Leandro Stein - 22/01/2011
Pode-se dizer que o Sul-Americano Sub-20 é o encerramento de um ciclo entre os prodígios do continente. Afinal, a competição é uma espécie de teste final para toda a geração de jogadores nascidos em 1992. Processo iniciado em 2007, com o Sul-Americano Sub-15 disputado no Brasil e que, neste intervalo, ainda contou com o torneio sub-17 de 2009, sediado no Chile.
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No entanto, poucos são aqueles que perseveraram na elite do futebol de base sul-americano. Ao todo, são 24 “formandos”. Atletas que integram as seleções de base desde os 15 anos de idade e que mantiveram o alto nível a ponto de serem convocados também para os elencos sub-20 mais de três anos depois. Quando se considera também os que participaram do Sul-Americano Sub-17, este número é ainda mais escasso: somente 20 garotos estiveram presentes nos três campeonatos.
Logicamente, as carreiras de muitas destas promessas passaram por metamorfoses. Alguns se tornaram protagonistas. Outros ainda hoje não cumpriram as expectativas criadas ainda na adolescência. A fim de descobrir em que ritmo caminharam estes jogadores, analisamos a evolução de cada um no período. E, para completar, ainda fomos atrás das principais ausências em relação a 2007, como Philippe Coutinho, craque do sub-15 que deixou de atestar a sua qualidade no Peru.
Graduados com honras
O Sul-Americano Sub-15 de 2007 contou com um quadrangular final para definir o seu campeão. Disputando contra Argentina, Uruguai e Chile, o Brasil se deu melhor apenas no saldo de gols. Curiosamente, a conquista só foi possibilitada por uma vitória dos rivais albicelestes sobre os uruguaios. Apenas um jogador, entretanto, pode contar a história incrível na concentração canarinho. O volante Fernando é o único que restou daquele grupo.
Dono da camisa 5, o volante não foi titular apenas na última partida do time de Jorge Silveira. Bastante esforçado em campo, não impressionou, mas permaneceu na seleção para o Sul-Americano Sub-17. Depois disso, só foi lembrado quando Luiz Verdini assumiu o cargo de técnico, já considerado uma das grandes revelações do Grêmio em 2010. Contudo, apesar das qualidades, ainda é coadjuvante no elenco de Ney Franco.
Vice-campeões, os atletas do Uruguai ocupam papel mais relevante em sua equipe atualmente. Diego Polenta se mantém o mesmo zagueiro seguro observado no Rio Grande do Sul. Líder do time, é o responsável pelas bolas paradas, como visto contra a Argentina. Antigo 10, Sebastián Gallegos não é mais o dono do meio-de-campo. Porém, o atleta do Atlético de Madrid se coloca como importante substituto. Além dele, permanecem no banco o goleiro Salvador Ichazo e o meia Nicolás Prieto.
Quem ganhou moral em relação ao ano de 2007 foi o argentino Nicolás Tagliafico. Reserva na maior parte do tempo no sub-15, hoje faz parte do 11 inicial de Walter Perazzo. Zagueiro de qualidade, defende o Banfield e esteve no Mundial da Nigéria em 2009. Além dele, Adrián Martínez, do San Lorenzo, é outro velho de guerra. Martínez, aliás, é um dos quatro que estão no sub-20 mesmo ficando de fora do torneio sub-17 da Conmebol. Situação semelhante à vivida pelo chileno Claudio Santis. O goleiro reserva é o representante solitário da dinastia Roja.
Galera do fundão
Dentre os eliminados na primeira fase em 2007, a Bolívia é quem continua mais fiel ao passado. Quase um terço do time esteve no Brasil na época de sub-15. Jorge Toco e Alejandro Mendéz preservam o entrosamento no miolo de zaga, enquanto Ballivián e Borda tentam cavar seus lugares entre os titulares. No banco permanecem Torrico e o goleiro Lusquiño, este sem mais a preocupação de buscar tantas bolas nas redes.
O Equador é outro que conserva base forte. Dennys Quiñonez é o mesmo homem de proteção da defesa de três anos atrás, agora amadurecido pelas atuações no Barcelona de Guyaquil. Edder Fuertes faz o repeteco no meio-campo titular. Jonathan De La Cruz, por sua vez, não é mais o arrojado meia de outrora. Dúvida por causa de uma lesão, o jogador da Universidad Católica só foi incluído após a saída de Carlos Alava, outro velho companheiro de base.
Entre os peruanos, o nome da promessa é o mesmo: Joazhiño Arroé. Atuando no futebol europeu desde junho de 2007, levado pelo Siena, ele não estava em suas melhores condições no Sul-Americano Sub-15 e, mesmo assim, fez bom papel. Negociado com a Internazionale, nem titular Joazhiño é mais. Ao seu lado, Renato Zapata, relacionado apenas em duas partidas no Sub-15, também esquenta o banco.
Já a Venezuela não se deu ao trabalho de tirar a camisa 1 do arqueiro Eduardo Lima. Ao menos Carlos Suárez e Carlos Rivero trocaram os fardamentos 17 e 15 pelos 5 e 6. Além de números mais bem cotados, o volante e o lateral esquerdo começaram como titulares na competição sediada no Peru.
Paraguaios e colombianos optaram por apenas um remanescente. Pelos guaranis, Fernando Acuña passou da lateral direita à reserva. Já Juan Camilo Saiz ainda goza de certa confiança de Eduardo Lara. Contra o Brasil de Ney Franco, o beque com passagem pelo Argentinos Juniors iniciou a partida em campo.
Os repetentes da turma
Se a lista de formando é seleta, a de jogadores que participaram do Sul-Americano Sub-15 e nem foram lembrados para o sub-20 é bastante extensa. Afinal, dos 200 atletas presentes no Rio Grande do Sul, 176 deles foram reprovados, 88% do total. E é importante frisar que a grande maioria deles acabou de fora por pura e simples razão técnica.
Pela proximidade, os casos brasileiros são emblemáticos. Exceção feita a Fernando e ao lesionado Coutinho, 18 nomes foram preteridos por Ney Franco. Só cinco deles foram convocados pelos técnicos brasileiros em 2010: Luís Guilherme, Gérson, Wellington Nem, Felipinho e Matheus Carvalho. De qualquer forma, apenas Luís Guilherme e Matheus Carvalho apresentam uma forma tão boa quanto em 2007.
Felipinho (negociado com o futebol coreano), Wellington Nem e Gerson estão aquém das perspectivas que tinham no passado. Longe da seleção, o lateral Eron, o zagueiro Jairo e o volante Elivelton ainda possuem certa relevância em seus clubes. Outros, como Idimar, Belchior e Johnathan, se perderam pelo mundo da bola.
Como era de se esperar, os demais países do continente padecem de casos do tipo. Enganche típico e ex-camisa 10 da Argentina, Matías Sosa sumiu. Sem se firmar entre os profissionais do Estudiantes, ele preferiu “fugir” para a Europa a tentar uma vaga em seu clube, prejudicando também a sua trajetória na albiceleste. Vendido ao Sporting, o zagueiro Ignacio Ameli também se afastou do radar de Walter Perazzo. E Keko Villalva, recuperando-se de uma lesão na coluna, não pode defender a sua condição de jóia da geração /92.
Pelo lado chileno, Claudio Sepúlveda faz boa pré-temporada com a Universidad Católica, mas foi um dos últimos excluídos por César Vaccia. Seu companheiro de clube e também eleito para a seleção do Sul-Americano Sub-15, o equatoriano Luis Hernán Celi é outro esquecido. Nem mesmo o artilheiro da competição de 2007, o uruguaio Nicolás Mezquida, foi mantido na seleção. Juan Verzeri não quis nem saber do centroavante, engatinhando na equipe principal do Peñarol. Prova de que, mais do que um bom retrospecto, a regularidade é fundamental.
Faltas justificadas
Há também aqueles que eram nomes certos a poucos dias antes do início do campeonato sub-20, mas que acabaram se transformando em desfalques sentidos por seus treinadores. O principal destes, sem dúvidas, é Philippe Coutinho. Convocado em doze oportunidades pelas seleções de base, o meia foi um dos últimos cortados por Ney Franco, por conta de uma contusão sofrida na Internazionale. Vestindo a camisa 8, Coutinho foi autor de três gols no Sul-Americano Sub-15 e encerrou a participação como maior destaque individual do torneio. Depois disso, ainda disputou o Mundial Sub-17 da Nigéria.
Assim como os brasileiros, os uruguaios tiveram muito que lamentar. Gonzalo Barreto surgiu como uma das principais armas charruas em 2007. Incansável e habilidoso, o meia-atacante era peça-chave no time vice-campeão. Foi vendido pelo Danubio à Lazio em 2009, depois de boas campanhas com a sub-17. Os laziali, porém, não liberaram Barreto. Na Venezuela, o problema foi parecido. Josmar Zambrano era o camisa 10, mas reserva na sub-15. Hoje no Tenerife, também foi barrado pelo clube.
Pela Bolívia, Romel Quiñonez é desfalque por deméritos próprios. Depois de passar todo o campeonato de 2007 no banco, o arqueiro evoluiu desde então e hoje é titular do Bolívar. Mas, por motivos disciplinares, foi excluído por Marco Sandy. Por fim, Cristian Bonilla, goleiro titular da Colômbia durante todo este tempo, fraturou o rosto dias antes da estreia. No primeiro gol dos cafeteros no torneio, Edwin Cardona comemorou com a camisa de Bonilla.
Professores exemplares
Três treinadores presentes no Peru podem se gabar de um conhecimento profundo de seus comandados. César Vaccia, Eduardo Lara e Sixto Vizuete estiveram no Rio Grande do Sul em 2007 e agora retomam o controle da geração /92 em 2011. Durante estes três anos, o colombiano Lara e o equatoriano Vizuete passaram pelas seleções principais de seus países, além de terem outras experiências na base. Já Vaccia é o único que atingiu a “tríplice coroa”, ao dirigir o Chile também no Sul-Americano Sub-17 de 2009.
Estrelinha de bom menino?
Brasil e Argentina tiveram dois desfalques de peso em suas convocações finais em 2007. Neymar, bem visto já nesta época, acabou inexplicavelmente de fora da lista de Jorge Silveira. Erik Lamela, por sua vez, grande pérola albiceleste, também foi ignorado por Jorge Theiler. Dois anos depois, a história se repetiu: Neymar, protagonista do Santos no Paulistão, não foi listado, enquanto Lamela se contundiu às vésperas do início do campeonato e foi cortado.
Neste ano, pela terceira vez, os caminhos dos dois jovens craques se cruzaram. Ambos ídolos em seus clubes, corriam o risco de se ausentarem do Sul-Americano. O Santos, contudo, compreendeu o projeto de Ney Franco e liberou Neymar, enquanto o River Plate fez jogo duro e segurou Lamela. Bom para os brasileiros que, nos dois primeiros jogos, viram o seu astro balançar as redes por cinco vezes.
Galeria de formandos
Confira a lista de jogadores que estiveram no Sul-Americano Sub-15 de 2007 e repetem a dose no Sub-20 de 2011:
Argentina
*Nicolás Tagliafico - D, 18 anos - Banfield
Adrián Martínez - D, 18 anos - San Lorenzo
Bolívia
*Pedro Lusquiño - G, 18 anos - Callejas
*Rodrigo Borda - D, 18 anos - Aurora
*Jorge Toco - D, 18 anos - Oriente Petrolero
*Daniel Ballivián - M, 18 anos - Universitario
*Henry Torrico - M, 19 anos - Blooming
*Alejandro Méndez - D, 18 anos - Bolívar
Brasil
*Fernando - M, 18 anos - Grêmio
Chile
Claudio Santis - G, 18 anos - Universidad Católica
Colômbia
*Juan Camilo Saiz - D, 18 anos - Envigado
Equador
*Dennys Quiñónez - M, 18 anos - Barcelona
*Edder Fuertes - M, 18 anos - El Nacional
*Jonathan De La Cruz - A, 18 anos - Universidad Católica-CHI
Paraguai
*Fernando Acuña - D, 18 anos - Libertad
Peru
*Joazhiño Arroé - A, 18 anos - Siena-ITA
*Renato Zapata, D, 18 anos - Universitario
Uruguai
*Diego Polenta - D, 18 anos – Genoa-ITA
*Salvador Ichazo - G, 18 anos - Danubio
*Nicolás Prieto - M, 18 anos - Nacional
*Sebastián Gallegos - A, 18 anos - Atlético de Madrid-ESP
Venezuela
Eduardo Lima - G, 19 anos - Monagas
Carlos Suárez - D, 18 anos - Caracas
*Carlos Rivero - D, 18 anos – Carabobo
*Estiveram também no Sul-Americano Sub-17 de 2009
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