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Review Sul-Americano Sub-20

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Gabriel Dudziak e Lincoln Chaves - 14/02/2011

Nunca antes na história deste país se olhou com tanta atenção para um Sul-Americano Sub-20. Pudera, o torneio valia muito. Mais do que a vaga nas Olimpíadas, coisa que a edição de 2007 já garantia ao campeão e vice, a seleção brasileira pôde enfim contar com um técnico experenciado no comando da equipe, capaz de, em conjunto com o treinador da seleção principal, engendrar a tão sonhada renovação.

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Além disso, diversos nomes do Brasil já faziam sucesso em seus clubes, como Lucas, Casemiro, Alex Sandro, Neymar e outros, de forma que se esperava muito desta seleção. E podemos dizer que as expectativas foram alcançadas. Campeão do Sul-Americano, o Brasil mostrou uma vez mais sua força competitiva e técnica, dando show em alguns momentos e sendo eficaz na maioria deles. Um título mais do que merececido em uma competição que de fato não apresentou rivais à altura.

A Argentina, de quem sempre se espera bastante, naufragou, bem como a Colômbia, que parecia ter um time acima da média, mas que só vai ao Mundial da categoria por ser sede. Quem não estava muito acreditado, mas chegou e surpreendeu foi o Uruguai. Tal qual na Copa de 2010, os charruás mostraram garra e pragmatismo para conseguir a segunda colocação no torneio e voltar a uma Olimpíada depois de 84 anos de ausência. A Celeste voltou a ser Olímpica!

Por fim, mesmo com pouca empolgação do público peruano - que lotou as arquibancadas nos jogos de seu time, mas abandonou o torneio após a eliminação da Bicolor -, o Sul-Americano mostrou grandes partidas e gols. Foram 94 tentos em 35 partidas, média de 2,69 por jogo. Em que se pese também o péssimo estado dos gramados, quem acompanhou a competição viu futebol de verdade e pôde se encantar e observar com mais atenção os atletas que surgem na América do Sul. A equipe do Olheiros.net fez a sua seleção do torneio e falou um pouco mais sobre cada um desses momentos marcantes. Confira o review do Sul-Americano Sub-20: (Gabriel Dudziak)

Viu, foi e venceu!

Foram mais de 30 dias de preparação e testes para que Ney Franco se habituasse ao cargo de técnico da seleção sub-20 e escolhesse seu 11 ideal para o Sul-Americano. A pressão sobre os meninos era grande, bem como o potencial do time. Muitos já tinham vivência de jogar pelas equipes profissionais de seus clubes, enquanto outros teriam no Peru o primeiro teste de fogo na carreira.

Na estreia contra o Paraguai, em 17 de janeiro, o Brasil inspirou elogios e temores. Os 4 a 2 na albiroja, com quatro gols de Neymar, mostraram um time muito ofensivo, mas individualista demais em alguns momentos. Por outro lado, as expulsões de Zé Eduardo e Henrique foram um aviso do descontrole de alguns atletas. Contra a Colômbia a equipe melhorou, vencendo por 3 a 1, mas nem assim deixando de lado a falta de coletividade. Essa fraqueza da equipe foi visível nos confrontos com a Bolívia - 1 a 1 - e com o Equador - 1 a 0.

O Hexagonal Final prometia melhoras e o Brasil de fato foi muito bem contra o Chile - 5 a 1 - e bem contra a Colômbia - 2 a 0. Casemiro, Neymar e Lucas se portavam como profissionais em meio a garotos e guiavam o Brasil às vitórias. No duelo mais aguardado, contra os argentinos, aquela pontinha de descontrole explodiu. Nervoso, o Brasil tomou um gol e perdeu o zagueiro Juan, expulso, logo aos 4 minutos de jogo. Nas individualidades a equipe conseguiu colocar pressão nos argentinos e empatar, mas no fim Iturbe fez o gol da vitória dos hermanos.

Pressionada e sem Neymar, a seleção fez o jogo de sua vida no torneio contra o Equador e, mesmo sem convencer, venceu outra vez La Tri, conseguindo, graças ao tropeço da Argentina ante o Uruguai, uma boa vantagem na briga pela vaga Olímpica. Mesmo assim os brasileiros queriam o título. E ele veio. Sobre um já desinteressado Uruguai, o Brasil fez seu melhor jogo no torneio e venceu com autoridade: 6 a 0.

Falta pouco mais de um ano e meio para as Olimpíadas de Londres, mas desde já os torcedores pensam em qual time alinhará na disputa. Quantos atletas dessa geração sub-20 chegarão até lá e disputarão vagas com jogadores mais velhos? Só é possível projetar. Neymar, Casemiro e Lucas têm boas chances de, ao lado de nomes como Renan Ribeiro, Rafael (Man U.), Breno, Sandro, Giuliano, Ganso, Coutinho, Pato e outros, conquistar o inédito e sonhado ouro olímpico para o futebol brasileiro. (GD)

Olímpica outra vez

Em 2010 o Uruguai surpreendeu a todos e fez uma excelente Copa do Mundo. O quarto lugar obtido na África do Sul foi o melhor resultado charruá desde a Copa de 1970, quando também ficou em quarto. Inspiração para os garotos do sub-20? Pode apostar que sim. Mesmo sem a badalação de Brasil, Argentina e até da Colômbia, a Celeste viu um começo titubeante, com derrota para a Argentina e empate com a Venezuela, se transformar em esperança após a goleada por 4 a 0 no Chile, com direito a um golaço do zagueiro/lateral Diego Polenta.

No entanto aquela foi a única vitória uruguaia na fase de grupos, uma vez que a equipe perdeu de 2 a 0 do Peru que, mesmo com a vitória, deixou a terceira vaga do grupo A escapar pelo saldo de gols. Com apenas quatro pontos e saldo de um gol, o Uruguai chegou ao Hexagonal Final como a equipe de pior campanha do torneio. Mas esta condição acabou ficando pra trás. Na primeira partida, contra a Colômbia, a equipe charruá se valeu de uma defesa mais sólida e um gol de falta de Adrian Luna para vencer por 1 a 0.

Contra o Equador o empate em 1 a 1 teve sabor de vitória. Apesar de ter sido melhor em boa parte do jogo, o Uruguai teve a sorte e a incompetência de Marlon de Jesús a seu lado. No finzinho do jogo o atacante equatoriano ficou sozinho debaixo das traves de Ichazo, mas isolou a bola, em lance que gera olhares incrédulos até hoje. Futebol tem dessas coisas. Assim como futebol tem rivalidade. 

No duelo contra a Argentina, não estava em jogo apenas uma possível volta às Olimpíadas. Estava em jogo revanche, vingança e afirmação. Desde o sub-15 a geração /92 uruguaia vinha sendo eliminada pela albiceleste. Em 2007 o Uruguai foi tirado da briga pelo título do Sul-Americano Sub-15 pelos argentinos. Em 2009, no Sub-17, as duas equipes voltaram a se enfrentar e a Argentina novamente se deu melhor, garantindo uma vaga na decisão do torneio. Este ano foi diferente. E foi com vitória. Vecino desentalou o grito dos meninos uruguaios e garantiu que a Celeste Olímpica pudesse voltar ao torneio que a fez ser reconhecida no mundo todo. (GD) 

Consolo de um, prêmio de outro

Como há dois anos, a Argentina mostrou no Sul-Americano Sub-20 uma equipe limitada — ainda mais com a ausência de Roberto Pereyra e Erik Lamela — e dependente de um talento individual: Juan Iturbe, de apenas 17 anos, formado no Paraguai. Iturbe “carregou” a Albiceleste ao Mundial, mas, sozinho, não conseguiu levá-la a Londres.

O craque de drible fácil e velocidade era a única esperança de uma Argentina que deixou de lado o toque de bola e o conjunto para mostrar um futebol truncado e burocrático, prejudicado pelo “sumiço” dos badalados atacantes Rogélio Funes Mori e Sérgio Araújo, que pareciam mais preocupados com os olheiros do que com o grupo.

A Argentina assistirá ao futebol olímpico pela TV após 12 anos. A diferença é que enquanto o time que fracassou no Peru só viu Iturbe e, vá lá, o goleiro Esteban Andrada ou o meia Michael Hoyos, o que falhou no Pré-Olímpico de Londrina, em 2000, tinha Javier Saviola, Pablo Aimar, Esteban Cambiasso e Juan Roman Riquelme.

Por sua vez, enquanto os “hermanos” lamentam ter ficado “apenas” com a vaga no Mundial, o Equador comemora a volta ao torneio internacional após 11 anos, quando chegou às oitavas de final. Tivesse obtido um resultado melhor no duelo contra o Brasil — onde merecia ao menos um empate pelo volume de jogo apresentado —, a Tri entraria na última rodada com chances reais de ir para as Olimpíadas.

O sucesso equatoriano veio principalmente pela segurança defensiva — foram somente cinco gols sofridos em nove jogos —, em especial pelas atuações do goleiro Jaramillo, do implacável zagueiro Narvaéz — um dos melhores do torneio — e do ótimo volante Gaybor. O baixo número de gols marcados (oito) — e que não significa se tratar de uma equipe retrancada — explica o porquê de o Equador não ter ido um pouco mais além. (Lincoln Chaves) 

Abaixo da média

Não foi só a Argentina que, mesmo com a vaga no Mundial, fracassou no Peru. Antes do Sul-Americano, Ney Franco colocou a Colômbia como potencial candidata ao título. Certamente, o técnico brasileiro foi um dos que se decepcionaram com o que viu. Os cafeteros passaram aperto na fase de grupos, e a pífia campanha na etapa decisiva (um ponto em cinco jogos), deixou dúvidas quanto à antes elogiada nova geração.

A ausência de James Rodrigues foi sentida, principalmente com as atuações apagadas de Edwin Cardona, que não conseguiu ser a “cabeça” da equipe. Coube a Fabian Castillo ser o destaque. Sua velocidade e habilidade não lhe renderam gols, mas fizeram-no o mais caçado em campo. Sua atitude de buscar espaços nas defesas adversárias e conseguir pênaltis evitou que o desastre chegasse já na primeira fase.

Os paraguaios também foram mal. Vice-campeã em 2009, a Albiroja mostrou carência técnica e psicológica. Ivan Torres foi muito irregular na armação, enquanto o candidato a goleador Oscar Ruiz só marcou na última rodada — quando os paraguaios cederam empate à Colômbia após estar vencendo por 3 a 1. Na ocasião, recuaram drasticamente com mais de meia hora de jogo por vir, e após a igualdade, quase agrediram o árbitro.

Do Peruesperava-se ao menos a disputa por vaga no hexagonal. Os bicolores, porém, não passaram nem perto. Atacavam desenfreadamente, mas deixavam muitos espaços na defesa. Joahziño Arroé reclamou da reserva, mas quando em campo, nada fez. O futebol pífio revoltou os torcedores, que não pouparam vaias aos garotos em Arequipa. Salvou-se apenas o volante Christian Cueva, único aplaudido pelo público. (LC)

E a torcida? Que torcida?!

Gols, jogos disputados, rivalidade à prova, garotos habilidosos... Tudo isso e mais um pouco não foi suficiente para atrair o torcedor peruano aos estádios em Tacna, Arequipa e Moquega. Em 34 partidas disputadas, é possível dizer que tivemos lotação máxima apenas no primeiro dia de competição, quando mais de 40 mil espectadores foram ao Universidad Nacional San Agustín assistir o jogo preliminar entre Uruguai e Argentina e depois a estreia dos donos da casa contra o Chile.

Após a derrota por 2 a 0, o ânimo dos peruanos arrefeceu e na segunda partida, contra a Argentina, apenas 20 mil pessoas viram a derrota por 2 a 1. Para Peru e Venezuela o número caiu pela metade, chegando a ridículos 3 mil na partida contra o Uruguai. Essa aliás, foi a média da maior parte dos jogos do Sul-Americano Sub-20. Em poucas oportunidades o público passou dos 5 mil espectadores.

A situação era visível até para quem acompanhou todo o torneio pela tela da televisão. Nem mesmo os recursos de câmera e enfoque da emissora oficial do torneio foram capazes de esconder o deserto das arquibancadas. O formato do torneio, sem finais ou confrontos de mata-mata, e talvez uma falta de promoção melhor do evento entre a população local, não ajudaram na tarefa de lotar estádios, algo que deve ser repensado e levado em conta para a próxima edição. (GD)

Nossos 11 melhores


ESTEBAN ANDRADA (ARGENTINA)
A dificuldade crônica do futebol argentino em encontrar goleiros de qualidade para a seleção pode estar chegando ao fim. Goleiro de bons reflexos e saída, Andrada fechou o gol em jogos importantes, como ante o Brasil e no duelo contra a Colômbia, em que foi “bombardeado” no segundo tempo.

Também foi votado: Ichazo (Uruguai) 

HUGO NERVO (ARGENTINA)
Lateral de características defensivas mas importante no apoio, foi um dos poucos nomes de destaque no limitado elenco argentino. Além de ajudar a anular Neymar no duelo contra o Brasil, mostrou ser polivalente, tendo atuado também pela esquerda e sido decisivo na suada vitória sobre o Peru, na fase de grupos.

DIEGO POLENTA (URUGUAI)
Lateral esquerdo, zagueiro e até armador em alguns momentos. Este foi Diego Polenta no Sul-Americano Sub-20. Um dos destaques uruguaios, o atleta do Genoa mostrou intimidade para desarmar o adversário e posicionar os uruguaios no ataque. Contra o Chile fez um golaço, passando por metade do time antes de mandar pra rede. 

JOHN NARVAEZ (EQUADOR)
O Equador sofreu somente cinco gols em nove jogos no Sul-Americano. Muito pela eficiência defensiva de Narvaéz. O zagueiro liderou o setor de marcação e mostrou qualidade na saída de bola. Bom na contenção dos atacantes, o defensor do Deportivo Cuenca deverá ser um dos artífices da Tri no Mundial.

ALEX SANDRO (BRASIL)
Titular do Santos e titular do Brasil, Alex Sandro nem deu chance para que Gabriel Silva mostrasse seu futebol no Sul-Americano. Com ótimas atuações ofensivas e defensivas, o camisa 6 brasileiro foi um porto de segurança lá atrás e uma arma de ataque com seus cruzamentos precisos e investidas ao ataque. 

FERNANDO GAYBOR (EQUADOR)
Apontado como uma das grandes promessas do futebol equatoriano, o volante, titular do Emelec desde a Libertadores do ano passado, mostrou qualidade no desarme e na ligação entre a defesa e a armação. Foi um dos responsáveis pela segurança defensiva mostrada pelo Equador no Sul-Americano.

CASEMIRO (BRASIL)
Se não fosse Neymar, Casemiro teria grandes chances de ser o grande craque do Sul-Americano. Bem nos desarmes, melhor ainda na construção de jogadas ofensivas e conclusão a gol, o volante do São Paulo nem pareceu volante, tamanha desenvoltura com a bola nos pés. Alguns o chamam pela alcunha de Kaiser Miro e no torneio ele fez jus ao apelido.

Também foi votado: Fernando (Brasil)

LUCAS (BRASIL)
Grande destaque do São Paulo na temporada passada, Lucas chegou ao Peru vestindo a camisa 10 da seleção brasileira. O garoto não se intimidou. Suas arrancadas em velocidade pelo meio, direita e esquerda do ataque brasileiro foram vitais para o título. Contra o Uruguai teve uma atuação para entrar para a história.

YOHANDRY OROZCO (VENEZUELA)
A Venezuela não conseguiu vencer nenhuma partida no Sul-Americano, mas Orozco saiu por cima. Craque da equipe vinotinto, chamou a atenção de diversos olheiros do mundo após um belo gol marcado sobre a Argentina. No dia seguinte à eliminação da Venezuela, Yohandry foi anunciado como reforço do Wolfsburg. 

JUAN ITURBE (ARGENTINA)
Mesmo tendo apenas 17 anos, Juan Iturbe esbanjou velocidade e habilidade, além de personalidade no Sul-Americano. Com o sumiço das estrelas, o garoto chamou o jogo e brilhou. O sucesso atraiu a atenção do Porto, que acertou sua contratação e deve contar com o atleta na próxima janela europeia.

Também foi votado: Adrián Luna (Uruguai)

NEYMAR (BRASIL)
Se algum garoto entrou sob pressão no Sul-Americano Sub-20, este foi Neymar. Com o rótulo de estrela do torneio antes de seu início, o craque do Santos driblou as cobranças com a mesma facilidade com que dribla os adversários dentro de campo. Artilheiro do torneio com 9 gols, mostrou estar muito acima dos demais. Melhorando alguns fundamentos e principalmente o controle emocional, pode ser gigantesco.

Também foi votado: Montaño (Equador)



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