Lincoln Chaves - 13/02/2011
A vaga olímpica parecia questão de tempo para a seleção brasileira. Não se esperava que, mesmo que se repetisse a atuação pífia da partida contra o Equador, o Brasil fosse sofrer nas mãos uruguaias, especialmente após a insuficiente vitória da Argentina por 2 a 0 sobre a Colômbia, que dava à equipe de Ney Franco a possibilidade de perder por até quatro gols de diferença. Mas era uma disputa por título. Pelo 11º caneco continental sub-20, e por aquela que seria a terceira taça consecutiva. Seria? Foi. E em uma atuação de gala.
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É preciso que se diga que, da mesma forma que em outras goleadas brasileiras nesta edição do Sul-Americano Sub-20, o começo de jogo não foi fácil. Mas, se contra paraguaios (na primeira fase) ou chilenos (na segunda), o Brasil se viu inclusive sob risco de ficar em desvantagem, o mesmo não se viu ante o Uruguai. A seleção nunca pareceu sem o controle da partida, mesmo levando em conta as más condições do gramado de Arequipa. A Celeste, por sua vez, apostava em Diego Polenta, talentoso zagueiro que, por sua qualidade técnica, acabou passado para a lateral esquerda durante o torneio.
O primeiro gol demorou a sair, muito porque ainda se encontrava alguma dificuldade em driblar em meio à compacta zaga uruguaia. Era preciso trabalhar melhor a bola. E foi o que ocorreu no tento inaugural, com Neymar tocando para Alex Sandro e o lateral esquerdo achando Lucas no meio da grande área. O meia são-paulino girou, tirou o zagueiro do lance e mandou para o gol. E em um momento digno do famoso vídeo "Gol do Barcelona", Lucas tomou a bola no meio-campo, arrancou pela direita, invadiu a área e mandou um canudo para as redes de Ichazo.
O Uruguai, até então, não tivera nenhum jogador expulso. Era (e, de fato, foi) o time mais disciplinado do Sul-Americano Sub-20. Mas justamente um dos grandes destaques da Celeste, o meia Luna, acabou conhecendo o primeiro vermelho uruguaio no torneio, após falta desnecessária em Juan. Sem um de seus principais articuladores, o time que até o início da rodada dependia de apenas um empate para levantar o título entrou em frangalhos, e não foi, nem de longe, o Uruguai que fez campanha tão bonita no torneio continental.
Os uruguaios até tiveram uma grande chance logo no primeiro minuto, com um pênalti bobo de Saimon, que acabou expulso pelo segundo amarelo, em Cepellini, que fez muita falta no setor de criação no primeiro tempo. Mas Vecino, herói da conquista da vaga olímpica, encarnou Roberto Baggio em 1994, e mandou por cima do gol de Gabriel a única chance real de gol do Uruguai na partida. E como o castigo vem à cavalo, Danilo aproveitou a avenida que Polenta deixava, com seus avanços (afinal, era ele, agora, o armador do time), arrancou para a área e chutou cruzado, fazendo o terceiro do Brasil
Aí, o jogo "acabou". Claramente superior, tranquila e ofensiva — um ponto muiot positivo, visto que a ansiedade, o descontrole e o por vezes excesso de "enfeite" eram algumas das críticas feitas ao time de Ney Franco —, a equipe canarinha passeou. Neymar, que estava sumido mas ganhou espaço no segundo tempo, precisou de quatro minutos para entrar para a história. Aos 12, fez seu primeiro, em mais uma jogada de Lucas. Aos 16, aproveitou rebote de chute de William e fez seu nono gol, confirmando a artilharia do certame e se tornando o brasileiro com mais gols em uma edição de Sul-Americano Sub-20.
O Uruguai tentava chegar ao ataque, mas não estava mais organizado. Polenta jogava quase que sozinho, e sempre era desarmado pela defesa, primeiro por Danilo, depois por Galhardo. Principal referência da equipe uruguaia, o zagueiro/lateral foi mais um a perder a cabeça, buscando discussão com seus marcadores e Neymar o tempo todo. Sinal de que embora tecnicamente boa, a seleção de Juan Verzeri ainda tem pontos cruciais para corrigir, de olho tanto no Mundial Sub-20 da Colômbia como nos Jogos Olímpicos de Londres. Ah, e Lucas ainda fez mais um, para coroar sua melhor atuação no torneio. O caneco é, mais uma vez, brasileiro.
E a Argentina? Pois é. A Albiceleste venceu mas, novamente, não convenceu. Fez um bom primeiro tempo contra uma desmotivada Colômbia, fez 2 a 0 em meia hora de jogo e parecia ser capaz de golear. Goleada, aliás, que seria importante, em se falando de vaga olímpica. Mas os gols ficaram mesmo para trás. E por pouco, não foi a equipe cafetera que se aproveitou. No começo do segundo tempo, Araujo foi expulso. Com 10, os comandados de Walter Perazzo recuaram e sofreram enorme pressão colombiana. Não fosse o ótimo goleiro Andrada, talvez o Brasil entrasse em campo já matematicamente classificado.
E se a noite premiou o bom futebol apresentado pelo Brasil, também foi de alegria para o competente e esforçado time do Equador. Com bons talentos, como o zagueiro Narváez e o volante Gaybor, além do atacante Montaño, La Tri dominou um decepcionante e agressivo Chile. O golaço de Arroyo, de fora da área, aproveitando passe que veio da direita, garantiu a seleção equatoriana no Mundial Sub-20 da Colômbia. Vaga que vai ao time que foi a campo precisando apenas do empate, mas que efetivamente buscou jogar bola.
RESULTADOS DA RODADA
Argentina 2 x 0 Colômbia
Chile 0 x 1 Equador
Uruguai 0 x 6 Brasil
O JOGO DA RODADA
BRASIL 6 x 0 Uruguai
Gols
Lucas, aos 40 e 41 minutos do primeiro tempo, e aos 34 do segundo tempo; Neymar, aos 12 e 16 do segundo tempo; Danilo, aos 5 do segundo tempo
Brasil
Gabriel, Danilo, Saimon, Juan e Alex Sandro; Fernando, Casemiro (Galhardo), Lucas (Gabriel Silva) e Oscar; Neymar (Diego Maurício) e Willian José.
Treinador: Ney Franco
Equador
Ichazo, Platero, Olivera, Cabrera e Polenta; Vecino, Cayetano (Pereyra) e Prieto (Ramon Díaz); Luna, Mayada e Rodriguez (Cepelini)
Treinador: Juan Verzéri
Local: Estádio Universidad Nacional San Agustín, em Arequipa
Árbitro: Antônio Arias (Paraguai)
Cartões amarelos: Platero, Cayetano, Polenta (Uruguai); Casemiro, Saimon (Brasil)
Cartões vermelhos: Luna (Uruguai), Saimon (Brasil)
O MELHOR DA RODADA
Lucas (Brasil)
AS NOTAS DO BRASIL
Gabriel - 6
Danilo - 8
Saimon - 4
Juan - 6
Alex Sandro - 6,5
Fernando - 7,5
Casemiro - 6,5
(Galhardo) - 6,5
Lucas - 9,5
(Gabriel Silva) - sem nota
Oscar - 6,5
Neymar - 7,5
(Diego Maurício) - sem nota
William José - 6,5
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