Tiago Mattar - 16/01/2012
O Palmeiras anunciou na tarde desta segunda-feira a contratação do atacante Tiago Silva, de 18 anos, que disputava a Copa São Paulo pelo Rondonópolis (MT). Tiago, que já havia marcado três gols na Copinha, assinou, segundo a nota oficial divulgada pelo clube alviverde, um contrato pelas próximas cinco temporadas. No entanto, toda negociação foi feita sem o crivo do clube com o qual Tiago tem contrato até junho: o próprio Rondonópolis, que se diz traído pelo time paulista. O centroavante sequer enfrentou o Figueirense no último domingo.
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Márcio Schmidt, diretor das categorias de base do clube mato-grossense, conta ao Olheiros, com riqueza de detalhes, como ocorreu o início das negociações. “O Palmeiras teve interesse no Tiago lá em Araraquara e a gente se sentou no último dia 8, no hotel em que estávamos hospedados (Hotel Arcos) junto à diretoria do clube. Estavam presentes na conversa o Jair (Jussio, diretor de base do Palmeiras), Candinho (coordenador técnico do Palmeiras) e o João Paulo (Tardin, empresário), que nos havia apresentado o jogador. O Palmeiras fez a proposta, e, a partir dali, ficaram cientes de que o Tiago tinha um contrato vigente com o Rondonópolis até junho”, disse.
Dono da melhor campanha da história do Mato Grosso em edições da Copa São Paulo, o Rondonópolis ainda acusou um terceiro empresário como o outro grande “malandro” da negociata. “O Tiago teve um problema no joelho e teve que ir até São Paulo fazer alguns exames. Foi aí que um tal Lelo, oportunista do futebol, que era para ser um parceiro mas acabou como o “malandro”, depois de constatado apenas um estiramento no joelho do Tiago, pegou ele e o levou até o Palmeiras, já ciente de que o garoto interessava”, afirmou Schmidt.
Relações estremecidas
Perguntado sobre o que esperar do Palmeiras, depois da concretização da contratação, Márcio mostrou certo desalento. Para ele, o clube alviverde se queimou aceitando o jogador, mesmo sabendo das condições e do contrato que o mesmo detinha junto ao time de Mato Grosso do Sul.
“É uma brecha que eles acharam, pode ter sido, inclusive, um erro nosso. Mas, eticamente, de clube para clube, acho que não é um papel bacana. Foi uma atitude extremamente antiética por parte do Palmeiras, porque já havíamos conversado com os diretores que se diziam responsáveis. Eles podem até ter dado o tombo no Rondonópolis, mas se queimaram conosco. Hoje, se tenho um jogador com dois interessados e um deles é o Palmeiras, o outro levará o atleta. Não tem mais negócio”, finalizou o dirigente.
A reportagem procurou os nomes citados por Márcio Schmidt, para demais esclarecimentos. Candinho, diretor técnico, não foi encontrado. Jair Jussio, diretor da base do Palmeiras, por sua vez, não atendeu as ligações. O empresário João Paulo Tardin confirmou a reunião, mas preferiu não entrar em detalhes quanto ao que foi conversado.
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