Tiago Mattar - 28/07/2011
Sem estardalhaços, com grande quantidade de discrição, e bastante acanhamento. Assim, marca-se todas as participações do Panamá em torneios mundiais sub-20. Tudo isso está evidenciado pelos números (não) conquistados até então. Nas três edições em que esteve presente, a seleção ‘canelada’, como é conhecida, conquistou apenas um empate e nada mais do que derrotas. O único ponto foi alcançado no Mundial do Canadá, em 2007, no confronto diante da Coreia do Norte, que não saiu do 0x0.
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O alento, bem tímido, são as boas campanhas em fases eliminatórias, que renderam ao país a classificação nas três oportunidades citadas acima – em 2003, nos Emirados Árabes, em 2005, na Holanda, em 2007, no Canadá – e para esta vez, no torneio a ser disputado na Colômbia. Ainda assim, os nativos depositam poucas esperanças no futebol de sua seleção. O ponto positivo é a boa preparação realizada, com amistosos internacionais.
Assim como ocorreu com a equipe que disputou pela primeira vez o Mundial Sub-17, a população considera o simples fato de alcançar um lugar na primeira fase uma sinalização do crescimento do esporte naquele país e, portanto, uma grande conquista. Para os integrantes da comissão técnica, no entanto, pode-se sonhar com muito mais. “Nós temos toda a intenção de fazer história, muito mais, alias, do que só participar do torneio”, afirmou em coletiva de imprensa o treinador José Alfredo Poyatos.
Classificação convincente e preparação intensa
A dificuldade que sempre é encontrada nas eliminatórias da Concacaf, e que tirou a seleção panamenha do último Mundial, no Egito, foi uma das grandes preocupações identificadas pela Fepafut (Federação Panamenha de Futebol) e pela comissão técnica na elaboração do planejamento. Para isso, no entanto, muita transpiração até chegar a esta fase.
Antes de iniciar o pré-mundial, foram disputados cinco amistosos diante de equipes locais. Com exceção de um, no empate diante do Atlético Nacional, todos foram vencidos pelos “Caneleiros”, inclusive o jogo contra a seleção cubana, seis dias antes da estreia nos jogos decisivos. A goleada por 4 a 1 certamente empolgou os jovens.
Nas Eliminatórias, a afirmação. Estreia convincente diante do Suriname (3x0). Em seguida, um jogo com dificuldade mais apurada e derrota contra os norte-americanos (2x0). Com os resultados, a classificação às quartas de final, vencidas, por sinal (2x0) diante dos Hondurenhos. Em seguida, nas semifinais, a seleção mais qualificada da fase pré-mundial, o México, que acabou por esmagar os panamenhos (4x1). Na disputa pelo terceiro lugar, mas já classificado ao Mundial, o revés, nos pênaltis, para a Guatemala, deu ponto final ao mini-torneio.
Mas não parou. Em ritmo alucinante e dois meses após o término da fase classificatória, o Panamá voltou a atuar. Em 22 de junho, a preparação teve seu ápice negativo, em duas derrotas diante do Equador. A recuperação veio em seguida, no empate diante do forte Botafogo. A fase de preparação acabou com a disputa de outro torneio, o “Copa Presidente de La Republica”, com participações de Nigéria, México e Portugal. “Los Caneleros” ficaram com a segunda colocação, mas empatados no número de pontos com a seleção mexicana.
A seleção panamenha tem em seu comando um ex-jogador do futebol, como em outras categorias do esporte, no país. Trata-se de José Alfredo Poyatos. Com história destacada no Tauro FC, clube conhecido nacionalmente, Poyato acabou na carreira de treinador tempos depois. Seu primeiro clube, claro, foi o próprio Tauro. Antes de chegar à seleção sub20, no entanto, Poyatos foi diretor técnico do clube adversário no país, o Atlético Chiriquí.
Responsabilidade na mão de poucos
Poyatos já disse em diversas ocasiões que deposita total confiança em seus atletas mais experientes, não necessariamente os mais velhos, mas aqueles com experiência no futebol internacional. Em entrevista, o comandante panamenho destacou o e o goleiro Luis Mejía, do Toulouse, da França e o zagueiro Harold Cummings, que atua no River Plate, do Uruguai. Ambos os atletas chegaram, junto da seleção principal, as semifinais da Copa Ouro, disputada no inicio de 2011.
Escalada no tradicional 4-4-2, com um meia de criação e três volantes na contenção, “Los Caneleiros” não prometem tanto poder ofensivo, mas bastante raça e força de vontade para superar a qualidade técnica dos adversários, teoricamente mais fortes. O técnico panamenho já disse como quer ver o posicionamento de seus atletas dentro das quatro linhas. “Quero uma equipe que tenha chegada, com personalidade. Disse a eles que quero ver uma equipe como vi no pré-mundial”, afirmou.
Concluindo, Poyatos comentou sobre a importância do conjunto e externou confiança de invencível. “Temos jogadores com características individuais, que levam o jogo sozinho. Mas eu disse a estes que devemos jogar em conjunto, evitar jogar para o público, e se jogarmos como equipe, somos quase invencíveis”, finalizou.
CURTAS
Chuteira Caliente
José Diego Alvarez. Há dias de completar um ano jogando no futebol checo, Alvarez é a esperança do comandante Poyatos para assinalar os gols da seleção panamenha. Junto com seu companheiro de ataque, Cecilio Waterman, foi o principal responsável por garantir a classificação ao mundial. De características, destaca-se no avante a força física, a velocidade e o poder de visão do jogo.
Pelota Cuadrada
Erick Davis. Homem de contenção da equipe panamenha, Davis tem no preparo físico seu principal atributo. No entanto, pouco fez durante o tempo de preparação. É titular absoluto, por ter a confiança absoluta do treinador Poyatos, mas precisará mostrar mais futebol para se manter entre os onze titulares. É jogador essencial na formação da seleção.
El Libertador
Luis “Manotas” Mejía. Experiente goleiro e capitão da equipe, Mejía é um dos poucos dentro do elenco com vivência internacional e, mais importante, tem em suas costas a confiança irrestrita do técnico Alfredo Poyatos. Já na seleção principal, foi destaque na mídia local, que o assinalou como a maior revelação recente do futebol daquele país. Tem em Ikar Casillas, goleiro do Real Madrid, o espelho para o sucesso.
ELENCO
Goleiros
1 - Luis Mejía (Toulouse, França) - 16/03/1991
12 - Kevin Melgar (Alianza) - 19/11/1992
21 - Adnihell Ariano (Tauro) - 14/01/1991
Defensores
3 - Harold Cummings (River Plate, Uruguai) - 01/03/1992
2 - Edward Benítez (Chorillo) - 15/10/1991
6 - Francisco Vence (Chorrillo) - 11/04/1992
13 - Roderick Miller (San Francisco) - 03/04/1992
4 - Josué Flores (Chorrillo) - 31/03/1993
18 - Algish Dixon (Alianza) - 12/03/1992
14 - Josimar Gómez (Chepo) - 19/01/1991
Meio-campistas
10 - José Gómez (Chepo) - 28/06/1992
5 - Manuel Vargas (Tauro) - 19/01/1991
16 - Rolando Botello (Tauro) - 20/11/1991
11 - Erick Davis (Árabe Unido) - 31/03/1991
8 - Paul Cordero (Chepo) - 28/03/1991
Atacantes
19 - Allan Hernández (Chievo Verona, Itália) - 19/01/1992
20 - José Diego Álvarez (Slavia Praga - República Tcheca) - 25/08/1992
15 - Javier Caicedo (Plaza Amador) - 14/07/1991
7 - Jairo Jiménez (Torrellano Illice, Espanha) - 07/07/1993
9 - Cecilio Waterman (Fénix, Uruguai) - 13/04/1991
17 - Gabriel Ávila (Atlético Chiriquí) - 12/04/1991
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