Juan Pablo Veli* - 12/02/2011
A Argentina está bastante distante dos tempos em que José Pekerman manejava todo o circuito nas divisões juvenis das seleções argentinas. Os projetos de craques seguem aparecendo no futebol albiceleste, junto do Brasil, a grande fábrica produtora do mundo. Mas onde antes brilhavam 10 futebolistas com potencial de craque, agora surgem dois ou três a duras penas. Os últimos Sul-Americanos são a melhor prova desta escala involutiva, com seu ponto ápice no campeonato que se encerra no Peru.
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Pekerman foi elegido por Julio Grondona, presidente da AFA, para dar rumo às equipes juvenis em 1994. Já havia trabalhado nas divisões inferiores de diferentes clubes e acabou ficando com o posto graças ao projeto que apresentou para um trabalho de longo prazo na convocação realizada por Grondona.
Ganhou os Mundiais do Catar (1995) e Malásia (1997). Em 2001, a equipe juvenil foi novamente campeã mundial com jogadores como Saviola, D´Alessandro, Burdisso, Coloccini, Romagnoli, Maxi Rodríguez, Chori Domínguez, entre outros. Foi o último time que conduziu Pekerman, que passou seu lugar para seu braço direito, Hugo Tocalli.
Em 2003, não se conquistou a coroa mundial, mas a sul-americana no Uruguai com nomes como Tévez, Cavenaghi, Gonzalo Rodríguez, Belluschi, Mascherano, Pablo Zabaleta e Jonás Gutiérrez. A partir de 2005, a direção técnica foi de Francisco Ferraro, já que Tocalli se mudou para ser assistente de Pekerman na seleção adulta – começou a diminuir a qualidade, mas explodiu Messi no Mundial ganhado na Holanda. Foi suportado por Gago, Agüero, Ustari, Biglia e Garay.
Já em 2007, o Mundial final do proceso com Pekerman, se destacaram na conquista do Canadá jogadores como Agüero, Mauro Zárate, Sergio Romero, Fazio, Emiliano Insúa, Banega, Piatti, Maxi Moralez e Di María.
O trabalho de Pekerman chegou ao seu final. Tocalli, em que pese seu desejo de seguir, ficou sem renovação de contrato para seguir a obra nas categorías menores da AFA. Grondona se inclinou a dar lugares aos campeões da Copa do Mundo de 1986. Héctor Enrique assumiu o cargo da sub-15, José Luís Brown a sub-17 e Sergio Batista a sub-20. Gente sem experiencia no manejo de jovens, sem antecedentes na docência do futebol e pouca capacidade para a condução que requer uma tarefa tão artesanal como essa.
Se ficou fora do Mundial Sub-20 do Egito, em 2009, onde se sonhava ir atrás do tricampeonato – foi o primeiro síntoma de que as coisas não iam bem. Os nomes mais destacados dessa frustração foram Salvio, Musacchio, Cristian Gaitán e Di Santo. Longe, muito longe, da camada anterior.
Se fundiu a pouca capacidade do grupo de trabalho elegido por Grondona com um menor dote de jovens de qualidade. Nos últimos anos no futebol argentino, os juvenis se acostumaram a debutar cada vez antes, com maior explosão para a fama, empresarios e os representantes com uma idade muito baixa. Chegam à primeira divisão tendo queimado etapas necessárias para o aprendizado, se crendo ser estrelas de maneira imediata e com pouca predisposição para evoluir, para a disciplina e para o sacrificio. Uma soma de fatores que dá como resultado esse novo fracaso sub-20.
Perazzo, o treinador da equipe, não tem credenciais nem como formador e nem como técnico. Não soube preparar e nem coordinar um plano de jogo além da acumulação de gente na defesa, sem sentido, e chutões para que Iturbe, o craque do turno – que nem sequer se formo na Argentina, e sim no Paraguai -, para que resolva individualmente o que o conjunto não pode. Por sua vez, conta com um elenco de menor relevo que os anteriores. Somente Hoyos e Battaglia acompanham Iturbe. Jogadores de cartel, como Funes Mori, Araujo e Galeano, pouco demonstraram.
A grande pregunta por estes dias na Argentina, bem antecipada, porém válida, para por saber o que haverá depois de Messi, Pastore, Agüero, Tevez e Higuaín. O panorama, por agora, tras mais preocupações que esperanças.
* Juan Pablo Veli é jornalista argentino, reside em Buenos Aires e trabalha para o renomado blog Vale Chumbar
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