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Mundial Sub-20 2011

Mundial Sub-20: Argentina

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Marcus Alves - 29/07/2011

A Argentina tinha um projeto. Um projeto vencedor, que garantiu ao país suas poucas glórias após o título da Copa da América de 1993. Mais do que isso, um projeto inspirador. Em entrevista a jornalistas durante a disputa dessa mesma Copa América, semanas atrás, o técnico do campeão Uruguai, Oscar Tabárez, explicou que a origem de seu projeto teve como inspiração o trabalho desenvolvido por José Pekerman do outro lado do Rio da Prata.

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Mesmo assim, a Argentina pôs fim a essa estrutura em 2007 sob a alegação de que era preciso chacoalhar as coisas. As coisas foram chacoalhadas. A geração bicampeã mundial em 1986 tomou as rédeas da base e deu início a um trabalho que tinha como objetivo principal expandir a formação de jogadores para o interior. Os resultados, bem, estão aí.

E não se fala aqui dos resultados em campo – estes, Maradona, Sergio Batista e seus colegas hão de concordar, é melhor nem comentar. Fala-se, na verdade, sobre os frutos desse trabalho mesmo. Os argentinos retornam ao Mundial  Sub-20 depois de terem ficado ausentes em 2009, no Egito, e o que se vê em seu grupo é a presença de apenas um jogador do interior. O atacante Carlos Luque, Colón. Algo está errado e Julio Grondona parece estar ciente disso.

Chacoalhou mais uma vez. E não foi o seu esqueleto. Mas a estrutura do futebol do país, a seleção principal e, não faz segredo, pode estender a onda de mudanças para os times menores. Hugo Tocalli, ex-companheiro de Pekerman, já tem o seu nome especulado, antes mesmo do Mundial Sub-20, para o lugar do atual treinador da equipe, Walter Perazzo. O mesmo Tocalli que em 2007 viu o ciclo de um trabalho ser encerrado no Sul-Americano Sub-15 disputado no Brasil.

E é esse mesmo grupo de garotos, mais maduro, que vai em busca do sétimo título dos juniores na Colômbia. Não será fácil. Há a pressão sobre o futuro, pela conquista de resultados e o próprio Perazzo admite, essa não é a melhor geração que o país já enviou para o torneio. Nomeia Brasil, França e Espanha entre os favoritos. A Argentina pode chegar lá, mas terá que suar. E convencer.

Fortalecidos

A dor faz parte da vida. E essa seleção sub-20 já vem aprendendo a lidar com ela. Parte dela esteve no Peru, meses atrás, e falhou na busca pela vaga na Olimpíada – Uruguai e Brasil ficaram com as vagas. Ao retornarem a seus clubes, se depararam com cenários que não se costuma apontar como ideal para o desenvolvimento de talento.  De fato, não são e os números corroboraram com isso.

Dentre os 21 jogadores chamados para a viagem até a Colômbia, oito foram rebaixados na última temporada com seus times – e aí não entra na conta Erik Lamela, estrela principal da companhia e já vendido pelo River Plate à Roma. Do River, aliás, vem o maior número de atletas que experimentaram a queda para a segunda divisão no último semestre. Algo que preocupou e ainda preocupa o técnico Walter Perazzo. Em seu primeiro dia de trabalho, ele revelou, uma de suas primeiras atitudes foi conversar com os garotos para ver como eles se encontravam.

No quinteto buscado por Perazzo, não estava Rogelio Funes Mori. O atacante millonario que chegou com muito cartaz ao Sul-Americano da categoria e não correspondeu foi deixado de fora. Nenhuma aberração aí, avalia Perazzo. Segundo o treinador, pode até haver alguma contestação ou outra – ele cita o nome de Sergio Araujo, revelação do Boca Juniors e desejada pelo Barcelona –, mas afirma que todos aqueles que vinham se destacando em seus clubes foram chamados para a competição. “Não excluí nenhum Messi”, afirma.

São 14 anos de carreira como treinador. Como jogador, conquistou destaque ao marcar alguns gols com a camisa do San Lorenzo. Não chega a ser alguém conhecido no país, mas ele acredita que seus jogadores conhecem o seu passado e o respeitam por isso. Walter Perazzo está no lugar que sempre sonhou, como definiu ao longo do Sul-Americano do Peru. E precisará fazer valer os conhecimentos adquiridos como goleador para estender por mais algum tempo o seu sonho.

Nem tão Barcelona assim

Perazzo fala em crise mundial, sobre uma seca de jogadores que afeta não só a Argentina, mas vários outros países. Não há, prossegue o comandante, mais dois ou três jogadores com potencial acima da média em cada time. Há quem ouse corrigi-lo. O que se vê em sua convocação em si, apontam os jornalistas argentinos. Existe, segundo eles, uma espécie de triângulo de forças, composto por Erik Lamela, Juan Iturbe e Facundo Ferreyra.

Todos jogadores de linha de frente, motivo pelo qual Perazzo se dedicou a preparar, durante os treinos para o Mundial, esquemas que valorizem a pegada no meio-campo. Algo que, ele acredita, ajudará a resguardar um setor que foi bem no caminho até a classificação e tem nomes como Germán Pezzella, Hugo Nervo e Nicolás Tagliafico a serem seguidos. Leonel Galeano e Leandro González Pirez brigam para fechar a linha de proteção ao goleiro Esteban Andrada, que já recebeu até proposta do Barcelona.

É a partir daí que surgem as dúvidas de Perazzo, com os dois volantes de pegada (Ezequiel Cirigliano, Rodrigo Battaglia e Matías Laba são as alternativas) e mais três jogadores para a armação – Juan Manuel Iturbe, Lamela e Roberto Pereyra são os favoritos para formar o trio que terá como missão abastecer Ferreyra de assistências.

Um time que deverá jogar no 4-2-3-1 variando para o 4-3-3 e que pode chegar a atuar com três zagueiros também. A inspiração não vem de Pekerman e Tocalli – aliás, não ouse citá-los próximo Perazzo e seus auxiliares. Vem, na verdade, do Barcelona. Sim, o mesmo Barcelona tão propagandeado por Sergio Batista antes da Copa América e com quem – ou melhor, sozinho, ele morreu abraçado. Perazzo não fala com Batista desde a derrota da Argentina para o Uruguai, em casa, e não deverá se fiar tão fortemente na ideia. Ao menos é o que se espera.

CURTAS

Chuteira caliente

Rodagem não lhe falta. No último Torneio Clausura, conseguiu, inclusive, encerrar como titular do Banfield. Até aqui, foram 25 jogos com sete gols marcados. Facundo Ferreyra é a aposta argentina para fazer a rede balançar na Colômbia. Alguém que foge do estima de atacante baixinhos que parece perseguir o país e que seria prolongado com a chamada de Sergio Araujo.

Pelota cuadrada

Leonel Galeano caminha para o jogo de número 100 com o Independiente na primeira divisão. O zagueiro de 20 anos já viu o seu nome ligado ao exterior, entrou e deixou os titulares de seu clube, carregou a braçadeira de capitão nos juniores argentinos e, ainda assim, não deslanchou. Falta algo. Talvez talento.

El Libertador

Em sua chegada a Roma, Erik Lamela surpreendeu. Surpreendeu com o visual à la Cristiano Ronaldo. Digno de alguém que tem personalidade. Personalidade para liderar o River Plate em um de seus momentos de maior dificuldade e que precisará colocar isso à prova mais uma vez em gramados colombianos. A esse não falta talento.

Elenco

Goleiros


Esteban Andrada (Lanús) - 26/01/1991
Rodrigo Rey (River Plate) - 08/03/1991
Damián Martínez (Arsenal) - 02/09/1982

Defensores

Germán Pezzella (River Plate) - 27/06/1991
Nicolás Tagliafico (Banfield) - 31/08/1992
Hugo Nervo (Arsenal) - 06/01/1991
Matías Laba (Argentinos Juniors) - 19/12/1991
Adrián Martínez (San Lorenzo) - 12/02/1991
Leandro González Pirez (River Plate) - 26/02/1991
Leonel Galeano (Independiente) - 02/08/1991
Lucas Kruspzky (Independiente) - 06/04/1992

Meio-campistas

Ezequiel Cirigliano (River Plate) - 24/01/1992
Roberto Pereyra (River Plate) - 17/09/1991
Erik Lamela (River Plate) - 25/03/1992
Alan Ruiz (Gimnasia La Plata) - 19/08/1993
Lucas Villafáñez (Independiente) - 04/10/1991
Rodrigo Battaglia (Huracán) - 12/07/1991

Atacantes

Agustín Vuletich (Vélez Sarsfield) - 11/03/1991
Carlos Luque (Colón) - 01/03/1993
Juan Manuel Iturbe (Porto) - 04/06/1993
Facundo Ferreyra (Banfield) - 31/08/1992



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