Murilo Moret - 24/07/2011
A Costa Rica surpreendeu há dois anos. Terceira colocada no grupo do Brasil, a seleção teve tamanha competência para derrotar Egito e Emirados Árabes Unidos. A equipe só parou no mesmo Brasil que a derrotou na estreia da competição. em partida dura. Em 2011, os Ticos têm a “imensa responsabilidade” de repetir o feito da geração anterior, que ficou na quarta posição do Mundial Sub-20.
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O time deve se ancorar no talento do jovem atacante Joel Campbell, que impressionou com um grande desempenho com a equipe principal de Costa Rica na última Copa América. Ele, que atraiu até o interesse concreto do Arsenal, marcou contra a Bolívia e desponta como uma possível estrela do Mundial Sub-20. Junto de Cambell estará o defensor Calvo, outro que participou do torneio sul-americano na Argentina.
Ticos contra a história
Esta será a oitava participação do time da América Central na Copa. A história foi a mesma nas três primeiras edições: eliminado na primeira fase em 1989, 95 e 97. Se com Paulo Wanchope (95) e Steven Bryce (97) a seleção não foi pra frente, com Gilberto Martínez foi diferente. Após uma derrota e um empate, vitória contra a Alemanha de Timo Hildebrand e classificação em terceiro lugar. Entretanto, não demorou muito para voltar da Nigéria, pois a Costa Rica foi desclassificada ante a seleção de Gana, nas oitavas.
Com Winston Parks em excelente forma, os Ticos tiveram um excelente desempenho ofensivo na Argentina, em 2001. Eles marcaram sete gols na primeira fase, atrás apenas de Argentina e Brasil – também líderes de seus grupos. Porém, a República Checa, aos trancos e barrancos, conseguiu eliminar a Costa Rica nas oitavas.
Além da supracitada participação em 2009, dois anos antes, a seleção sub-20 foi eliminada na primeira fase no grupo formado por Nigéria, Japão e Escócia. Entre os destaques individuais, nomes como Celso Borges (Fredrikstad FK), César Elizondo (Saprissa) e Pablo Herrera (Aalesunds FK).
A responsabilidade dos garotos é chegar na semifinal; o objetivo, porém, é avançar de fase. Na estreia já encara a excelente Espanha de Daniel Pacheco e Sergio Canales. A segunda partida é contra a Austrália do artilheiro Kerem Bulut e o invocado Thomas Oar. A falta de tradição pode pesar, já que a Costa Rica chegou às oitavas apenas em três oportunidades, mas a favor conta o fato de que o futebol profissional do país cresceu paralelamente ao juvenil.
Amistosos e amistosos
La Tricolor chega ao Mundial credenciada pelo vice-campeonato na Concacaf Sub-20. A seleção não conseguiu o bicampeonato consecutivo, pois foi derrotada pelo México por 2 a 1. A Costa Rica passou por Canadá, Guadalupe, Cuba e Guatemala antes de cair para os mexicanos. O destaque da seleção foi Joel Campbell, atacante e artilheiro da competição com seis gols.
A preparação para o torneio começou no dia 4 de maio, quando o corpo técnico definiu qual seria programação da Costa Rica. Ficou-se decidido que a equipe chegaria à Colômbia no dia 18 de julho, 12 dias antes do início do campeonato, para se adaptar ao ambiente do Mundial. O primeiro amistoso terminou empatado: 2 a 2 contra um time de jogadores sem contrato. Esteban López e Joshua Díaz marcaram para os Ticos; nesta partida o treinador perdeu Geison Zarate com uma lesão no tornozelo esquerdo. O segundo amistoso foi contra o Paquereña, bem vencido por 11 a 1. Entre os jogos, a Costa Rica fazia três treinamentos diários: trabalho aeróbico às 06h30, treinamento de força no campo às 10h30 e técnico-tático no período vespertino.
Neste mês, a Tricolor venceu Puntarenas por 2 a 0, passou pelo Uruguay de Coronado por 1 a 0 e foi derrotado pelo Municipal de Pérez Zeledón por 1 a 0. O fator positivo em todas as partidas do pré-Mundial foi que a equipe conseguiu armar boas jogadas de gol, entretanto, ainda sem Joel Campbell, o índice de aproveitamento foi baixo. Os dois últimos amistosos foram contra o Egito, no estádio Nacional e no Meza: empate em 1 a 1 e derrota por 1 a 0.
Seguindo ordens da comissão técnica, o time ficou um tempo em Bogotá (2.650 metros) para se adaptar as condições de Manizales (2.170m). Na capital, empate em 1 a 1 contra a Arábia Saudita; John Jairo Ruíz marcou o gol costa-riquenho. “A experiência foi boa, mas erramos muitos passes. Precisamos corrigir essa falha”, disse o reserva, que sentiu a altitude.
O treinador é Ronald González, de 40 anos. O ex-jogador, e agora um dos três assistentes de Ricardo La Volpe (técnico do time principal), foi um dos principais nomes dos Ticos no Mundial Sub-20 de 1989. Ele chegou a disputar a Copa do Mundo de 1990, na Itália.
4-3-3 da velocidade
A Costa Rica, basicamente, tem um sistema compacto de jogo formado por quatro zagueiros, três meias e três atacantes. O time-base na Concacaf foi: Maurício Vargas; Joseph Mora, Ariel Soto, Ariel Contreras e Jordan Smith; Tejeda, Bustos e Diego Calvo; Joel Campbell, Escoe e Bryan Vega. Essa deve ser a equipe que entra em campo contra a Espanha no próximo dia 31.
O time que começou a Concacaf foi praticamente o que terminou, mudando apenas o goleiro e um defensor. A troca mais drástica ocorreu no meio campo, com a saída de um meio-campista (Jonathan Moya, que não foi convocado) para a entrada de mais um atacante (Vega). Diego Calvo, apesar de experiente e já figurar entre os profissionais de seu clube, não convenceu totalmente. Ele ainda tem a posição ameaçada como titular. O lado direito da defesa e do meio da Tricolor é o que mais arrepia os torcedores. Tejeda, Bustos e o capitão Soto são os mais esquentadinhos. Porém, não é incomum ver os dois primeiros trocando passes como se atuassem há muito tempo juntos. Ambos possuem entrosamento porque jogam no Saprissa.
A favor da Costa Rica é a velocidade de contra-ataque, principalmente com o internacional Joel Campbell. Bryan Vega e Mynor Escoe também são dotados de boa técnica. Campbell é, de longe, o principal jogador da equipe nesta edição do Mundial Sub-20. Este será o terceiro desafio importante em dois meses - o atacante jogou também a Copa Ouro e a Copa América. O raro talento do costa-riquenho levou clubes europeus a sondá-lo na última janela de transferências, um deles o Arsenal. Um de seus companheiros de ataque Mynor Escoe teve um ótimo crescimento após sair da terra natal para jogar na França. Francisco Calvo, defensor canhoto /92, é um bom jogador e esteve presente no plantel sub-23 de La Volpe para a Copa América.
Outro bom jogador é Maurício Vargas, que veio da Espanha para contribuir à seleção. Em 2009, Esteban Alvarado foi um dos herois costa-riquenhos ao salvar seu time com intervenções precisas de uma derrota para o Egito nas oitavas de final. Ele foi eleito pela Fifa o melhor goleiro do Mundial. Estaria Maurício Vargas preparado para tal feito? “Todos nesta seleção sabem o que ele fez. Para nós, é uma motivação”, afirmou.
São quatro os jogadores que atuam fora da Costa Rica. O goleiro titular Maurício Vargas joga pelo Albacete B; Francisco Calvo atua no San Jac College, dos Estados Unidos; Jordan Smith está no Le Havre B; e Mynor Escoe joga pelo Lorient B. Felicio Brown Forbes, zagueiro /91, está emprestado pelo Nürnberg ao Oberhausen, mas foi preterido pelo técnico da seleção.
CURTAS
Chuteira caliente
Joel Campbell. Ronald González não quer que a equipe gire em torno de Campbell, porém, o atacante gira em torno da equipe. Artilheiro da Concacaf Sub-20; marcou também uma vez na Copa Ouro. Tem bom primeiro toque e é ágil. Fifa o compara com Samuel Eto’o pela qualidade no domínio com a bola dominada na perna direita. Era cotado para defender o Arsenal na próxima temporada, mas faltou à reunião e o clube inglês desistiu de contratá-lo. O Saprissa iria embolsar quase R$ 4 milhões pela transferência.
Pelota cuadrada
Diego Calvo. Nos profissionais do Alajuelense, Calvo ainda não é figurinha carimbada nem na sua equipe nem na seleção. Despontou como uma ótima promessa, mas não fez temporadas com um nível regular; este verão, por exemplo, atuou três vezes como titular do Alajuelense. Por ora, tem vaga no meio-campo ameaçado pelo /92 Deyver Veja, antigo camisa 10 da Costa Rica sub-17.
El Libertador
Mynor Escoe. Atacante rápido e dotado de boa técnica, Escoe treina com o time principal do Lorient, mas ainda não debutou. Ele próprio afirma que não está preparado para tal cargo, pois não completou totalmente sua adaptação ao novo país. A barreira da língua já foi quebrada; nos treinamentos Escoe se dedica bastante, apesar de ser puxado. Artilheiro nas divisões inferiores francesas, o atacante é titular inquestionável da sub-20 e quer se firmar no cenário internacional com uma boa participação no Mundial.
ELENCO
Goleiros
Andrés Briceño Toruño (Orión) – 21/10/1991
Aaron Cruz Esquivel (San Carlos FC) – 25/05/1991
Mauricio Vargas Campos (Albacete-ESP) – 10/08/1992
Defensores
Keyner Brown Blackwood (Orión-ESP) – 30/12/1991
Francisco Calvo Quesada (San Jac College-EUA) – 08/07/1992
Ariel Contreras Rodríguez (Saprissa) – 05/10/1991
Joseph Mora Cortes (Alajuelense) – 15/01/1993
Jordan Smith Wint (Le Havre-FRA) – 23/04/1991
Ariel Soto González (Orión) – 14/05/1992
Meio-campistas
Juan Gabriel Bustos Golobio (Saprissa) – 09/07/1992
Diego Calvo Fonseca (Alajuelense) – 25/03/1991
Rafael Felipe Chávez Ramírez (Saprissa) – 15/01/1992
Pablo Martínez Portilla (Alajuelense) – 14/01/1992
Yeltsin Tejeda Valverde (Saprissa) – 17/03/1992
Deyver Vega Álvarez (Saprissa) – 19/09/1992
Atacantes
Bryan Vega Chaves (Orión) – 27/05/1991
Vianney Blanco Rojas (Alajuelense) – 01/09/1992
Joel Campbell Samuels (Saprissa) – 26/06/1992
Joshua Díaz Azofeifa (Puntarenas Fútbol Club) – 14/02/1991
Mynor Escoe Miller (Lorient-FRA) – 04/06/1991
John Jairo Ruíz Barrantes (Saprissa) – 10/01/1994
(Colaborou Jonatan Androwiki)
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