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Mundial Sub-20 2011

Mundial Sub-20: Equador

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Pedro Venancio - 23/07/2011

Mesmo com o sucesso recente da seleção principal, que se classificou para as Copas do Mundo de 2002 e 2006, o Equador nunca teve muito prestígio na base e geralmente é superado por outras seleções nos Sul-Americanos Sub-20. A única vez que a equipe se classificou para um Mundial da categoria havia sido em 2001, quando ficou com a quinta posição no torneio continental, mas se beneficiou pelo fato da Argentina, país-sede do torneio, ter sido a campeã e aberto mais uma vaga.

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Naquela oportunidade, a equipe comandada pelo técnico argentino Fabián Burbano não fez feio, somando quatro pontos e ficando com a segunda colocação em um grupo que tinha Costa Rica, Etiópia e uma Holanda poderosíssima, com Rafael Van der Vaart, Klaas-Jan Huntelaar e Wesley Sneijder, entre outros. Nas oitavas de final, porém, a derrota para Gana por 1 a 0 acabou com a participação dos equatorianos, que não conseguiram se classificar para as quatro edições seguintes do torneio.

Entre os jogadores, já despontavam naquele momento nomes como Jorge Gagua, defensor que logo ganhou lugar na seleção principal e fez parte do elenco que disputou a Copa do Mundo de 2006, assim como o volante Segundo Castillo, que atualmente joga pelo Pachuca e esteve na Copa América de 2011 pela seleção principal. O atacante Félix Borja atuou no Olympiakos e no Mainz 05 com relativo destaque, além de também ter ido à Alemanha em 2006.

O principal destaque daquela equipe, porém, era o atacante Franklin Salas. Rápido, baixinho e extremamente habilidoso, atormentava as defesas de quem quer que fosse e parecia que se tornaria um craque. Em 2004, foi eleito o terceiro melhor jogador da América do Sul, atrás apenas de Robinho e Carlos Tevez. Parecia que iria deslanchar, mas ficou no quase, assim como muitos outros, e nem foi à Copa do Mundo de 2006. Atualmente, ele joga no Imbabura, da Série B equatoriana, emprestado pela LDU, onde ainda é ídolo da torcida.

Futebol bonito, vaga sofrida

Quando damos uma rápida observada na campanha equatoriana no Sul-Americano Sub-20 e vemos que a equipe só se classificou para o Mundial na quarta colocação com uma vitória sobre o Chile na última rodada, é possível concluir que a equipe sofreu um pouco para conseguir a vaga. Engana-se, porém, quem pensa que o time desenvolveu um futebol chato, burocrático, retrancado na defesa e partindo nos contra-ataques com rapidez e eficiência. Muito longe disso, por sinal.

Logo na primeira partida, os equatorianos deram seu cartão de visitas: empataram por 1 a 1 com a badaladíssima seleção colombiana, mandando no jogo e perdendo várias oportunidades de sair de campo com a vitória. No jogo seguinte, triunfo por 1 a 0 contra os paraguaios, novamente sem contestação. Após vender caro a derrota para o Brasil, a garantia da vaga na segunda fase veio com o resultado positivo diante dos bolivianos por 3 a 1.

O principal destaque do time foi, indubitavelmente, Edson Montaño, centroavante que terminou como vice-artilheiro do torneio com quatro gols, sendo que um deles foi o da vitória por 1 a 0 sobre a Argentina, na estreia na segunda-fase. Dois empates, contra Colômbia e Uruguai, uma derrota para o Brasil e uma vitória contra o Chile, na última partida do hexagonal, garantiram a classificação de um time que criou muito durante toda a competição, mas aproveitou poucas oportunidades.

Muito forte fisicamente, Montaño se agigantou na ausência de Marlon de Jesús, lesionado logo no início do torneio, e foi a referência do 4-4-2 montado pelo experiente técnico Sixto Vizuete, que passou pela seleção principal entre 2007 e 2010 e é apontado como um dos principais responsáveis pela evolução da base equatoriana (além do Mundial Sub-20, o país também conseguiu a vaga para o Mundial Sub-17). Vizuete, 50 anos, acredita que tem em mãos um time muito competitivo e tem bons motivos para sustentar essa visão.

Solidez e velocidade

Além de Montaño, os equatorianos possuem outros jogadores que podem decidir. O supracitado Marlon de Jesús,, que se machucou no Sul-Americano Sub-20, está recuperado e será o outro atacante titular. Juan Cazares, que chegou como camisa 10 no Peru, foi parar na reserva, mas é talentoso e poderá ser muito útil, assim como Juan Govea, atacante do Deportivo Cuenca

O meio-campo esbanja eficiência tanto na marcação quanto na criação de jogadas. Os externos Renato Ibarra e Marcos Caicedo são rápidos, ousados e dribladores e chegam à linha de fundo adversária com frequência para fazer bons cruzamentos. Se tiverem aprimorado a finalização durante o primeiro semestre de 2011, certamente o time se fortalecerá muito mais.

A dupla de volantes, formada por Dennis Quiñonez e Fernando Gaibor, também merece um parágrafo só para ela. Quiñonez, que atua como primeiro volante, é extremamente eficiente na marcação e no jogo aéreo e auxilia muito a defesa. Gaibor, por sua vez, é o “termômetro” do time, comandando a saída de bola, virando o jogo quando necessário e chegando ao ataque com muito perigo sempre que possível, chutando de fora da área ou cabeceando com precisão em cobranças de escanteio.

Na defesa, também há talento. Os goleiros Johan Padilla e John Jaramillo já mostraram ter mais potencial do que vários nomes que já passaram pela seleção principal recentemente, para não dizer todos, e ainda há uma indefinição sobre quem será o titular. O miolo de zaga será comandado pelo seguro John Narváez, que provavelmente terá Wilson Morante como parceiro, mas as laterais são o ponto fraco do time, sobretudo pelo lado direito, com o limitadíssimo Mario Pineida, o que pode ser uma vulnerabilidade durante as partidas do Mundial. Apesar dessa deficiência, porém, trata-se de um time a ser respeitado e certamente dará trabalho a todos os adversários que enfrentar em gramados colombianos.

CURTAS

Chuteira caliente


Edson Montaño. À primeira vista, parece apenas um centroavante gordinho, mas, quando entra em ação, logo se percebe que trata-se de um centroavante gordinho que faz gols. Com apenas 1,74m, usa o porte físico mais “parrudo” para trombar na área com os zagueiros – muitas vezes derrubando-os – e proteger bem a bola, mantendo-a no campo de ataque e acionando os jogadores que vêm de trás. Atacante do Gent, da Bélgica, teve como recompensa pelo bom desempenho no Sul-Americano Sub-20 a convocação para a Copa América, e já soma duas partidas na seleção principal.

Pelota quadrada

Juan Cazares. Antigo camisa 10 da equipe, chegou ao Sul-Americano Sub-20 com status de grande promessa por já pertencer ao River Plate, mas acabou não jogando bem nas primeiras partidas e perdeu a posição. Baixinho e habilidoso, mostrou dificuldades quando precisou confrontar-se contra volantes mais fortes fisicamente e precisa melhorar nesse aspecto para poder vingar como profissional. Agora, com a 15 nas costas, não tem mais a pressão de ser o principal jogador e pode aproveitar o Mundial para recuperar o espaço perdido.

El Libertador

Fernando Gaibor. O volante do Emelec é simplesmente o dono do time. Comanda a saída de bola, leva a equipe para o ataque, desarma, tem desenvoltura com a bola nos pés e chega ao ataque com muita qualidade, podendo também jogar como meia ofensivo ou “box-to-box’, como diriam os ingleses, em uma linha de quatro jogadores. É um dos candidatos a surpresa desse mundial e merece ser observado com muita atenção.

ELENCO

Goleiros

1 – John Jaramillo (LDU) – 15/09/1991
12 – Johan Padilla (Independiente José Terán) – 14/08/1992
21 – Freddy Carcelén (El Nacional) – 09/04/1993

Defensores
2 – Mario Pineida (Independiente José Terán) – 06/07/1992
3 – John Narváez (Deportivo Cuenca) – 12/06/1991
4 – Wilson Morante (Emelec) – 20/02/1991
6 – Edder Fuertes (El Nacional) – 27/03/1992
16 – Christián Cruz (Barcelona-EQU) – 01/08/1992

Meio-campistas
5 – Dennis Quiñonez (Barcelona-EQU) – 12/03/1992
7 – Fernando Gaibor (Emelec) – 08/10/1991
8 – Renato Ibarra (El Nacional) – 20/01/1991
11 – Marcos Caicedo (Emelec) – 10/11/1991
14 – Dixon Arroyo (Deportivo Quito) – 01/06/1992
15 – Juan Cazares (River Plate-ARG) – 03/04/1992
19 – Brayan De La Torre (Barcelona-EQU) – 11/01/1991
20 – Christián Oña (Independiente José Terán) – 20/01/1993

Atacantes
9 – Marlon de Jesús (Deportivo Quito) – 04/09/1991
10 – Juan Govea (Deportivo Cuenca) – 27/01/1991
13 – Edson Montaño (Gent-BEL) – 15/03/1991
17 – Jorge Cuesta (Deportivo Cuenca) – 25/02/1992
18 – Danny Luna (Rocafuerte) – 25/01/1991
 



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