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Sul-Americano Sub-20 - Grupo B

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Equipe Olheiros.net - 16/01/2011

De um lado a Argentina é favorita. Do outro, é claro que é o Brasil. Mesmo sendo favorito na chave B, a seleção vai ter concorrência de peso. Paraguai e Colômbia vem para o Sul-Americano com bons times e prometem briga dura contra os brasileiros. Confira a análise do grupo B do Sul-Americano Sub-20.

>>> Saiba como está o grupo A da competição
>>> Confira a Tabela da competição
>>> Veja quem são os escolhidos de Ney Franco

GRUPO  B

Brasil

Pouco levado em conta nos últimos anos, o Sul-Americano Sub-20 ganhou contornos de Copa do Mundo desde que Mano Menezes assumiu a seleção brasileira e designou Ney Franco para liderar um projeto que se anuncia ambicioso na busca pelo inédito ouro olímpico. Ney teve respaldo suficiente para realizar um amplo período de preparação na Granja Comary, em Teresópolis, e recebeu autonomia para fazer escolhas que seus antecessores não podiam.

Uma delas, por exemplo, foi o fim da regra de convocar apenas dois jogadores por clube. Com a contratação confirmada de Willian José, do Grêmio Prudente, o São Paulo terá cinco atletas entre os 20 de Ney Franco: Bruno Uvini, Casemiro, Lucas e Henrique. Seriam seis não fosse o corte de Lucas Gaúcho. Além dele, não seguem para o Peru o goleiro Mílton Raphael (Botafogo), o zagueiro Alan (Vitória), o volante e meia João Pedro (Palermo) e, justamente, Phillipe Coutinho (Inter de Milão).

Maior desfalque da seleção sub-20 e com problemas físicos, Coutinho não joga desde o fim de novembro, o que lhe impediu até de se apresentar a Ney Franco. A ausência do jovem prodígio abre espaço para o são-paulino Lucas, de quem se espera um grande ano de 2011. Até por lhe oferecer a titularidade, o corte do ex-vascaíno não foi considerado trágico para as pretensões brasileiras de tricampeonato no Sul-Americano.

Mesmo abdicando de dois jogadores do exterior, Ney Franco ainda terá Zé Eduardo, do Parma, como representante internacional na seleção sub-20. É importante salientar que, há dois anos, Rogério Lourenço só chamou atletas que atuavam no Brasil. E que, em 2007, Nelson Rodrigues teve desfalques importantes como Marcelo, do Real Madrid, e Denílson, do Arsenal. Ney teve respaldo máximo para levar 100% de força das gerações /91 e /92 ao Peru.

Destaque do time

A maior estrela da companhia certamente será Neymar, a quem muitos olhares, inclusive de Mano Menezes, irão recair durante a competição no Peru. Preparado para o protagonismo nos Jogos de Londres em 2012 e na Copa de 2014, ele foi liberado e tem a missão de conduzir o Brasil depois de marcar 42 gols com o Santos no ano passado e estrear, também com gol, pela seleção adulta. Confortável, ele deve jogar à esquerda de uma linha de três armadores. O time base é Gabriel, Danilo, Bruno Uvini, Juan e Alex Sandro; Zé Eduardo e Casemiro; Lucas, Oscar e Neymar; Henrique. (Dassler Marques)

Paraguai 

Vice-campeão em 2009, quando revelou o poderoso trio de ataque Ramírez-Santander-Pérez, o Paraguai chega demandando um pouco mais de respeito após surgir sem muita expectativa e exibir ótimo futebol na Venezuela, classificando-se para o Mundial. O argentino Adrian Coria segue no comando da equipe, e tem a seu favor o amplo diálogo com a comissão técnica da seleção principal.

A missão, porém, não será fácil. Coria foi castigado pela ausência do principal jogador da equipe. Frederico Santander, atacante remanescente da campanha de 2009 no Sul-Americano e no Mundial, não foi liberado pelo Toulouse, da França, e fará muita falta. Rodrigo Alborno, meia de 17 anos do Libertad, lesionou-se e acabou cortado. Além disso, os paraguaios perderam de vez o braço de ferro com os argentinos por Juan Iturbe, que cairia como uma luva no time.

Ainda assim, o treinador está confiante. “O grupo está bem, concentrado no que cada um deve fazer. Contamos com jogadores de qualidade e nomes que podem ser trocados sem queda de qualidade para o time titular”, analisou.

Uma boa estreia logo contra o Brasil será fundamental nas pretensões guaranis, já que um bom resultado daria mais tranquilidade aos garotos, ao passo que uma derrota aumentaria a pressão por resultados nos jogos posteriores. O grupo é mais equilibrado que o A, e a briga pela vaga com Colômbia e Equador promete ser emocionante.

A seleção se preparou por duas semanas em Assunção antes da viagem para o Peru. Da lista inicial de 28 nomes, 20 foram escolhidos por Coria. Durante os treinamentos, um empate sem gols contra a Argentina em amistoso e alguns jogos-treino contra times locais, mas sem acesso à imprensa, o que dificulta até mesmo a busca por informações sobre o andamento dos trabalhos. Contudo, o estilo de jogo paraguaio não deverá ser alterado do que lhe é peculiar: defesa sólida, contra ataque veloz e bola para o centroavante.

A base da equipe é formada por atletas de Libertad e Olímpia – seis e quatro jogadores, respectivamente. De fora do país não há ninguém, ou há: apenas se considerarmos o atacante Miguel Medina como atleta da Udinese, mas enquanto não completar 18 anos o garoto continua no Sport Colombia. Rúben Escobar, único remanescente de 2009 após o corte de Santander, será o goleiro titular.

O destaque do time

Ele estreou nos profissionais aos 16 anos e, aos 17, já disputará um Sul-Americano Sub-20 com status de estrela da companhia. Miguel Medina é considerado a principal joia paraguaia do momento. Descoberto no modestíssimo Sport Colombia, viu uma imensa briga ser travada entre diversos clubes, até que acertou com a Udinese, para onde rumará ao completar 18 anos. Atacante veloz com faro de gol, é conhecido por sua habilidade em desembrulhar as defesas adversárias. (Maurício Vargas) 

Bolívia

Um dos únicos dois países do continente que nunca se classificou a um Mundial Sub-20, a Bolívia precisará de muito empenho para quebrar o tabu neste Sul-Americano. A federação local demorou a se planejar para a competição e somente no fim de outubro é que nomeou o técnico da equipe. Com a recusa de Óscar Villegas, o ex-zagueiro Marco Sandy foi escolhido. Apesar de ser o atleta com maior número de jogos pela seleção boliviana, Sandy possui pouca experiência como treinador, tendo exercido a função apenas como interino. 

Contudo, as confusões chamaram mais atenção do que os resultados durante a preparação. Claramente beneficiados pela arbitragem contra Colômbia e Uruguai, os bolivianos preferiram abrir mão do terceiro lugar no Hexagonal de Santa Cruz de la Sierra. Após cinco gols paraguaios anulados, Sandy ordenou que sua equipe desperdiçasse um pênalti inexistente. Um mês depois, no Hexagonal de Córdoba, foi a vez de os argentinos precisarem de 13 minutos de acréscimo e de um penal duvidoso para baterem a La Verde. Após a partida, vieram à tona suspeitas sobre o envolvimento do árbitro com máfias de apostas.

Independentemente das falcatruas, os bolivianos apresentaram uma clara desvantagem física em relação aos adversários. A seleção encontrou dificuldades até mesmo em amistosos contra equipes locais. E, como problema pouco é bobagem, o treinador ainda tem que lidar com várias ausências importantes. Romel Quiñones, goleiro titular do Bolívar, e Diego Suárez, badaladíssimo meio-campo do Dínamo de Kiev, foram cortados por atrasos na apresentação. Com o braço fraturado, o meia Amílkar Sánchez, convocado para a seleção principal em outubro, foi barrado pelos médicos. Já Samuel Galindo, que pertence ao Arsenal, não foi lembrado nenhuma vez mesmo sendo o mais renomado entre os selecionáveis - recaem suspeitas sobre a adulteração de sua idade.

Dos 20 escolhidos por Sandy, seis estiveram no Sul-Americano Sub-17 de 2009 e, destes, três no último Sul-Americano Sub-20, com destaque para o zagueiro Jorge Toco, do Oriente Petrolero. Dezessete jogadores, aliás, defendem clubes da Liga Boliviana. Alejandro Chumacero, ídolo no The Strongest, é o principal deles. O único a atuar fora do país é o centroavante Reyes Antelo, do Rosário Central. Alto (1,87m) e veloz, Antelo forma boa dupla de ataque com Jhon Carinao. Em uma formação 3-4-1-2, ambos são municiados pelo camisa 10 Gianakis Suárez, que defende o  Jorge Wilstermann.

Destaque do time 

Com o elenco boliviano seriamente desfalcado, em sua maioria por jogadores do meio-campo, Chumacero torna-se quase um oásis. Sem um parceiro à altura, é ele quem dita o ritmo do time, equilibrando a transição entre defesa e ataque. O ágil volante de 19 anos ainda assume a liderança do grupo, portando a braçadeira de capitão. Um dos principais atletas do The Strongest desde 2009, “Chuma” já esteve inclusive com a seleção principal, convidado para os treinamentos na reta final das Eliminatórias para a Copa de 2010. (Leandro Stein)

  
Colômbia 
 
Ou vai ou racha. Não há meio termo para a Colômbia no Sul-Americano. A equipe, por ser sede, já está garantida no Mundial Sub-20, ou seja, o Sul-Americano vale apenas se for para vaga nas Olimpíadas. E as chances colombianas são bem maiores do que se poderia esperar. O time vem arrumado e entrosado, com sete atletas que fizeram parte da ótima campanha da Colômbia no Mundial Sub-17 de 2009, quando a equipe, dirigida por Ramiro Viáfara, ficou em quarto lugar.
 
Além disso, a Colômbia fez uma extensa preparação para o torneio, com vice-campeonato no hexagonal de Santa Cruz de La Sierra, participação discreta no de Córdoba, e vitória em Quadrangular disputado no Peru. Neste último, a Colômbia Sub-20 superou Peru, Estados Unidos e Paraguai para se sagrar campeã e ganhar mais confiança para tentar mais esta conquista.
 
A expectativa da torcida colombiana é até maior que os prognósticos para o time, de forma que essa seleção já é vista com quase o mesmo respeito da de 2005, que foi campeã do Sul-Americano. No banco, o técnico era o mesmo deste ano; Eduardo Lara, que foi treinador da seleção principal nas eliminatórias para a Copa do Mundo 2010. Por tudo isso, a Colômbia chega ao torneio do Peru com uma condição até certo ponto diferente dos últimos tempos, a de favorita e candidata do título.

E olha que a seleção colombiana poderia ser ainda mais forte. Isso porque os jogadores James Rodríguez, do Porto, de Portugal, e Luis Fernando Muriel, do Granada, da Espanha, não foram liberados por seus clubes, além do goleiro Mosquera, cortado há poucos dias da disputa por causa de uma contusão. Mesmo assim, a equipe conta com bons nomes desta geração, como o meia goleador Edwin Cardona e Michael Ortega, que atua nos profissionais do Atlas, do México. 
O destaque do time

Embora Cardona tenha sido o jogador mais importante dessa geração, atualmente Michael Ortega é quem faz e acontece nos cafeteros. Na temporada 2009-10 ele fez sua estreia no time profissional do Deportivo Cali e não decepcionou. Depois de boas atuações com a camisa da equipe colombiana, Ortega se transferiu em julho de 2010 para o Atlas, do México. No Sul-Americano, o meia armador de 1,70m, dribles rápidos e verticalidade constante deve ser um dos grandes trunfos da Colômbia para tentar a vaga nos Jogos Olímpicos. (Gabriel Dudziak)

Equador  
 
Surpreender é a palavra de ordem para o Equador neste Sul-Americano. Apesar de em tese ter menos força que os adversários mais badalados, o discurso de La Tri é bastante otimista. De acordo com o técnico Sixto Vizuete, que foi ouro no Pan-Americano de 2007, comandando a seleção juvenil equatoriana, "a intenção é ficar com o título e ganhar uma vaga nos Jogos Olímpicos". Simples assim. Por causa dessa confiança toda, Vizuete diz que o Equador jogará de igual para igual com as demais equipes.

O tiro pode sair pela culatra, uma vez que jogar de igual pra igual significa foco nos três setores do campo e, pelo que foi possível observar na preparação equatoriana, a defesa de La Tri é bastante fraca. Assim, o mote da equipe deverá ser "fazer mais gols do que tomar". Nesse sentido os equatorianos pelo menos tem um motivo para se alegrar. Se lá atrás as coisas não vão bem, na frente o time é bastante forte.

Entre os convocados para o setor estão nomes como Edson Montaño, que joga no futebol belga, Walter Chalá, recém-contratado pelo Rubin Kazan, da Rússia, e Marlon de Jesús, com passagens pela base do River Plate e do Grêmio, e hoje no El Nacional. No setor de criação há ainda o meia Juan Cazares, hoje no River Plate da Argentina. O sonho desses garotos é repetir 2001, ano em que o Equador ficou na quarta posição e foi a seu único Mundial Sub-20, e apagar a campanha do último Sul-Americano, quando ficou em quarto lugar na sua chave, empatado em número de pontos com os demais, mas fora por causa do baixo saldo de gols. Discursos inflados à parte, o fato é que uma classificação para o Hexagonal do torneio já seria bastante para a equipe.

Destaque do time

Embora seja dúvida para a estreia por causa de uma contusão, o centroavante Marlon de Jesús é o grande nome do Equador. Depois de se destacar na base do El Nacional, Marlon chegou a defender o River Plate e o Grêmio de Porto Alegre, mas não teve muito sucesso. Na mesma época, apesar de ser dois anos mais novo que os demais, fez parte da equipe Sub-20 de La Tri na disputa do Sul-Americano da categoria. Com 1,86m, faro de gol e experiência de sobra, caberá a de Jesús manter sua equipe viva na luta pela classificação ao Mundial. (Gabriel Dudziak)



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