Dassler Marques - 27/01/2008
Leia a cobertura completa sobre a Copa São Paulo
Nem só de flores viveu a Copa São Paulo, encerrada na última sexta-feira com o título do Figueirense. Curiosidades, fatos incríveis e outras bizarrices poderão ser conferidas nas linhas abaixo. Além disso, Gustavo Vargas e Mozart Maragno, nossos dois observadores mais atentos, prepararam uma seleção com onze pernas-de-pau dos grandes clubes que disputaram a competição. Sem mais delongas, é hora de descer a lenha.
Ypiranga do Amapá e as indicações obscuras
Não houve qualquer critério técnico que justificasse a indicação do Ypiranga por parte da Federação Amapaense. A distribuição de vagas para a Copinha, já não é de hoje, é um enorme círculo de interesses, dada a importância que as equipes menores dão em participar da competição, aproveitando a chance de expor seu time nacionalmente em muitas oportunidades.
No Amapá, como em outros lugares, a indicação gerou revoltas. Há um detalhe, contudo, que dá muito pano pra manga, embora teoricamente não signifique nada. Edinho Duarte, presidente ypiranguista, é deputado, assim como Roberto Góes, maior autoridade na Federação Amapaense. Ser indicado, porém, não valeu de muito. Em três jogos, os atletas selecionados pelo clube em uma peneira em praça pública sofreram 25 gols e fizeram só um.
E, contra o Flamengo, houve ainda um outro fato inusitado. Jussan, zagueiro ypiranguista, perdeu a cabeça após o 11º gol flamenguista na mesma partida. Irritado, atirou a bola no árbitro e obviamente foi expulso.
O biônico de Hortolândia
Quando o SEV se mudou de Votuporanga para Hortolândia, no último ano, um site paulista conhecido por sua ética e decoro questionáveis, resolveu passar a chamar a equipe de SEV/Biônico, julgando inadequada a sua manutenção na série A-3 do corrente Campeonato Paulista.
A história ganhou ainda mais repercussão quando um desatento estagiário da Federação Paulista, ao reproduzir uma notícia procedente do referido site, repetiu, erradamente, o nome SEV/Biônico. Naturalmente, foi demitido logo depois. E, ao longo da Copinha, muita gente caiu na história do tal site, fonte habitual de consulta para jornalistas bons e ruins.
O SEV/Biônico foi pegadinha para praticamente todos os meios de imprensa que rádio e TV que cobriram a competição. Em razão da desatenção de uns e da incoerência de outro, o SEV/Hortolândia, por alguns dias, se transformou em SEV/Biônico.
Médico emprestado
Na delegação que veio de Feira de Santana, com o Fluminense, não havia um médico. Por isso, em prática que se tornou comum, os jogadores baianos precisaram usufruir dos serviços do especialista do Barueri. Só não contavam com problemas estomacais e outras mazelas que fizeram com que praticamente todos os titulares, em diferentes momentos, precisassem ser atendidos pelo voluntarioso Doutor Danilo, que ainda gordinho, mostrou disposição para cuidar dos atletas adversários.
Por falar em médico, quem esteve presente no Nicolau Alayon, na final, pôde conferir a inusitada doutora do Figueirense. Vestida a caráter, com jaleco e tudo, a moça arrancava gargalhadas da torcida a cada atendimento em campo. Antes de chegar ao jogador machucado, a médica perdia um razoável tempo ajeitando seus longos cabelos loiros.
Família Futebol Paulista
Como já é de praxe nos torneios organizados pela Federação Paulista, os ridículos bonecos cabeçudos que compõem a “Família Futebol Paulista” estiveram lamentavelmente presentes ao Nicolau Alayon na final da Copa São Paulo. Visando impor uma lavagem cerebral aos torcedores, a FPF ainda tocava insistentemente o seu hino de péssimo gosto.
Ainda sobre os bastidores, informações extra-oficiais deram conta de que Juan Figer, conhecido empresário de futebol, esteve no estádio do Nacional com um Porsche emplacado em Montevidéu.
Feira em Americana
Destaque da Copa São Paulo, o forte e insinuante time do Rio Branco, antes mesmo de começar a Copinha, já tinha mais de meio time negociado. Edison Fassina comprou parte dos direitos de Felipe, enquanto Delcir Sonda comprou simplesmente cinco atletas do Tigrinho.
Já no Figueirense, há uma empresa de capital fechado com 12 sócios que administra a carreira dos jogadores da equipe júnior. Entretanto, os atletas são ainda pertencentes ao clube.
0x0?
Ao todo foram disputadas, nessa Copinha, 194 partidas. E acreditem! Em todo torneio, só três 0x0, dois deles na fase mata-mata, com Ponte e Bahia e São Carlos e Cruzeiro. Ainda na primeira fase, ABC e Barra do Garças-MT inauguraram esse grupo especial.
PAEC na TVG
Falar em incentivo ao esporte é algo bastante cotidiano na programação esportiva da TV Globo, assim como de outros meios de comunicação. Entretanto, quando surgem interessados em canalizar suas marcas através do futebol, por exemplo, a recíproca não é verdadeira.
O Pão de Açúcar, além de ser um supermercado de amplitude nacional, investe no futebol de base há poucos anos, com um projeto de raízes sociais, também. Ao longo da Copinha, porém, a TV Globo, que poderia ser chamada por nós de TVG ou TV Jardim Botânico, optou por chamar a equipe por PAEC, sigla do clube, que abrigou a seleção brasileira na preparação para o último jogo das Eliminatórias, diante do Uruguai. Houve, ainda, quem chamasse o Pão de Açúcar por Embu das Artes, onde está localizado. Como se vê, a prática é diferente do discurso hipócrita.
Piauí
O Piauí, curiosamente apelidado por Enxuga Rato, teve uma passagem rápida pela Copa São Paulo de 2008. O plantel responsável por essa campanha, porém, foi montado às pressas, devido ao rompimento da parceria que o time havia firmado com a empresa Anjobol. Ela colocou à disposição da equipe toda a sua estrutura num dia, com técnico e até mesmo suas promessas, para, no outro, retomá-la por causa de um imbróglio envolvendo o adiamento da decisão da Copa do Piauí pela Federação Piauiense.
Americano do Maranhão
Entre os 88 participantes da Copinha, foi o Americano um dos que mais proporcionou histórias cômicas. Além de um jogador sul-coreano chamado Dudu, os maranhenses também tinham Marquinhos, que segundo o Sportv, carregava entre a canela e a meia um pedaço de couro que foi lhe dado por um andarilho, com o intuito de dar sorte. O atacante, porém, não teve sucesso. O time de Bacabal sofreu seis gols já na estréia e ficou pelo caminho na primeira fase.
Limão com maizena
Todos sabem que o Rio Branco de Americana, nesta edição, foi uma das grandes sensações. Às vésperas do jogo contra o Criciúma, válido pela terceira rodada do torneio, porém, quase que o Tigrinho foi batido...pela dor de barriga! Dez jogadores e membros da comissão técnica foram atingidos por uma forte virose, daquelas de mandar todo mundo pro banheiro. Só mesmo a receita tradicional do suco de limão com maizena para dar jeito. A equipe paulista venceu o jogo por 5 x 3.
Tabela de véspera
Sempre falada por ter vários erros de organização, a Copa São Paulo, ao longo da fase de mata-mata, proporcionou confusão na cabeça dos torcedores. A decisão de onde seriam os jogos, quase sempre, pintava antes da hora. Americana e Araraquara, por exemplo, visavam sediar o jogo entre Rio Branco e Ferroviária na fase de 16 avos. A briga terminou com a indicação de que o Tigrinho jogaria em casa. Pior para a Ferrinha que já pintava as arquibancadas da Fonte Luminosa.
Outro fato inusitado ocorreu às vésperas da final. Visivelmente decepcionada por ver Santos, Palmeiras e Corinthians sem condições de chegar à final, a Federação Paulista definiu que a final só seria no Morumbi caso o São Paulo vencesse o Figueirense. Doce ilusão! O Figueira bateu o tricolor, quarto time paulista eliminado por ele, e foi à final, então remarcada para o Nicolau Alayon.
Renan Futebol Clube
Renan (Ypiranga-AP); Diego Renan (Cruzeiro-MG), Renan (Flamengo-SP) e Renan (Mogi Mirim); Renan (Barra do Garças-MT), Renan (Palmeiras-SP), Renan (Flamengo-RJ), Renan (Lemense-SP) e Renan (Juventude-RS); Renan (Atlético-MG). Faltou só um Renan.
Seleção perna-de-pau da Copa São Paulo
Além de bons jogadores, o Olheiros também aponta nomes decepcionantes e com poucas chances de vingar profissionalmente.
Marcelo (Flamengo); Portela (Palmeiras), Paulo (São Paulo), Ricardo (Santos) e Luis Gustavo (Atlético/MG); Gustavo (Atlético-MG), Carlos Magno (Cruzeiro), Bruno Garrido (Palmeiras) e Alex (Palmeiras); Asprilla (Corinthians) e Willian (Vasco).
Colaboraram: Gustavo Vargas, Mozart Maragno, Marcus Alves e Maurício Vargas
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