André Donke - 01/01/2012
Conhecido historicamente pelo talento dos jogadores criados no “terrão”, o Corinthians sempre se mostrou uma equipe tradicional e forte nos torneios disputados por jovens jogadores. Disparado como maior vencedor da Copa São Paulo de Futebol Júnior (o time paulista possui sete conquistas e o Fluminense, segundo maior ganhador, tem cinco títulos), o clube do Parque São Jorge mostrou entre os anos de 2004 e 2005 o motivo de ser considerado tão forte quando o assunto é futebol nas categorias de base.
>>> Curta a página do Olheiros no Facebook
>>> Confira todos os destaques e o que vai rolar do Grupo A ao K da Copa São Paulo
Ataque “experiente” e impiedoso
Habitualmente forte na Copinha, a equipe alvinegra que disputou a competição em 2004 possuía um grande trunfo. Pela fraca campanha do time principal no Campeonato Brasileiro do ano anterior, alguns jovens foram lançados entre os adultos visando uma mudança no desempenho da equipe.
Pela pouca idade com que subiram aos profissionais, alguns desses garotos puderam voltar à equipe sub-18 para a disputa da Copa São Paulo de 2004, caso do volante Wendel e sobretudo dos atacantes Jô, Bobô e Abuda. Não à toa, a equipe paulista teve o segundo melhor ataque da competição com 18 gols, só perdendo para o rival Palmeiras que balançou as redes 21 vezes. Abuda, o artilheiro do time na competição, anotou cinco gols (dois a menos que Rodrigo Tiuí, do Fluminense, e Willian, do Palmeiras, que foram os principais goleadores da Copinha), o que correspondeu a quase 30% dos gols anotados pelo Corinthians.
Tendo um ataque que já possuía a experiência de ter atuado entre os profissionais, juntamente com uma base sólida, o time do Parque São Jorge conquistou a competição com uma campanha de sete vitórias e apenas um empate. Na primeira fase, foram três vitórias por 2 a 1, sobre Figueirense, Angra dos Reis e Paulista. Na segunda fase, o placar se repetiu diante do Noroeste.
Já nas duas fases seguintes, o Corinthians goleou o Força por 4 a 0 e venceu o rival Santos com autoridade: 3 a 0. A semifinal ficou marcada pelo fato de ser a única partida que a equipe não venceu. Após o empate por 1 a 1 com o Coritiba, a vitória nas cobranças de pênalti garantiu o Timão na decisão, na qual superou o também rival São Paulo por 2 a 0, com direito a gol de Bobô.
No ano seguinte, Bobô e Abuda seguiram na equipe que disputou a Copa São Paulo, assim como o goleiro Júlio César. Novamente, o setor ofensivo foi o ponto forte da equipe do Parque São Jorge. Com 21 gols marcados ao longo do torneio, o time alvinegro teve o melhor ataque da competição. Dessa vez, o artilheiro do Corinthians seria Bobô tendo balançado as redes adversárias em sete oportunidades - uma a menos que o principal goleador, Borebi, do Noroeste, – e, assim, sendo responsável por um terço dos gols do Timão no torneio.
Da mesma forma que em 2004, o Corinthians foi campeão invicto ao vencer seis partidas e empatar duas. Na primeira fase, foram três vitórias: 1 a 0 sobre o Juventus-AC, 7 a 1 sobre o Treze e 2 a 1 sobre a Ferroviária. Na segunda fase, uma vitória por 3 a 2 sobre o Marília foi o bastante para classificar a equipe alvinegra.
Já nas duas fases seguintes, o Timão precisou das penalidades para avançar depois de empates por 1 a 1 com Atlético-MG e Vila Nova-GO. Na semifinal, a equipe paulista venceu o Iraty por 3 a 1, mesmo placar feito pela equipe na decisão diante do Nacional.
Na final, o Corinthians contou com uma inspirada atuação de Dinelson que entrou em campo na volta do intervalo, quando o time perdia por 1 a 0. O meia fez dois gols (o outro foi anotado pelo artilheiro Bobô) e foi decisivo no título de sua equipe, além de encher de esperanças o torcedor de um possível novo talento para o elenco corintiano. Na mesma condição estavam o goleiro Júlio César, o meia Elton, os já “experientes” atacantes, entre outros. No entanto...
Da base ao destaque no profissional
Bobô, Abuda, Wendel, Édson, Jô, Elton, Dinelson, Bruno Octávio, Rosinei, entre outros. Todos esses jogadores fizeram parte da conquista de pelo menos um dos títulos de 2004 e 2005 do Corinthians na Copa São Paulo. Apesar dos triunfos, nenhum conseguiu repetir o mesmo sucesso no profissional. Isso se deu, principalmente, devido a dois motivos. Primeiro, o clube estava no início da parceria com a MSI, assim os altos valores de jogadores badalados já não eram obstáculos tão grandes como antes, o que acabou por comprometer o espaço para os jovens jogadores entre os titulares.
No entanto, a principal razão para a ausência de talentos do “terrão” com destaque entre os profissionais foi a maneira como é vista a base do clube. Boas campanhas na Copa São Paulo ou em qualquer outro torneio para jovens jogadores não significam uma grande safra para o elenco principal, esse que, na verdade, era para ser o principal objetivo das categorias de base. Porém, a excessiva preocupação com os títulos, até mesmo sem envolver o time principal, acaba distorcendo alguns valores no futebol brasileiro e comprometendo na formação do atleta.
Dessa forma, mesmo tendo conquistado três títulos da Copinha nos últimos oito anos (além dos títulos de 2004 e 2005, a equipe paulista também faturou o troféu em 2009), o Corinthians vê o surgimento de novos ídolos praticamente apenas por meio de contratações. Hoje, o único atleta formado na base e titular da equipe é o goleiro Júlio César, com 27 anos, e que estava justamente na safra de 2004 e 2005.
Ficha técnica
Treinador: Adaílton Ladeira
Campeonato: Copa São Paulo 2004
Escalação (final): Júlio César; Édson, Wendel, Alemão e Vinicius; Rafael, Ronny (Nilton), Rosinei e Ednei (Bobô); Abuda (Renato) e Jô
Campeonato: Copa São Paulo 2005
Escalação (final): Júlio César; Fabiano, Fábio, Renato e Ronny; Bruno Octávio, Carlão, Elton e Wilson; Abuda (Dinelson) e Bobô
Todos direitos reservados olheiros.net | Copyright reserved 2008
Triares