Leonardo Sacco - 14/01/2012
Revelar jovens jogadores tem sido um desafio um tanto quanto espinhoso para o Corinthians. Desde a geração do atual gerente de futebol, Edu Gaspar, vencedora da Copinha em 1999, o Timão não revela nomes de tanta valia para o time. De lá para cá, Willian e Dentinho, dupla que hoje figura no Shaktar Donetsk, são os nomes de maior relevância em um grupo que conta com Lulinha, hoje no Bahia, como referência nas frustações alvinegras com garotos vindos da base. Os problemas clássico dos foguetes molhados corinthianos se baseavam principalmente na pressão da torcida e na falta de estrutura, uma vez que eram formados quase que exclusivamente no famoso Terrão.
E é do próprio Edu que parece partir uma solução plausível e que pode surtir efeito positivo na formação de jovens alvinegros. Enquanto a parte dedicada às categorias de base do CT Joaquim Grava não fica pronta, cabe aos dirigentes corinthianos tentar sanar o outro lado do problema: a pressão. E todos sabem que, apesar do pentacampeonato brasileiro, o primeiro semestre do Corinthians ferverá por conta da presença do time em sua maior obsessão, a Copa Libertadores. Um ambiente pesado, cheio de cobranças e que não permite muitos erros – o que, é fácil de concluir, não é positivo para o desenvolvimento de nenhum atleta em formação.
E nessa fase da carreira estão dois atletas tidos no Parque São Jorge como promessas sólidas da base: Matheus e, mais ainda, Denner. Destaques da equipe que enfrenta neste final de semana o Goiás em busca do oitavo título corinthiano na Copinha, ambos já estiveram entre os profissionais comandados por Tite e agradaram a comissão técnica. No torneio da base, têm sido os principais nomes alvinegros em uma campanha sem tanto brilho, mas com muita efetividade. Com 31 atletas em sua equipe principal, porém, o Corinthians não tem muito espaço para os jovens em seu atual momento. Com a Libertadores, então, o treinador não pensa muito em lançar jogadores no primeiro semestre deste ano. E é aí que Edu Gaspar entra para ajudar no desenvolvimento dos garotos.
Em entrevista bastante recente, o gerente corinthiano apontou para a possibilidade de enviar alguns garotos da equipe para a Europa, em países específicos – Portugal, Espanha e Inglaterra. Com isso, mataria os dois coelhos que perturbam as promessas alvinegras em uma cajadada só: tiraria os garotos do foco de pressão e evitaria que eles se queimassem com a torcida, além de colocá-los em clubes com estrutura suficiente para que se desenvolvam completamente antes de voltarem ao Corinthians. De quebra, ainda poderia valorizar os garotos no mercado exterior, fator que anima bastante o departamento de finanças do Parque São Jorge.
É claro que todo esse processo ainda está em fase quase que embrionária, sem pronunciamentos oficiais sobre o que será feito com os jogadores da base após o término da Copinha – independente do resultado obtido. De oficial, até o momento, sabe-se, pela boca do próprio Edu, que o Corinthians recebeu sondagens de uma equipe da Bielorrúsia interessada no intercâmbio. A rejeição imediata da diretoria alvinegra mostra certa seriedade no projeto, o que pode servir desde já como fator de ânimo para a torcida. Se conseguir implantar a filosofia proposta por seu gerente, o Timão só tem a ganhar enquanto as obras em seu CT não terminarem.
Para quem acompanha a base do Corinthians, porém, as declarações de um campeão da Copinha que hoje é dirigente soam como muito mais do que simples projetos. É a mostra de que a diretoria do alvinegro, desde a chegada do ex-presidente Andrés Sanchez, parece dar uma atenção especial à base. Com o ambicioso projeto de ser o time que mais revela talentos no Brasil em um futuro próximo, o Timão começa a dar seus passos. Um de cada vez, todos pequenos. Como deve ser para não tropeçar nas próprias ambições.
Crédito das fotos
Capa: R7.com
Willian: futebolgaucho.com
Denner: corinthianista.com
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