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Mundial Sub-20 2011

Review do Mundial Sub-20

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Equipe Olheiros.net - 23/08/2011

Uma afirmação para brasileiros, portugueses, mexicanos e, principalmente, para a Colômbia. O Mundial Sub-20, que se encerrou no último sábado, foi fundamental para a auto-estima do povo colombiano. Além de uma participação honrosa do time da casa, que caiu nas quartas de final em jogo duríssimo contra o México, a organização do Mundial também foi de muito bom nível.

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Segundo números divulgados pela organização, o torneio jogado na Colômbia teve a melhor média de público da história dos Mundiais Sub-20 – 25.191 torcedores por jogo, mais de 1,3 milhões ao todo. Joseph Blatter, em que pese ser um tradicional fazedor de média, declarou que o país está pronto para sediar qualquer evento de grande porte. E pretende, desde já, lutar pelo direito de organizar uma Copa do Mundo de futebol feminino até o fim da década.

Em campo, o Brasil fez valer não só a qualidade individual e o conjunto forte, mas também um grupo muito experimentado em jogos com alta dose de competição, enquanto as seleções europeias usaram atletas muitas vezes ainda não profissionalizados. Para muitos deles, sobretudo os portugueses, o desempenho na Colômbia reforçou a condição de que podem atuar em alto nível. A respeito do português Nélson Oliveira e do espanhol Rodri Moreno, Ney Franco profetizou: "serão os atacantes do Benfica". (Dassler Marques)

Brasil: Talento, raça e Oscar

A seleção brasileira esteve longe de exibir um futebol brilhante como outras equipes o fizeram em edições anteriores do Mundial Sub-20. Mas merece aplausos pelo crescimento que demonstrou durante o torneio, e sobretudo pela vontade de vencer que teve nas últimas três partidas.

Depois de empatar com o Egito em uma partida complicada, o time comandado por Ney Franco venceu Áustria e Panamá com facilidade, e também não teve muitas dificuldades para fazer 3 a 0 na Arábia Saudita nas oitavas de final. Naquele momento, já se destacavam Henrique e Oscar, os dois melhores jogadores da equipe no torneio.

O primeiro grande desafio da equipe foi nas quartas de final, contra a Espanha. Após empate por 1 a 1 no tempo normal e 2 a 2 na prorrogação, a vitória nos pênaltis por 4 a 2 colocou os brasileiros na semifinal e, mais do que isso, deu confiança ao time para derrotar o México por 2 a 0 com dois gols no fim da partida. Nos dois jogos, brilhou a estrela dos reservas Dudu e Guilherme Negueba, autores de gols e assistências importantes.

Na decisão, contra Portugal, o Brasil saiu na frente, tomou a virada, e quando parecia que tudo estava perdido, empatou com Oscar após belíssima jogada de Dudu. O mesmo Oscar, que também já havia marcado o primeiro gol, desempatou a partida na prorrogação, marcando o gol do título, o quinto da história da seleção brasileira no torneio.

Individualmente, além dos já citados Oscar, Henrique, Dudu e Negueba, podem ser destacados os volantes Fernando e Casemiro, além de Danilo, recém-convocado para a seleção principal. O goleiro Gabriel, que falhou na decisão, também foi importante na conquista. O título, porém, deve ser creditado ao bom desempenho coletivo da equipe, bem armada por Ney Franco. O técnico mineiro, aliás, soube contornar dificuldades sérias, como a ausência de Alex Sandro, conseguiu implantar variações táticas importantes e também foi fundamental na conquista. (Pedro Venancio)

Portugal: Defesa que (quase) ninguém passou

Inesperado. É assim que pode ser definido o vice-campeonato de Portugal no Mundial Sub-20. Uma equipe que encerrou o Europeu Sub-19 do ano passado levando 5 a 0 da Croácia e que apenas se classificou porque a Itália conseguiu ser ainda pior não trazia grandes perspectivas. Prova disso é que na primeira fase, a própria imprensa portuguesa deu pouca ênfase ao torneio - que nem chegou a ser televisionado em sua totalidade. Além disso, durante a fase de preparação, o time de Ilídio Vale colecionou empates e chegou à Colômbia cercado de desconfiança.

Apesar de tudo, o grupo no Mundial se mostrou acessível. Depois de um empate animador - ainda que sem gols - contra o badalado Uruguai, veio uma vitória sobre Camarões pelo placar mínimo, que expôs a constante do elenco tuga na competição: uma defesa sólida e segura, mas um meio-campo mais pegador que armador e um ataque centralizado em um centroavante que sabia fazer gols, mas precisava que a bola chegasse nele. Em seguida, um triunfo sem graça diante da Nova Zelândia que garantiu aos tugas a ponta da chave - com apenas dois gols em três jogos.

No mata-mata, a queda de Portugal parecia iminente. Mas após uma atuação sofrível (mas vitoriosa) diante da Guatemala, o time deu liga. Com grande aplicação tática e a eficiência em levar a bola adiante que faltou nos demais jogos, a seleção das Quinas igualou forças e bateu Argentina e França. Ante o Brasil, mesmo com uma equipe tecnicamente inferior, Portugal jogou de igual para igual (em alguns momentos, até melhor) e pode-se até dizer que não fosse o gol "espírita" de Oscar – e talvez a lesão de Cédric, que levou um improvisado Pelé a tomar um baile de Dudu – o caneco podia ter ido para a "terrinha".

Apesar de falhar na decisão, o goleiro Mika foi o grande nome da equipe, passando 574 minutos sem levar um gol e salvar Portugal com ótimos reflexos e saídas de gol. Atrás, o zagueiro e capitão Nuno Reis mostrou segurança e muito senso de posição. Mas a curto prazo – até pela concorrência pouco assustadora de Hugo Almeida e Helder Postiga – é o atacante e Bola de Prata Nelson Oliveira que desponta como candidato a ser o primeiro dos vice-campeões lembrados por Paulo Bento, mesmo que ainda sem espaço no "congestionado" ataque do Benfica.

Esse grupo de 2011, aliás, tem muito do elenco de 1989: um time mediano, sem nenhum Figo, Cristiano Ronaldo ou mesmo Nani, mas com jogadores bons o suficiente para chegar à seleção principal, e que deixa a mensagem de que o país ainda produz jovens com uma qualidade que poderia ser mais bem aproveitada nos clubes, ávidos em trazer reforços do exterior (especialmente Brasil) e impulsionados pela necessidade de resultados imediatos, pouco afeitos a olhar para a base. Uma questão, inclusive, levantada nesta semana aqui no Olheiros. (Lincoln Chaves)

Tradições respeitadas

A camisa pesou no Mundial Sub-20 de 2011. Ainda que algumas equipes tenham chegado, surpreendentemente, mais longe do que outras, as primeiras oito posições da competição foram ocupadas por países com um mínimo de tradição. Entre todos os quadrifinalistas, apenas Colômbia e França nunca chegaram a uma final de Copa do Mundo na categoria – e, convenhamos, não é por isso que se deve menosprezar a força dos anfitriões e nem dos atuais campeões europeus.

De todas as seleções que fizeram boas campanhas, o México foi aquela que mais superou as expectativas. As dificuldades começariam para os mexicanos na fase de grupos. E, apesar da derrota para a Argentina, El Tri se garantiu na segunda posição da chave. No entanto, o grande mérito foi passar pela Colômbia. Os Cafeteros dominaram a partida e tiveram muito mais chances, mas não foram tão eficientes quanto os mexicanos. Ao fim, a medalha de bronze premiou um time que não foi tão técnico, mas se aplicou taticamente e abusou da velocidade. Os volantes Enríquez e De Buen, responsáveis pelo equilíbrio no meio, além do meia-atacante Dávila, homem de frente mais perigoso, voltam com moral.

A quarta colocada França, por sua vez, não teve uma campanha de se jogar fora. Mas a sensação que os Bleus poderiam ter feito um pouco mais é inevitável. A começar para a goleada sofrida para a Colômbia na estreia. Na sequência, fizeram o básico, atuando de forma um pouco mais consistente no segundo tempo das oitavas, contra o Equador, e na prorrogação ante a Nigéria, que valeu um lugar nas semifinais. Enquanto Kakuta decepcionou, os destaques ficam para o meio-campo liderado por Fofana e pelo artilheiro Lacazette. Esforços recompensados com a melhor colocação francesa em um Mundial Sub-20.

Já entre os times que pararam nas quartas de final, a Colômbia fez alegria da torcida. Do time de exibições medianas no Sul-Americano, pouca coisa ficou. Encabeçados por James Rodríguez, Muriel e Ortega, os Cafeteros encheram os olhos do público com um jogo vistoso. Certa ansiedade defensiva e a falta de pontaria, porém, pesaram na eliminação. Outro sul-americano entre os oito, a Argentina mostrou-se dependente demais de suas individualidades, especialmente Lamela, Luque e – quando saia do banco – Iturbe. Não foi o suficiente para garantir algo além.

A Espanha saiu mais punida pelo ingrato cruzamento do que por suas deficiências. Não seria nenhum espanto se a Fúria eliminasse o Brasil – em partida que, diga-se, foram superiores na maior parte do tempo. Mantendo o consagrado padrão “tiki-taka”, de caráter ofensivo e toque de bola, os espanhóis foram consistentes. E a qualidade de seus jogadores pode ser vista com o zagueiro Bartra, os meias Koke e Oriol Romeu e o atacante Rodri. Por fim, a Nigéria foi o único país não-latino a emplacar nas quartas de final. Sabendo da fragilidade defensiva, as Águias apostaram as suas fichas na força do ataque, o que se mostrou uma escolha acertada. Em meio à base campeã sub-17 em 2009, Musa, Kayode e Egbedi se sobressaíram. (Leandro Stein)

Poucas zebras e fracasso de Uruguai e europeus

Ainda que as seleções europeias só tenham faturado seis das 18 edições do Mundial Sub-20 (mesmo número da Argentina, por exemplo), as equipes que representam o Velho Continente no torneio naturalmente concentram muitas expectativas. Em que pese o vice-campeonato de Portugal, a verdade é que a Europa não teve muito do que se orgulhar do que foi visto na Colômbia. A Inglaterra, desfalcada dos atletas que disputaram o Europeu Sub-21 em junho (e de outros que não foram liberados pelos principais clubes do país), fez uma campanha medonha. Em quatro jogos disputados, não marcou nenhum gol. E justamente pelo único que sofreu, contra a Nigéria nas oitavas-de-final, acabou eliminada.

A Croácia, semifinalista do Europeu Sub-19 em 2010, foi ainda pior. Com a base que fez bonito no torneio continental, a equipe se despediu da Colômbia com a segunda pior campanha dentre todos os participantes no Mundial. Na estreia, foi surpreendida com uma derrota por 2 a 0 para a Arábia Saudita. O segundo duelo foi ainda mais desesperador, humilhada pela Nigéria com uma goleada por 5 a 2. Nem tudo estava perdido, afinal, bastava vencer a fraca Guatemala (que havia sofrido 11 gols nos dois primeiros jogos) para avançar de fase pelo índice técnico. Mas nem isso foi possível. Os croatas perderam por 1 a 0 e voltaram pra casa mais cedo.

Outra seleção europeia a fracassar foi a Áustria, que desbancou a Holanda no Europeu Sub-19 e não venceu nenhuma partida no Mundial. Nem mesmo contra a inexpressiva seleção de Panamá, na estreia, empatando em 0 a 0. Nos dois jogos seguintes, derrotas expressivas para o Brasil (4 a 0) e para o Egito (3 a 0) culminaram na eliminação dos austríacos, que assim como a Inglaterra, não balançaram as redes na competição e mostraram um futebol nada mais que pragmático.

O ‘intruso’ entre as decepções é o Uruguai, vice-campeão sul-americano sub-20 e que apresentou uma geração individualmente talentosa (entre eles, o capitão Diego Polenta), mas que fracassou na Colômbia. Tida como favorita no Grupo B, a Celeste quase pôs tudo a perder nos dois primeiros jogos, empatando com Portugal (0 a 0) e Nova Zelândia (1 a 1), porém bastava um novo empate na última rodada, contra Camarões, para que os uruguaios avançassem de fase. Mas o que parecia impossível aconteceu. Uma derrota por 1 a 0 acabou com quaisquer chances de classificação da equipe.

As zebras, ainda que em menor proporção, também apareceram. O Egito, que caiu no grupo do Brasil na primeira fase, apresentou um futebol ofensivo e bons valores individuais, como o meia Mohamed Ibrahim. Com duas vitórias e um empate (justamente contra os brasileiros), os faraós só não fecharam a fase na liderança pelo saldo de gols. Nas oitavas, mesmo jogando bem, caíram para a Argentina. O mesmo vale para a Arábia Saudita, que venceu seus dois primeiros jogos na primeira fase com oito gols marcados e nenhum sofrido, caiu para o Brasil nas oitavas e voltou pra casa com a sensação de dever mais do que cumprido. (Gabriel Seixas)



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