Lincoln Chaves - 21/01/2011
Os dois únicos times com 100% de aproveitamento no Sul-Americano Sub-20 são justamente aqueles mais aguardados: Brasil e Argentina. No entanto, se já não foi fácil passarem ilesos na estreia, foi ainda mais complicado para a dupla chegar aos seis pontos e encaminhar a vaga para o hexagonal final. Os argentinos sofreram e por pouco não deixaram Arequipa derrotados pelo Peru. Já os brasileiros, no jogo que fechou a rodada, encontraram dificuldades com a marcação e a velocidade da boa equipe colombiana, mas conseguiram a vitória após um ótimo começo de segundo tempo e um gol salvador de Neymar, quando o empate cafetero esteve realmente próximo.
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Desfalcada de Henrique, Zé Eduardo e do próprio técnico Ney Franco, a seleção foi a campo de forma diferente à partida ante o Paraguai. O time foi postado com Fernando e Casemiro na volância, Lucas atuando como meia de ligação e três atacantes, com William José mais centralizado, Neymar caindo pela esquerda e Diego Maurício pela direita. A Colômbia, por sua vez, começou o jogo marcando forte já no campo brasileiro, com os atacantes Andres Escobar e Fabián Castillo, e o meia Edwin Cardona, que a todo instante se juntava à dupla.
Jogando pela direita, Castillo foi o homem mais acionado do time colombiano no começo do primeiro tempo, obrigando Alex Sandro a permanecer mais à defesa e menos no apoio ao ataque, que é seu forte. Passados cerca de 30 minutos, os colombianos recuaram a marcação para a própria metade do campo, preenchendo o meio e complicando a armação brasileira, com Lucas e mesmo Neymar, que passou a buscar jogo atrás. À frente, Diego Maurício ainda aparecia, mas William não conseguia se desmarcar. Nisso, a aposta do time de Eduardo Lara passou a ser Cardona, que puxava os contra-ataques e encabeçava as bolas paradas.
O começo do segundo tempo dava a entender que o jogo seria diferente. E foi. Logo aos 3 minutos, em contra-ataque puxado por Neymar, William José deu belo chute de fora da área, mas a bola foi no travessão. Na continuação do lance, Lucas achou Casemiro invadindo a área e, de calcanhar, deixou o volante na cara do gol, mas a bola não entrou. E a melhora brasileira logo deu resultado. Aos 10 minutos, Diego Maurício ganhou a bola na força pela direita e cruzou. Por trás da defesa, Casemiro - de novo ele, que já vinha sendo um leão na contenção no meio-campo - apareceu e, de cabeça, mandou para as redes.
O gol começou a abrir a Colômbia e, consequentemente, permitiu que o Brasil crescesse. Pouco depois, aos 17, foi a vez de Lucas fazer bonita jogada pela direita, invadir a área e cruzar rasteiro para William José fazer o segundo gol. Só que o impacto do novo tento quase não foi sentido: aos 18, Cardona foi derrubado por Bruno Uvini na grande área. O próprio bateu e recolocou os Cafeteros na partida, animando a equipe de Eduardo Lara, que voltou a apostar na velocidade de Escobar e Castillo. Principalmente pelo lado defendido por Danilo, por onde o ataque colombiano cresceu de forma preocupante à seleção.
O crescimento cafetero acuou o Brasil, que buscou reconquistar o meio-campo com a entrada de Alan Patrick no lugar de Diego Maurício. Apesar disso, a Colômbia seguia melhor e parecia mais próxima do gol. Porém, com os rivais vindo para cima cada vez mais empolgados, o campo voltou a ficar aberto aos brasileiros. E em contra-ataque novamente pela direita, iniciado por Alan Patrick, William José inverteu a bola para Neymar, que mais uma vez foi decisivo. O craque santista invadiu a área, passou por Franco e chutou firme, de esquerda, para garantir mais três pontos - muito mais suados que ante os paraguaios.
Trancos e barrancos
Tal qual ante o Uruguai, a Argentina voltou a jogar aquém do que a história de suas equipes de formação relata. A vitória por 2 a 1 sobre o Peru se deu mais pela superioridade técnica albiceleste e a falta de eficiência e equilíbrio dos donos da casa, que levaram quase 25 mil pessoas ao estádio em Arequipa, do que por uma grande exibição. Rogélio Funes Mori inaugurou o placar logo aos 2 minutos, em enorme bobeada da defesa. Mas mesmo à frente no placar, os argentinos encontravam dificuldades, dando espaço aos ataques da blanquiroja, que defendia com três zagueiros e com isso, dava liberdade a seus homens de meio.
Os ataques, porém, eram feitos de forma descontrolada pelos comandados de Gustavo Ferrín. Fato que não passou despercebido pela mídia local, que disparou contra a falta de controle da equipe, especialmente pelo espaço que era deixado pelos rivais. O jornal El Bocón resumiu: "Se o futebol fosse jogado sem traves, os peruanos seriam campeões mundiais". Por sua vez, após o confronto, o meia do León de Huánuco, Jean Ferrari, em entrevista à uma emissora do país, lamentou: "Parece que a única coisa que interessa ao time é atacar, mas a impressão é de que não o sabem fazer".
A equipe da casa até chegou a um justo empate, em cabeçada do zagueiro Alexander Callens, aos 25 minutos do segundo tempo. Mas não soube administrar o momento positivo, principalmente após a expulsão de Nicolás Tagliafico. Walter Pezarro, então, mexeu na equipe e colocou-a com três zagueiros, mandando a campo, ainda, um volante (Rodrigo Battaglia) e o meia Bruno Zuculini. As mudanças deram resultado, e, mesmo com um a menos, a albiceleste se mostrou mais equilibrada. Coube, então, ao próprio Zuculini, após lance de Funes Mori, assinalar o gol da vitória aos 39 minutos da etapa final.
Curiosamente mais equilibrada, a Argentina de Walter Perazzo conseguiu retomar a liderança do marcador a seis minutos do final, com Bruno Zuculini, que entrou bem na partida. Mais três pontos, novamente suados, na conta dos hermanos, que com seis na tabela, já superam o fracasso de 2009, quando caíram na primeira fase do Sul-Americano. Os peruanos, por sua vez, têm mais dois jogos para buscar uma vaga, cada dia mais difícil, no hexagonal final.
Uruguai decepciona, Paraguai se recupera
Pesa a favor dos donos da casa o fato de que o Uruguai, um dos potenciais favoritos do grupo, decepcionou mais uma vez. Após a derrota para os argentinos, os charruás ficaram no 1 a 1 com a Venezuela, que debutava no torneio. A Vinotinto começou mais ativa no ataque e, com justiça, abriu o marcador aos 20 minutos com José Reyes, após jogada de Yohandry Orozco e aproveitando falha do irregular goleiro Da Silva. Este último, aliás, vinha sendo responsável por puxar os contra-ataques venezuelanos, que ao longo da primeira etapa, conseguiram administrar bem o resultado favorável.
O Uruguai cresceu no começo da segunda etapa e chegou ao empate com Federico Rodríguez, logo aos 12 minutos. O tento, porém, acordou a Venezuela, que conseguiu equilibrar as ações e intercalar ataques com os charruás. No entanto, apesar da disposição de ambas as equipes, que passaram a atuar mais pela empolgação do que propriamente em uma organização tática, o empate acabou prevalecendo. Se para os venezuelanos o resultado não foi de todo ruim, por ter sido a estreia do time, à Celeste o placar preocupa: é apenas o primeiro ponto, em seis possíveis.
Já o Paraguai, que chegou a assustar o Brasil na estreia, não teve trabalho ante a Bolívia e somou seus três primeiros pontos. Vitória que veio após uma partida de baixíssimo nível técnico. Depois de um bom começo, a albiroja cedeu espaço a avanços dos comandados do ex-zagueiro Marco Sandy, até encontrar o primeiro gol com o camisa 10 Iván Torres. Um golaço, aliás, de fora da área, aos 23 minutos. O tento fez com que os paraguaios recuperassem a concentração e passassem a sufocar os rivais, com os avanços de Torres e Diogo Benítez. Alejandro Chumacero, perdido entre organizar o contra-ataque e ajudar uma defesa confusa, nada fez.
Durante a segunda etapa, os guaranís colocaram-se ainda mais no campo adversário, mas abusaram de perder gols e acabaram se acomodando. Com a Bolívia sem recursos ou condições de reagir, a partida caiu verginosamente de rendimento, sem lances de maior perigo. Enquanto os paraguaios, apesar do placar magro, respiram aliviados com o primeiro triunfo, a La Verde confirma as expectativas: é o time menos ameaçador da chave B, e paga pela má preparação para o torneio.
RESULTADOS DA RODADA
GRUPO A
Peru 1x2 Argentina (Callans | Funes Mori, Zuculini)
Uruguai 1x1 Venezuela (Rodríguez | Reyes)
GRUPO B
Paraguai 1x0 Bolívia (Torres)
Brasil 3x1 Colômbia (Casemiro, William José, Neymar | Cardona)
O JOGO DA RODADA
Brasil 3x1 Colômbia
Gols
Casemiro, aos 9 minutos, Wllian José, aos 17 minutos, Cardona, aos 19 minutos e Neymar, aos 41 minutos do segundo tempo.
Brasil
Gabriel, Danilo (Galhardo), Bruno Uvini, Juan e Alex Sandro; Casemiro (Oscar), Fernando e Lucas; Neymar, William José e Diego Maurício (Alan Patrick).
Treinador: Moacir Pereira (Ney Franco fora expulso no jogo anterior)
Colômbia
Mosquera, Arias, Franco, Saiz e Viáfara; Cardona (Ortega), Miguel (Mendoza), Cabezas e Calle; Castillo e Escobar.
Treinador: Eduardo Lara
Local: Estádio Modelo, em Tacna
Árbitro: Darío Ubriaco (Uruguai)
Cartões amarelos: Cardona, Franco, Cabezas (Colômbia); Gabriel (Brasil).
O MELHOR DA RODADA
Casemiro (Brasil)
AS NOTAS DO BRASIL
Gabriel - 5,5
Danilo - 5
Galhardo - Sem nota
Bruno Uvini - 5
Juan - 5,5
Alex Sandro - 6
Casemiro - 7
Oscar - Sem nota
Fernando - 6
Lucas - 6,5
Neymar - 7
William José - 6,5
Diego Maurício - 6
Alan Patrick - 6
PRÓXIMOS JOGOS
22/01 - Chile x Uruguai
22/01 - Argentina x Venezuela
23/01 - Equador x Paraguai
23/01 - Brasil x Bolívia
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