islândia em partidas internacionais. Jogando diante de sua torcida, os escandinavos abriram o placar já aos cinco minutos, com Birkir Bjarnason. Os alemães ainda empataram no início da segunda etapa, com Kevin Grosskreutz, mas nem mesmo Tobias Sippel, Mats Hummels ou Lars Bender puderam brecar a seleção da casa. Quatro minutos depois, Sigurdsson desempatou e, logo no lance seguinte, Sigthórsson ampliou. Vindo do banco de reservas, Alfred Finnbogason ainda pôde marcar o gol que sacramentou a vitória e que confirmou o Nationalelf sem mais qualquer chance de classificação.

Do elenco utilizado por Sverrisson, ressalta-se o número de integrantes que já estiveram na seleção principal da Islândia. Ao todo, são 12 jogadores presentes nas Eliminatórias do Europeu Sub-21 que foram convocados recentemente também para o grupo principal. Tal número, além de traduzir a qualidade da geração que está se formando, também facilita o amadurecimento dos atletas. Além de poderem aprender juntos com jogadores mais experientes, ganham mais tempo para treinarem jogadas e se entrosarem para o torneio de base.

Destes, o principal candidato a ídolo da torcida islandesa é o camisa 10 Gylfi Thor Sigurdsson, que há algum tempo é visto com atenção por clubes europeus. O meia de 20 anos está desde 2005 na Inglaterra, levado pelo Reading, e foi um dos destaques da equipe na temporada 2009-10 ao anotar 16 gols e servir 9 assistências na disputa da Championship. Durante a última janela de transferências, acabou rumando ao Hoffenheim, contratado por 5,5 milhões de euros. Antes de liderar o grupo sub-21, Sigurdsson também fizera sucesso com os sub-19. No Europeu de 2008, ajudou o seu time a vencer Bélgica e Romênia, antes de ser eliminado pela Bulgária na fase de elite.

Também presente no Europeu Sub-19 de 2008, Gudmundur Reynir Gunnarsson é mais um que faz sucesso no futebol inglês. O volante é um ícone no Conventry City, clube no qual foi eleito o jogador do ano na temporada 2008-09 e, na seleção principal, já soma 19 participações. Apesar de só ter feito um jogo com o time sub-21 até o momento, deve ser titular nas etapas decisivas.

Ex-clube de Gunnarsson, o AZ Alkmaar, aliás, possui um bom fluxo com o futebol islandês. Um dos artilheiros dos escandinavos no Europeu, o meia Jóhann Berg Guðmundsson está no AZ, assim como o atacante Kolbeinn Sigthórsson, contratado depois de suas boas atuações no Europeu Sub-17 de 2007. Além de Inglaterra e Holanda, há outros jovens atuando na Bélgica, Escócia, Dinamarca e Noruega, o que torna o time de Eyjólfur Sverrisson muito mais experiente para a disputa do torneio continental.

Dentro da própria Islândia, no entanto, há uma base para a seleção sub-21. Seis jogadores do Breidablik, atual vice-líder do campeonato local, integram a equipe nacional de base. Dentre eles o atacante Alfred Finnbogason, o outro goleador do elenco, com cinco gols anotados em seis partidas que disputou.

Para chegarem à sonhada fase final do Campeonato Europeu Sub-21, os islandeses ainda precisam passar por um play-off decisivo. Incluídos no segundo pote desta etapa, podem ter pela frente, dentre outros, Holanda, Itália e a própria República Checa. Depois do que fizeram para se classificar, entretanto, o adversário é o que menos importa. Com os jogadores que estão se formando, o crescimento da seleção local se desenha desde já.



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