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Mundial Sub-20 2011

Mundial Sub-20: México

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Leandro Stein - 29/07/2011

O resultado obtido pelo México no último Mundial Sub-17 dá um ânimo extra para a equipe que seguiu sub-20 à Colômbia. Dotada de uma boa geração e empurrada pela torcida, que lotou os estádios na maior parte dos jogos, a seleção do país conquistou o bicampeonato da categoria. A motivação, porém, acaba por aí. Desta vez, o fator “casa” não ajudará El Tri. E, em uma competição menos nivelada que a juvenil, os mexicanos aparecem um pouco atrás do pelotão dos favoritos.

O México não possui entre os sub-20 a tradição que fez valer no sub-17. Apesar de ter participado de 11 das 17 edições do campeonato até aqui, a equipe tem se ausentado nos últimos anos. Somente nos últimos cinco campeonatos, os mexicanos não conseguiram a classificação em três, inclusive no de 2009. Apesar de ter passado de fase em sete ocasiões em Mundiais Sub-20, a única vez em que chegaram à decisão foi na primeira edição, em 1977. Com os primeiros de cada grupo se classificando diretamente para as semifinais, o El Tri eliminou o Brasil nos pênaltis para perder, também nos pênaltis, a decisão para a União Soviética.

Nas outras ocasiões, o máximo que os mexicanos alcançaram foram as quartas-de-final. Entre os algozes, equipes de peso, como Portugal de Figo e Rui Costa, a França de Henry e Trezeguet e a Argentina de Aguero e Di Maria. Ao menos as participações no Mundial Sub-20 valeram para preparar alguns dos jogadores mais respeitados na história da seleção local. Em 1983, o time eliminado ainda na primeira fase contava com Bernal, España e Luis García. Dois anos depois, foi a vez de García Aspe, De La Torre e Ambriz serem quadrifinalistas. Em 1999, o país caiu na mesma fase com Rafa Márquez, Osorno e Torrado. Por fim, na última participação, em 2007, estavam presentes Chícharito Hernández, Giovani dos Santos e Vela.

Para a atual edição, os mexicanos esperam revelar tantos talentos quanto já apresentaram no passado. O caminho rumo ao título, contudo, promete ser extremamente penoso. O time já deu o azar de cair no “grupo da morte” da vez e, contra Argentina, Inglaterra e a campeã asiática Coreia do Norte, até mesmo a terceira posição deverá ser festejada. Um segundo lugar ao menos já é o suficiente para colocar o México contra outro segundo colocado nas oitavas de final – vindo do Grupo B, de Uruguai e Portugal. Daí em diante, cair nas quartas de final, como tem acontecido recorrentemente, não será nenhum vexame.

Testado e (parcialmente) aprovado

A preparação da geração mexicana /91 e /92 visando especificamente o Mundial Sub-20 teve início logo nos primeiros meses de 2010. Desde já o trabalho foi coordenado pelo técnico Juan Carlos Chávez, ex-jogador de carreira mediana e companheiro de Raúl Gutiérrez, o treinador campeão com a sub-17, durante a Copa do Mundo de 1994. Chávez, aliás, está no cargo de técnico da seleção sub-20 desde 2009, quando foi eliminado ainda na primeira fase do qualificatório da Concacaf e não obteve vaga no Mundial.

Após aprender com as falhas, o comandante colocou a nova geração em teste logo em janeiro do ano passado, durante o Torneio Internacional de Punta Del Este. E a primeira prova mostrou que a preparação intensa estava no caminho certo, com o título obtido com vitória sobre o Brasil na decisão – durante a primeira fase, venceram Paraguai e Argentina. A sequência continuou em março, com a Dallas Cup, na qual foram semifinalistas. Até o fim do ano, ainda participariam de dois pequenos torneios na América do Sul: Integración Latinoamericana (eliminados após empatar com a Argentina e perder para o Uruguai) e Internacional de Córdoba (vice-campeões).

Já em 2011, após mais alguns amistosos, sobretudo contra seleções da América Central, El Tri deu início à busca pela vaga no Mundial Sub-20, no fim de março, na qualificatória da Concacaf disputada na Guatemala. E, sejamos francos, a classificação veio até de maneira fácil. Na primeira fase, dois passeios: 3 a 0 sobre Cuba e 5 a 0 em Trinidad e Tobago. A viagem à Colômbia, por sua vez, foi assegurada nas quartas de final, com sonoros 3 a 0 sobre o Canadá. Depois disso, 4 a 1 em cima do Panamá e, na decisão do torneio, o título veio com o placar de 3 a 1, obtido de virada contra a Costa Rica.

Contra seleções de maior tradição, no entanto, o México não respondeu tão bem assim. Em junho, a seleção treinada por Chávez participou do Torneio de Toulon, terminando em quarto lugar. A equipe até conseguiu derrotar Hungria e China na primeira fase, mas foi goleada pela França por 4 a 1. Nas semifinais, 2 a 1 Colômbia e, na disputa do terceiro lugar, a Itália venceu nos pênaltis, após empate no tempo normal. No início de julho, oito atletas ainda puderam pegar um pouco mais de rodagem com a convocação para a Copa América. Três deles foram titulares. E mesmo que os mexicanos tenham sido os sacos de pancada do torneio, ao menos os garotos ganharam experiência na competição.

Por fim, nas últimas semanas de preparação, com o elenco completo, El Tri participou de um torneio amistoso contra três seleções que estarão no Mundial Sub-20. Nos dois primeiros jogos, empates contra Portugal e Panamá, que deixaram a equipe de sobreaviso, especialmente pelos erros cometidos pela defesa. Já na última partida realizada antes da viagem, veio o alívio. Goleada por 4 a 1 sobre a bem cotada Nigéria que, mais que recolocar o time nos trilhos, ainda rendeu o título da competição.

Conhecidos há tempos

Dos jogadores nascidos em 1992 que começaram a ser lapidados no Mundial Sub-17 de 2009 (quando o México saiu nas oitavas), restam apenas quatro jogadores: o goleiro Rodríguez, além dos defensores Álvarez, Ibañez e Reyes. Desde o início da preparação ao Mundial Sub-20, o técnico Juan Carlos Chávez tem se mantido fiel. Dos vinte que conquistaram a classificação na Concacaf, apenas dois ficaram de fora – o zagueiro Loera e o meia Jorge Mora.

Entre os novatos está Héctor Acosta, aprovado durante o período de testes. O grande destaque da lista final, entretanto, é o atacante Érick Torres. A moral do garoto é tamanha que, mesmo chegando depois, já assume a camisa 10 do time. Mais jovem do elenco, o /93 do Chivas foi a sensação do Clausura e a imprensa já questionava a ausência do "novo Chicharíto". Acabou convocado para Toulon e, apesar de ter ficado no banco na maioria dos jogos, deverá chamar atenção durante o Mundial.

A base titular, por enquanto, mantém os jogadores presentes desde as eliminatórias da Concacaf. Juan Carlos Chávez costuma escalar a equipe em um esquema 4-4-2 básico. Apesar das bobeadas recentes, a defesa é um dos setores mais qualificados da seleção. No miolo de zaga, a proteção é dada por Araújo e Reyes, ambos titulares na Copa América. Antigo capitão da sub-17, Álvarez dá proteção defensiva na lateral direita, enquanto Villalobos avança bastante pela esquerda. A polivalência dos laterais, aliás, permite que a equipe atue por vezes no 3-4-3. No gol, o dono da posição é Carlos López, único atleta de clube estrangeiro.

O meio-campo com quatro homens tem a proteção feita pelo cabeça-de-área Diego De Buen, do Pumas. Ao seu lado, a construção de jogo é feita pelos volantes Jorge Enríquez e Orrantía. Capitão do time, Enríquez também esteve entre os titulares da Copa América e é figura constante na equipe do Chivas. Já Orrantía, mesmo reserva, foi peça importante na conquista do título do Clausura pelo Pumas. Por fim, quem centraliza a armação do time é o canhoto Ulises Dávila, outro da prolífica base do Chivas.O meia-atacante foi um dos destaques durante a Concacaf Sub-20, vice-artilheiro do torneio com quatro gols.

Por sua vez, o ataque tem apostado na dupla formada por Taufic Guarch e Alan Pulido, mas os dois precisam ficar de sobreaviso, ainda mais após a chegada de Torres. Pulido, até o momento, é o favorito para continuar em seu posto, principalmente após os quatro gols marcados nos últimos três amistosos. Enquanto isso, Guarch passa por uma seca de gols e é o mais ameaçado pelo prodígio. No banco de reservas, ainda ganham destaque o lateral/meia Ibañez, o volante Piñon e o atacante Izazola.

Curtas

Chuteira Caliente

Quando a coisa aperta na seleção mexicana, a incumbência de resolver a situação fica com Ulises Dávila. Variando funções como meia ofensivo e atacante em um sistema com três homens de frente, o camisa 11 marcou gol bastante importantes até o momento. Além de ir às redes por quatro vezes nas qualificatórias da Concacaf, também deixou a sua marca em Toulon e na goleada por 4 a 1 sobre a Nigéria. Dono de uma canhota precisa e bastante habilidoso, ainda dá seus primeiros passos entre os titulares do Chivas.

Pelota Cuadrada

Um hat-trick logo na segunda partida do México na Concacaf Sub-20 elevou o status de Taufic Guarch como esperança de gols da equipe. O camisa 9, todavia, passou o resto da competição em jejum e, nas últimas partidas, também não tem comparecido às redes. Entre Toulon e o torneio do Panamá, o avante anotou apenas um tento em oito partidas. Também em seu clube, o Estudiantes Tecos, não vem de boa fase – em 18 jogos como profissional, não fez um único gol. Apesar de possuir função tática importante no ataque, caindo pelo lado direito, vê a sombra de Erick Torres aumentando em suas costas.

El Libertador

A fama pode não ser a mesma de outros companheiros, mas a estabilidade do time ficará sob a tutela do volante Jorge Enríquez. Dono da braçadeira, o volante combina uma boa cobertura, vitalidade física e saída de bola sem sobressaltos. Com tantos predicados, esteve em campo até o fim nas três partidas do El Tri na Copa América. Já por seu clube, o Chivas, soma jogos entre os profissionais desde o início de 2009. No segundo semestre do ano passado, ganhou o posto de titular, mas uma fratura atrapalhou sua continuidade na equipe.

Elenco

Goleiros

1 - José Rodríguez (Chivas Guadalajara) – 04/07/1992
12 - Carlos López (Talleres-ARG) – 21/03/1991
21 - Julio González (Santos Laguna) – 23/04/1991

Defensores

2 - Kristian Álvarez (Chivas Guadalajara) – 20/04/1992
3 - Héctor Acosta (Toluca) – 24/11/1991
4 - Néstor Araujo (Cruz Azul) – 29/08/1991
15 - César Ibáñez (Santos Laguna) – 01/04/1992
16 - Jorge Valencia (Tigres) – 06/04/1991
18 - Diego Reyes (América) – 19/09/1992

Meiocampistas

5 - Diego De Buen (Pumas) – 13/07/1991
6 - Marvin Piñón (Monterrey) – 12/06/1991
7 - Saúl Villalobos (Atlas) – 26/06/1991
8 - Carlos Orrantia (Pumas) – 01/02/1991
13 - Lugiani Gallardo (América) – 20/04/1991
14 - Jorge Enríquez (Chivas) – 08/01/1991

Atacantes

9 - Taufic Guarch (Estudiantes Tecos) – 04/10/1991
10 - Erick Torres (Chivas Guadalajara) – 19/01/1993
11 - Ulises Dávila (Chivas Guadalajara) – 13/04/1991
17 - Alan Pulido (Tigres) – 08/04/1991
19 - Edson Rivera (Atlas) – 04/11/1991
20 - David Izazola (Pumas) – 23/10/1991



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