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Mundial Sub-20 2011

Mundial Sub-20: Croácia

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Leandro Stein - 25/07/2011

A Croácia está longe de ter a tradição de alguns dos representantes europeus neste Mundial Sub-20. A camisa não pesa como a da Espanha, da França ou da Inglaterra. Ainda assim, com uma equipe consistente e talentosa, a seleção chega à Colômbia credenciada como uma das forças de seu continente. O bom futebol apresentado no Europeu Sub-19 não rendeu apenas a classificação, mas também certa expectativa sobre a geração forjada no país.

Esta é a segunda vez que os croatas disputarão um Mundial Sub-20. Na primeira ocasião, em 1999, um ingrato sorteio os colocou no mesmo grupo de Argentina e Gana. Apesar das dificuldades, a equipe se classificou na segunda colocação, após empatar com as duas potências e golear o Cazaquistão. A má sorte nos chaveamentos, contudo, perdurou nas oitavas de final, quando perderam por 4 a 0 para o Brasil de Ronaldinho Gaúcho. Daquele elenco, o goleiro Stipe Pletikosa e o meia Jurica Vranjes foram os que mais prosperaram.

Se quiser evocar alguns de seus maiores astros, no entanto, a Croácia pode recorrer aos tempos em que ainda era parte integrante da Iugoslávia. Em 1987, o extinto país fez história no Mundial Sub-20 e conquistou o título deixando pelo caminho Brasil e Alemanha Ocidental. Entre os craques daquele time estavam Davor Suker, Robert Prosinečki, Zvonimir Boban, Igor Štimac e Robert Jarni, que tempos depois conduziriam a seleção croata ao terceiro lugar na Copa do Mundo de 1998.

Apesar de sua qualidade, o elenco atual dificilmente repetirá o sucesso de 24 anos atrás. A classificação para a segunda fase deve ser conquistada sem maiores percalços, já que a Nigéria é o único adversário no Grupo D capaz de fazer frente. Daí em diante, a equipe do leste europeu tem potencial para, ao menos, chegar entre os oito melhores da competição.

Sem dever nada para ninguém

O início da preparação dos jogadores croatas nascidos em 1991 deu-se no Europeu Sub-17 de 2008. A equipe, porém, acabaria eliminada no Round de Elite, com um ponto a menos que a Suíça. Superado o fracasso, parte dos jogadores foi reutilizada no início da campanha no Europeu Sub-19 de 2010, iniciada em setembro de 2009.

Na primeira fase qualificatória, os croatas ficaram na ponta de sua chave após derrotarem Estônia e Lituânia, além de darem o troco nos suíços com vitória por 1 a 0. Já na Fase de Elite, os garotos acumularam mais uma vez três êxitos, desta vez deixando Bélgica, Escócia e Montenegro pelo caminho. Somando o desempenho nas duas etapas, o time teve média de 2 gols/jogo e sofreu apenas dois tentos nas seis partidas que fez.

Designada no Grupo B da fase final da Euro Sub-19, a Croácia teria um indigesto caminho pela frente: Espanha, Itália e Portugal. O time tropeçou logo na estreia, ante os espanhóis, com uma derrota de virada por 2 a 1. Contra os italianos, empate por 0 a 0, que gerava a dependência de uma vitória sobre Portugal na última rodada. A classificação, por fim, veio em grande estilo, com goleada por 5 a 0 sobre os Tugas e show do atacante Zvonko Pamić, autor de três tentos.

Com a vaga no Mundial Sub-20 já assegurada, a seleção croata caiu nas semifinais diante da França, que jogava em casa. Em outra partida disputadíssima, o time do leste do continente chegou mesmo a sair na frente, com o volante Ademi. Todavia, assim como aconteceu contra a Espanha, a equipe permitiu que os adversários virassem o placar e acabou eliminada da competição.

Desde então, o grupo de jogadores das gerações /91 e /92 se reuniu poucas vezes para períodos de treinamento e amistosos. A preparação final antes da viagem à Colômbia foi iniciada no dia 15 de julho e, ao invés de realizar partidas contra outras seleções, a federação local preferiu testar o time ante clubes do próprio país. No banco de reservas, Ivan Grnja permanece conduzindo os atletas desde o Europeu. Ex-jogador com passagens pelo futebol iugoslavo e americano, o técnico chegou às seleções de base em 2002 e, além da sub-19, treinou também a equipe nacional sub-21.

Base já consolidada

Como era de se esperar, a grande maioria dos jogadores convocados para o Mundial esteve no campeonato europeu do ano passado. Dos 18 nomes presentes naquela ocasião, apenas quatro não permanecem no grupo, sendo o lateral Sime Vrsaljko o único titular em todas as partidas. O atleta não foi liberado pelo Dinamo Zagreb, assim como o meia Mateo Kovacic, /94 cercado de expectativa no país e que, mesmo indicado para a lista final, foi bloqueado pelo Dinamo. Além dos dois, outra perda significativa é a do atacante Ante Vukusic, vice-artilheiro na última temporada do Campeonato Croata e também impedido pelo Hajduk Split de integrar a seleção.

Apesar dos desfalques, Ivan Grnja elabora a sua seleção em torno da presença de seis jogadores que, segundo suas próprias palavras, formam os pilares do time: o goleiro Delac, o zagueiro Kelic e os meiocampistas Ademi, Pamic, Andrijasevic e Ozobic. Centrada nesses atletas, a equipe deve ser escalada em um esquema 4-3-2-1, com dois laterais defensivos, um meio-campo com boa saída de jogo e dois meia-atacantes abertos pelas pontas. De uma maneira geral, o treinador aposta em um conjunto com forte jogo coletivo, de empenho na defesa e posse de bola no ataque.

Entre os titulares, o destaque começa pelo camisa 1, Matej Delač, considerado um dos melhores goleiros de sua geração no continente. Suas grandes atuações na Euro Sub-19 renderam até mesmo um contrato com o Chelsea logo após a disputa. A única dúvida é quanto ao seu estado físico, já que o arqueiro vem de lesão e pouco atuou na última temporada. Em sua proteção, a defesa é baseada na liderança do capitão Renato Kelic, titular do Slovan Liberec. O setor, porém, é o mais deficiente do time e, com constantes apagões, depende da dedicação do meio-campo para ter um pouco mais de segurança.

A trinca composta por Ademi, Andrijasevic e Pamic, aliás, é dotada de grande capacidade técnica. Ademi, titular no Dinamo Zagreb, faz o papel de cabeça-de-área, enquanto os outros dois estão liberados para apoiar o ataque e testar a meta adversária. A funcionalidade do meio-campo é tamanha que, durante a fase final da Euro Sub-19, seis dos sete gols croatas foram marcados pelos jogadores do setor. Pamic, especialmente, é quem mais se sobressai na organização de jogo. Pertencente ao Bayer Leverkusen e emprestado ao Duisburg na próxima temporada, o camisa 7 possui bom toque de bola e uma enorme precisão nos chutes de direita.

Mais à frente, o camisa 11 Ticinovic e Ozobic devem ser os externos titulares, com destaque para o segundo, eleito pela Uefa como a revelação de seu país no Europeu. Caindo pelo lado esquerdo, o atleta do Spartak Moscou é bastante habilidoso e costuma servir os companheiros com muitas assistências – somente na goleada sobre Portugal no continental foram três. Ozobic deverá passar a bola para Ivan Lendric, que não esteve na campanha de classificação ao Mundial. Apesar da ausência, o centroavante vem credenciado pela artilharia do último Campeonato Bósnio, quando anotou 16 tentos em 28 partidas. Com boa movimentação, a expectativa é de que o camisa 18 supere a falta de gols recente dos avantes da equipe.

Curtas

Chuteira Caliente

Ele não é o centroavante da Croácia, mas boa parte dos gols da equipe na Euro Sub-19 saíram de seus pés. Franko Andrijašević marcou nada menos que três tentos nas fases qualificatórias, além de outros dois na etapa final. Ainda brigando por seu espaço no Hajduk Split, o meio-campista tem bastante moral nas seleções de base, chegando mesmo a ser convocado para a equipe sub-21. Entre as suas virtudes, está o vigor físico e a boa finalização, especialmente de distâncias médias. Também é o cobrador de pênaltis da equipe.

Pelota Cuadrada

Durante as fases de qualificação no Campeonato Europeu Sub-19, Anton Maglica foi o artilheiro croata, anotando quatro gols em seis jogos. Contudo, como centroavante vive de gols, uma seca arrebatou o camisa 17 durante a etapa final do torneio e ele acabou indo parar no banco. Titular em parte da última temporada pelo Osijek, deve ser preterido por Ivan Lendric, recentemente contratado pelo Sporting Braga, de Portugal.

El Libertador

Apesar de uma velha premissa do futebol dizer que goleiro bom é goleiro experiente, Matej Delac contrariou a máxima. Aos 16 anos, assumiu a titularidade no Inter Zapresic, da primeira divisão croata, e fez um excelente campeonato na temporada seguinte. O camisa 1 ratificou as suas qualidades no Europeu Sub-19, quando foi apontado por muitos como o melhor da competição. Contratado pelo Chelsea por três milhões de euros em seguida, o prodígio passou os últimos meses no banco do Vitesse. Titular também da seleção sub-21, o /92 possui bom posicionamento e reflexo apurado.

Goleiros

1 - Matej Delač (Chelsea-ING) – 20/08/1992
12 - Dominik Picak (Dinamo Zagreb) – 12/02/1992
21 - Michael Paradžiković (Cibalia) – 09/01/1991

Defensores

2 - Ivor Horvat (Lokomotiva) – 19/08/1991
3 - Dario Rugašević (Cibalia) – 29/01/1991
5 - Renato Kelić (Slovan Liberec-TCH) – 31/03/1991
6 - Tomislav Glumac (Hajduk Split) – 14/05/1991
13 - Marko Lešković (Osijek) – 27/04/1991
14 - Roberto Punčec (Varaždin) – 27/10/1991

Meiocampistas

4 - Franko Andrijašević (Hajduk Split) – 22/06/1991
7 - Zvonko Pamić (Duisburg-ALE) – 04/02/1991
8 - Arijan Ademi (Dinamo Zagreb) – 29/05/1991
10 - Filip Ozobić (Spartak Moscou-RUS) – 08/04/1991
11 - Mario Tičinović (Hajduk Split) – 20/08/1991
15 - Antonio Jakoliš (Šibenik) – 28/02/1992
16 - Frano Mlinar (Lokomotiva) – 30/03/1992
19 - Marin Zulim (Hajduk Split) – 26/10/1991

Atacantes

9 - Andrej Kramarić (Dinamo Zagreb) – 19/06/1991
17 - Anton Maglica (Osijek) – 11/11/1991
18 - Ivan Lendrić (Hajduk Split) – 08/08/1991
20 - Ivan Blažević (Inter Zaprešić) – 25/07/1992



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