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Mundial Sub-20 2011

Mundial Sub-20: Áustria

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Maurício Vargas - 27/07/2011

Azarões. É com este adjetivo que os austríacos podem ser definidos neste Mundial Sub-20. Com a classificação certamente mais sofrida e difícil entre as 24 seleções, os alpinos chegam à Colômbia com a esperança de repetirem o feito de quatro anos atrás, quando também chegaram ao Canadá como meros coadjuvantes e acabaram surpreendendo o mundo com um futebol prático e eficiente, que os levou até à semifinal. Mas por mais que uma reprise seja o sonho deste grupo, ele parece bastante longe de se tornar realidade, principalmente por conta dos desfalques.

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Esta será a quarta participação da Áustria em mundiais da categoria. As duas primeiras foram dignas de serem esquecidas: no primeiro campeonato, na Tunísia, em 1977, eliminação na primeira fase com derrotas para o Paraguai (1 a 0) e Iraque (incríveis 5 a 1) - a vergonha só não foi maior porque na última rodada a equipe arrancou um empate sem gols com a futura campeã União Soviética. Já no México, em 1983, nem mesmo um jovem atacante de nome Toni Polster salvaria os alpinos de um novo papelão: foram três goleadas e a pior campanha do Mundial - 4 a 0 para a Tchecoslováquia e 3 a 0 para China e Argentina.

Em 2007, entretanto, a história foi diferente. Inicialmente em um grupo sem grandes favoritos, a Áustria se classificou sem brilho após empates com Chile (0 a 0) e Congo (1 a 1) e uma vitória com placar mínimo sobre os donos da casa. A classificação às quartas de final foi relativizada por mais um adversário fraco nas oitavas (vitória de 2 a 1 sobre Gâmbia), mas já ali surgiam os grandes nomes daquele time: o zagueiro e lateral Sebastian Prödl, o meia Martin Harnik e os atacantes Rubin Okotie e Erwin Hoffer.

Contra um badalado time estadunidense que tinha, entre outros, Freddy Adu e Jozy Altidore, os austríacos fizeram um jogo eletrizante e venceram de virada na prorrogação, para então caírem diante da superioridade física da República Tcheca, numa derrota por 2 a 0 definida nos quinze minutos iniciais. Na decisão do terceiro lugar, novo encontro com os chilenos, mas nova derrota. Foi sem dúvida um verão mágico para os alpinos, cuja seleção principal aposta em boa parte nesta nova geração para voltar a uma Copa do Mundo após sua última participação, em 1998. Afinal, nomes como Hoffer, Prödl, Harnik e Juzunovic já são freqüentes nas convocações de Didi Constantini.

Desistir jamais

Superação. É assim que pode ser definida a classificação austríaca para o Mundial. Pense numa classificação sofrida. Acrescente gols nos últimos minutos, indefinição até os últimos segundos e recuperações impensáveis – tudo isso mesmo contando com o fator campo. Foi assim que a Áustria carimbou seu passaporte para o quarto Mundial Sub-20 de sua história, mesmo sendo sede de seu grupo nas duas fases classificatórias (algo muito raro de ser permitido pela Uefa, e portanto uma sorte danada).

Na primeira fase qualificatória, uma estreia com autoridade: 5 a 1 sobre a Armênia, com dois gols nos acréscimos. Na sequência, derrota por 4 a 0 para a Romênia e vitória por 1 a 0 sobre a Escócia, para terminar em terceiro do grupo num empate triplo de seis pontos cada, com um gol de saldo a menos que a Romênia. A classificação para o Elite Round veio na última vaga, como um dos dois melhores terceiros colocados, graças a um confuso critério da Uefa em que apenas os pontos conquistados contra os dois melhores de cada grupo eram levados em conta.

Passado o susto, o desempenho no Elite Round teria de ser muito melhor para avançar à fase final do Europeu Sub-19. Novamente como sede, os austríacos começaram com o pé esquerdo e foram derrotados pelos vizinhos suíços (que tinham um time experiente, com alguns campeões mundiais sub-17 em 2009) por 3 a 2. Mal sabia marco Djuricin, atacante do Herta Berlim, que o gol de honra que ele marcou aos 49 do segundo tempo faria a diferença pouco tempo depois.

Na segunda rodada contra a Sérvia, vitória por 2 a 0 com novo gol nos acréscimos – dessa vez, de Christoph Knasmüllner, aos 45. Com as quatro equipes chegando à rodada final com três pontos e apenas o campeão de cada chave se classificando, os jogos foram eletrizantes: a Sérvia derrotou a Suíça por 4 a 2 e a Áustria bateu a Dinamarca por 4 a 3, terminando em primeiro lugar com campanha idêntica à da Sérvia, exceto por um gol a mais de saldo.

Na fase final do Europeu Sub-19 não poderia ser mais sofrido, poderia? Sim, poderia – e foi. Correndo totalmente por fora em um grupo com Holanda, Inglaterra e França, dona da casa, até mesmo a terceira colocação da chave e a classificação para o Mundial parecia distante. E se a aparência parecia se confirmar com a derrota inaugural para os ingleses por 3 a 2, só se tornou ainda mais cristalina na goleada de 5 a 0 para os franceses. No confronto com os holandeses, apenas uma vitória carimbaria o passaporte para a Colômbia, já que o primeiro critério de desempate era o confronto direto. E ela veio com um gol de pênalti de Djuricin a três minutos do fim da partida, para delírio dos jogadores e comissão técnica.

Defender primeiro

Cautela. Deverá ser este o substantivo mais empregado durante a participação austríaca no Mundial Sub-20. Um time desfalcado, ciente de suas limitações, resguardado na defesa, que respeita o adversário e o estuda, atacando somente quando possível. A filosofia do time é razoavelmente diferente da apresentada pela equipe de Paul Gludovatz em 2007, de posse de bola e troca constante de passes. Os resultados durante a campanha do Europeu Sub-19 reforçam esta preocupação: a equipe foi goleada duas vezes e sofreu 19 gols em nove jogos, o que mostra que ainda há muito trabalho a ser feito.

O maior responsável por esta mentalidade é, sem dúvida, o treinador: Andreas Heraf assumiu a seleção sub-20 em 2008, após passagens por equipes pequenas da primeira divisão ou até mesmo da segunda divisão austríaca. Sua preocupação defensiva explica-se pelo seu passado como jogador, um burocrático volante que passou praticamente toda a carreira no futebol local,com uma rápida passagem pelo Hannover. Seu melhor momento foi no Rapid Viena, de 1995 a 1999, período em que integrou a seleção e acabou convocado para a Copa de 98, sem sequer ter entrado em campo.

A equipe joga num ortodoxo 4-4-2, com o goleiro Philip Petermann e o zagueiro e capitão Michael Schimpelsberger comandando a defesa. O meio campo não tem muita criatividade, e depende de jogadores que atuam tanto defendendo quanto atacando (algo como uma linha repleta de segundos volantes, como gosta de simplificar o futebol brasileiro). Os principais destaques são Christian Klem, artilheiro do time nas três fases do Europeu Sub-19, com quatro gols, e Robert Gucher, com passagens pelo futebol italiano. O ataque ao menos é internacional: Andreas Weimann, já profissional pelo Aston Villa, e Marco Djuricin, campeão da 2. Bundesliga pelo Herta Berlim, serão responsáveis por colocar a bola para dentro.

Com pouco talento à disposição, o time sentirá demais a falta de seus principais jogadores, não liberados por seus clubes: David Alaba, curinga do Bayern de Munique (já atuou como zagueiro, lateral e meio-campo) e já na seleção principal austríaca e Christoph Knasmüllner, habilidoso meia atacante da Internazionale. Além deles, outros três titulares ficarão de fora devido ao “não” de seus donos – Aleksandar Dragovic, volante titular do Basel e da seleção principal e a dupla do Stuttgart Alexander Aschauer e Raphael Holzhauser, atacante e volante (o clube alemão liberou apenas o meia Kevin Stöger, de 17 anos, mais novo do elenco e que provavelmente só ganhará experiência). Se somarmos a eles Marcel Ritzmaier, meia de 18 anos que o PSV não liberou para nenhuma das fases do Europeu Sub-19 e Gernot Trauner, titular durante a fase final do Europeu, mas machucado, tem-se quase um time inteiro de desfalques.

A preparação limitou-se a alguns períodos de treinamento na sede da Federação Austríaca e jogos-treino contra equipes locais. Desde a chegada à Colômbia, na semana da estreia, as condições climáticas (alta temperatura e umidade) dificultaram os treinamentos. Para piorar, a comissão técnica reclamou da qualidade do campo e do centro de treinamento oferecidos. “Nossa preocupação, que deveria estar focada no desenvolvimento do time, está em que nenhum jogador se machuque durante os treinamentos devido ao estado do gramado”, disse o técnico Andreas Heraf.

Como o grupo tem apenas o Brasil como favorito destacado, a esperança é bater o Panamá na estreia e beliscar alguma vaga como terceiro lugar, já que o Egito, pelo que demonstrou no Africano Sub-19, é um time superior tecnicamente. Será difícil para Heraf fazer algum omelete com tão poucos ovos, mas para uma equipe que já se superou tanto até aqui, não seria surpresa alguma fazê-lo de novo.

Curtas

Chuteira caliente

Marco Djuricin. Converteu o pênalti da classificação para o Mundial e foi autor de outros gols importantes da campanha austríaca, aparecendo muito mais que o badalado Weimann. Dotado de um bom porte físico (1,81m), chegou ao Herta Berlim aos 16 anos, onde foi vice-campeão alemão sub-19. Graças a diversas lesões no elenco, foi chamado ao time principal e fez parte do elenco campeão da 2. Bundesliga. Tem ótimo aproveitamento nas seleções de base, tendo marcado sete gols em 16 jogos desde o sub-17. Ainda que deva viver sob a sombra de Weimann, badalado camisa 9, deverá ser quem irá resolver para o time alpino.

Pelota cuadrada

Robert Gucher. Internacional austríaco desde o sub-16, Gucher já rodou um bocado para seus 20 anos. Surgiu com grande cartaz no Grazer AK, clube pequeno de sua cidade natal, e recebeu uma oferta do Aston Villa, com a qual concordou. Entretanto, o Grazer não concordou com a negociação e foi travada uma verdadeira batalha entre os dois times, com Gucher finalmente permanecendo na Áustria. Descontente, acabou negociado com a Frosinone, da Itália, e logo foi comprado pelo Genoa. Voltou à Frosinone emprestado e já foi repassado ao Kapfenberg, time pequeno da primeira divisão austríaca. Aos 20 anos, o meia terá neste Mundial sua última chance de decolar de vez na carreira.

El Libertador

Michael Schimpelsberger. Seguido de perto por observadores desde os sete (!) anos, o defensor passou pelas bases dos principais times austríacos, como Austria Viena e Red Bull Salzburg, até se profissionalizar no Twente e chegar ao Rapid Viena no início do ano. Titular das seleções de base desde a sub-17, já atuou até mesmo em partida da Liga dos Campeões pelo time holandês. Mais velho do elenco, será o capitão e a liderança moral austríaca na Colômbia.

ELENCO

Goleiros

1 – Samuel Radlinger (Hannover 96-ALE) – 07/11/1992
12 – Christoph Riegler (St. Pölten) – 30/03/1992
21 – Philip Petermann (Parndorf) – 03/08/1991

Defensores

2 – Richard Windbichler (Trenkwald) – 02/04/1991
3 – Emir Dilaver (Austria Viena) – 07/05/1991
4 – Lukas Rotpuller (Austria Viena) – 31/03/1991
5 – Michael Schimpelsberger (Rapid Viena) – 12/02/1991
14 – Patrick Farkas (Mattersburg) – 09/09/1992
15 – Lukas Rath (Mattersburg) – 18/01/1992

Meiocampistas

6 – Tobias Kainz (Heereven-HOL) – 31/10/1992
7 – Kevin Stöger (Stuttgart-ALE) – 27/08/1993
8 – Robert Gucher (KSV Superfund) – 20/02/1991
11 – Daniel Offenbacher (Red Bull Salzburg) – 18/02/1992
13 – Marcel Ziegl (SV Ried) – 20/12/1992
16 – Georg Teigl (Red Bull Salzburg) – 09/02/1991
17 – Marco Meilinger (Red Bull Salzburg) – 03/08/1991
18 – Christian Klem (Sturm Graz) – 21/04/1991
19 – Daniel Schütz (Wacker Innsbruck) – 19/06/1991

Atacantes

9 – Andreas Weimann (Aston Villa-ING) – 05/08/1991
10 – Marco Djuricin (Herta Berlim-ALE) – 12/12/1992
20 – Robert Zulj (SV Ried) – 05/02/1992



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