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Mundial Sub-20 2011

Melhor sem eles?

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Leandro Stein - 21/08/2011

A lista de ausências sempre é numerosa. Um que desponta por seu clube aqui, outro que já serve a seleção principal acolá. E por mais que conte com estrelas em ascensão, o Mundial Sub-20 nunca tem a sua constelação completa. Não é por uma dúzia de prodígios que a qualidade da competição cai, mas ver Neymar, Lucas, Thiago Alcántara ou Wilshere em campo na atual edição do torneio chamaria um pouco mais de atenção.

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O eterno debate sobre o Mundial discute os benefícios que uma convocação poderia trazer a esses jovens craques. Para alguns “filósofos” do tema, seria um retrocesso. Deixar a seleção adulta para reintegrar os juniores é descer um degrau na carreira. Abandonar a pré-temporada de um grande clube europeu é jogar fora a chance de se firmar ao longo do ano. Na contramão desses pessimistas, outros analistas conseguem observar os benefícios em se disputar a Copa do Mundo Sub-20. Um título neste momento, argumentam, só valorizaria a trajetória daqueles que se projetam como craques.

Entre as principais explicações para os desfalques no torneio deste ano está o chamado para as seleções maiores. Por este motivo, esperanças de alguns países ficaram em casa, enquanto outros que disputaram a Copa América ou o Europeu Sub-21 ganharam descanso. E, assim como em outras edições, os clubes continuam sendo um empecilho para algumas estrelas. No entanto, a quantidade de barrados desta vez é menor que em 2009, por exemplo, quando a competição aconteceu após a temporada europeia já ter sido iniciada. Completando a lista de motivos para os ausentes, há também aqueles que foram excluídos por simples opção dos técnicos – que, a esta altura, podem estar bastante arrependidos de suas escolhas.

Afinal, o que a falta de alguns talentos gerou no Mundial Sub-20? Nem todas as seleções podem dizer que foram prejudicadas pelas ausências. Outras mostraram poder de sobrevivência e, mais que isso, comprovaram que também contam com jogadores tão decisivos quanto os astros que ficaram em casa. E, como era de se esperar, alguns elencos mais fracos naufragaram sem os seus craques. Confira nas linhas abaixo uma análise de desempenho das seleções na competição levando em conta os principais desfalques:

Brasil: Menos show, mais coletividade

Depois do que Neymar e Lucas fizeram no Sul-Americano, as perspectivas do Brasil diminuíam sem a dupla. Elevados ao time de Mano Menezes, os dois foram convocados para a Copa América e prontamente descartados por Ney Franco. Por conta de um acordo entre a CBF e os clubes, eles não desfalcariam Santos e São Paulo por ainda mais tempo. E, mesmo sem os dois nomes da classificação ao Mundial, a seleção soube muito bem se reinventar.

A equipe não dá tanto espetáculo quanto nos tempos de Sul-Americano. Os dribles e jogadas de efeito não são tão frequentes quanto foram no Peru. Em troca, o time ganhou em coletividade. Não que isso fosse inexistente nos tempos de Neymar e Lucas, pelo contrário. A questão é que, agora, não dá mais para esperar um lampejo que decida a partida. O Brasil tem construído vitória atrás de vitória graças à consistência na elaboração de jogadas.

A falta de Neymar e Lucas ainda acabou sendo benéfica para que outros aparecessem. Dificilmente Oscar e Philippe Coutinho seriam titulares juntos  com o santista e o são-paulino. Oscar, especialmente, ganhou espaço para pensar e organizar o jogo no meio-campo. Mesmo Coutinho, ainda que aquém de seu máximo, tem feito bom campeonato. Querendo ou não, com os dois em campo, Ney Franco consegue realizar um maior número de mudanças táticas do que poderia fazer com os craques do Sul-Americano.

Outra ausência marcante entre aqueles que estiveram na competição continental é a de Diego Maurício. Sem que tal informação seja confirmada pela CBF, é bem possível que o Flamengo tenha pedido a sua liberação – o clube cedeu outros quatro atletas para o Mundial. De qualquer forma, o seu lugar tem sido bem ocupado por Henrique, de evolução evidente, e por Negueba, que tem feito bem o mesmo papel do “Drogbinha” pelo lado direito do campo. Roberto Firmino, por sua vez, teve seu corte marcado pela não-autorização de seu clube, o Hoffenheim. Ainda que não se questione a qualidade do jogador, pelo que a seleção apresentou até as semifinais, o meia-atacante não se faria tão indispensável assim no sistema armado por Ney Franco.

Não foi nada que atrapalhasse

Portugal chegou à decisão do Mundial sem sofrer um gol sequer. Foram seis partidas de meta invicta. O goleiro Mika já passou 570 minutos sem precisar buscar a bola nas redes uma única vez. Um feito e tanto, ainda mais quando se considera que um dos principais nomes Tugas fora do Mundial é o zagueiro Aníbal Capela, lesionado. A dupla formada por Nuno Reis e Roderick compensou qualquer problema.

Semifinalista, o México também tem pouco a se lamentar pelas trocas que fez. Jorge Mora, antigo camisa 10, foi preterido por Erick Torres que, destemperos à parte, se tornou fundamental em diversos momentos. Já na França, o goleiro Jonathan Ligali foi a maior prova de superação. O arqueiro correspondeu com regularidade, apesar de estar longe da preferência do técnico Francis Smerick. Antes dele, eram cotados Abdoulaye Diallo e Marc Vidal, os dois convocados para o Europeu Sub-19 que se machucaram. Já a defesa, insegura em vários momentos, perdeu o também lesionado Johan Martial, além de Raphaël Varane, zagueiro /93 contratado pelo Real Madrid que queimou etapas e defende a seleção sub-21.

Entre os países que fizeram boa campanha no Mundial, porém, a Espanha foi aquela que ficou com mais gosto de que poderia chegar longe se estivesse completa. O lateral Martín Montoya (muito bem substituído por Hugo Mallo), o meia Thiago Alcántara e o atacante Iker Muniain foram dispensados após conquistarem a Euro Sub-21. Não foi pela falta do trio que a Fúria deixou de apresentar seu futebol envolvente e conseguir bons resultados. No entanto, talvez a habilidade de Muniain ou a capacidade técnica de Thiago (que, neste espaço de tempo, estreou na seleção principal e brilhou na pré-temporada do Barcelona) fizessem a diferença no empate contra o Brasil.

A anfitriã Colômbia caiu também nas quartas e Edwin Cardona nem pode falar que a eliminação aconteceu por sua falta. Com James Rodríguez, os Cafeteros continuaram criando oportunidades de gol, mesmo sem o badalado meia, presente no Sul-Americano. O problema, no caso, foi a falta de pontaria no jogo contra o México. A Nigéria tampouco fez caso por não ter Stanley Okoro, revelação no time campeão Mundial Sub-17 em 2009. Sem o avante, as Super Águias ostentam a melhor média ofensiva da disputa, muito por conta dos gols de Edafe Egbedi, Ahmed Musa, Olarenwaju Kayode e Uche Nwofor, que compõem o forte setor ofensivo do time.

Já os argentinos não parecem se arrepender pelos atacantes Rogelio Funes Mori e Sergio Araujo, de péssimo Sul-Americano, ficarem no país. De qualquer forma, Facundo Ferreyra não foi o goleador que a Albiceleste precisava. Por fim, cabe uma menção honrosa à seleção de Camarões. Os Leões Indomáveis conseguiram passar às oitavas apesar de não contar com Joel Matip e Vincent Aboubakar, ambos da seleção principal, e o atacante Jacques Zoua, que não foi liberado pelo Basel – e, nos quatro primeiros jogos do Campeonato Suíço, já marcou dois gols.

Mas faltou alguma coisa...

Mais do que impulsionar as potências, os excluídos do Mundial também poderiam evitar alguns papelões vividos na competição. A Inglaterra que o diga. Se classificou com três empates por 0 a 0 e foi eliminada nas oitavas sem marcar um gol sequer. Não fosse o acordo entre federação e clubes para que estes não sejam desfalcados, a equipe nacional poderia se estar melhor em todos os setores, buscando nomes principalmente no time sub-21. A zaga ficaria mais forte com Phil Jones, bem como o meio com Jack Rodwell e Jack Wilshere - este também da seleção adulta. Já Nathan Delfouneso era a opção para acabar com o intragável jejum de gols do ataque.

Na mesma toada, a Áustria saiu na primeira fase sem balançar as redes e ainda levando duas goleadas. E pensar que eles poderiam ter um meio-campo com David Alaba, Christoph Knasmüllner e Aleksandar Dragovic, mas nenhum deles foi liberado pelos clubes. Outro europeu com problemas na autorização de atletas foi a Croácia. E no caso, o imbróglio foi com equipes do próprio país. Sime Vrsaljko, Mateo Kovacic e Ante Vukusic foram impedidos por Dinamo Zagreb e Hajduk Split. O resultado de tudo isso foi um desastre. Os croatas perderam todos os seus três jogos.

Entre os orientais, Coreia do Sul e Nova Zelândia não tiveram vida longa. Os asiáticos pouparam nomes da seleção adulta, como Heung-Min Son e Ji-Dong Won (que disputou o continental), assim como os All Whites não chamaram Chris Wood. Quem não pode reclamar muito da sorte é o Equador e o Uruguai. Os dois países fizeram poucas modificações em relação ao Sul-Americano e, mesmo com todas as principais peças, se deram mal. Prova de que nem sempre a falta de alguma estrela signifique um tropeço iminente.



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