André Donke - 22/01/2012
Nascido em Cachoeira do Itapemirim, no Espírito Santo, Alexandre Grasseli foi jogador de futebol em sua terra natal, sem obter destaque dentro de campo. Porém, o sucesso dele no esporte viria fora das quatro linhas. Tendo dirigido todas as categorias do Cruzeiro – menos o profissional -, o treinador virou uma referência quando o assunto é professores da base.
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Graduado em Educação Física, Grasseli chegou a trabalhar em uma rádio, se tornando até mesmo apresentador de um programa. Sua carreira com a prancheta começou com os trabalhos com Viçosa e posteriormente no Ervália, nos quais comandou ambas as equipes na disputa da Taça BH.
Crescimento rápido e origem de um “papa-títulos”
Depois da passagem pelos dois clubes mencionados acima, Alexandre Grasseli foi convidado para ser preparador físico nas categorias de base do América-MG. A partir de então, só vieram promoções e títulos, sendo que a principal conquista foi a do Campeonato Mineiro na categoria infantil, em 2004.
Com destaque no Coelho, o treinador foi contratado pelo Cruzeiro, clube no qual passou por todas as categorias de base (mirim, pré-infantil, infantil, juvenil e júnior), ganhando pelo menos um título em cada. Destaque para o título estadual infantil (2006) e o bicampeonato mineiro juvenil (2007 e 2009). Desde 2004, ele tem levantado pelo menos um troféu por ano.
Em 2008, o treinador acabou deixando o cargo de técnico da equipe juvenil do Cruzeiro devido a uma reformulação nos cargos das categorias de base da equipe mineira. Com isso, Grasseli retornou ao América-MG e, no mesmo ano, levou a equipe ao título do Campeonato Mineiro Júnior. Comprovando a sua capacidade, o técnico voltou ao time celeste de Minas Gerais para comandar a categoria juvenil.
Quebra de tabu e auge da carreira
Para não perder o hábito que estabeleceu ao longo de sua curta experiência na profissão, Grasseli logo foi promovido ao cargo de treinador do time júnior. E seria justamente nessa categoria que viriam as principais conquistas dele.
Equipe com tradição na base, o Cruzeiro vivia um incômodo jejum no Campeonato Mineiro Sub-20, competição que a equipe não vencia desde 2001. Em 2010, a marca se manteve, porém Grasseli conseguiu um feito ainda mais importante que o título estadual, já que sua equipe foi campeã nacional da categoria. De quebra, o time celeste teve o artilheiro da competição (Thiaguinho, com sete gols), o melhor ataque com 17 gols em sete jogos (o segundo melhor ataque do torneio foi o do Palmeiras que balançou as redes cinco vezes a menos) e ainda terminou a campanha de maneira invicta – foram quatro vitórias e três empates.
Depois de uma campanha impecável e um título conquistado com autoridade, o Cruzeiro de Alexandre Grasseli mostrou que o tabu no Campeonato Estadual estava próximo de acabar e, no ano seguinte, foi exatamente isso o que aconteceu. Após dez anos de espera, a equipe celeste voltou a conquistar a competição e, assim como no Brasileiro Sub-20 do ano anterior, contou com um forte setor ofensivo, já que teve o melhor ataque do torneio com 47 gols anotados.
Apesar da importante contribuição de Grasseli, o técnico não conseguiu dirigir a equipe até o término da competição, pois, mais uma vez, foi promovido. Dessa vez, o comandante assumiu o cargo de auxiliar técnico do time principal do Cruzeiro. Assim, Paulo Ricardo ficou com o cargo de treinador da equipe júnior e comandou o time no hexagonal final do Estadual.
O início de um novo desafio
Apesar de o Cruzeiro não ter revelado jogadores de destaque no cenário nacional e internacional nos últimos anos, a equipe tem feito boas campanhas nas competições da base e conquistado títulos importantes. Com troféus em todas as categorias pelas quais comandou a equipe celeste, Alexandre Grasseli foi uma das peças mais importantes para o clube mineiro ter sustentado desempenhos expressivos na base.
Com um currículo invejável como treinador de jovens, somado à breve experiência de auxiliar técnico em uma equipe de elite, Grasseli recebeu a oportunidade de comandar um time profissional pela primeira vez em sua carreira.
Atual campeão da Série D do Campeonato Brasileiro, o Tupi viu o treinador Ricardo Drubscky deixar a equipe após o título para acertar com o Volta Redonda. Dessa forma, a equipe decidiu apostar em Alexandre Grasseli, que possui vasto conhecimento do futebol mineiro e a vocação para montar times com bom desempenho ofensivo, algo que foi visto no Tupi durante a disputa da última edição da Quarta Divisão Nacional, já que além do título, a equipe mineira teve o segundo melhor ataque do torneio com 29 gols marcados, um a menos do que o Cuiabá.
Em sua primeira temporada como técnico de uma equipe principal, Grasseli terá duas competições significativas para disputar: Série C do Campeonato Brasileiro e Campeonato Mineiro. Com testes tão expressivos quanto estes, o técnico de apenas 37 anos terá, em 2012, a grande oportunidade de mostrar que sua capacidade vai além da base.
Ficha técnica
Nome: Alexandre Grasseli de Souza
Data de nascimento: 05/05/1974
Local de nascimento: Cachoeira do Itapemirim, Espírito Santo
Clubes dirigidos: Viçosa, Ervália, América-MG, Cruzeiro e Tupi
Principais títulos: Campeão mineiro infantil pelo América-MG (2004), campeão mineiro infantil pelo Cruzeiro (2006), bicampeão mineiro juvenil pelo Cruzeiro (2007 e 2009), campeão mineiro júnior pelo América-MG (2008), campeão mineiro júnior pelo Cruzeiro (2011) e campeão brasileiro sub-20 pelo Cruzeiro (2010)
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