Olheiros | porque o mundo do futebol se renova

Talento não tem idade

Futebol para ser feliz

Assine nosso RSS

Pedro Venancio - 23/01/2012

Para o Fluminense, chegar até a decisão da Copinha após 22 anos de ausência significa a possibilidade do reencontro de uma velha conhecida: a taça da competição, que já foi erguida em cinco oportunidades por capitães tricolores. Ou então que a equipe voltou a trilhar o caminho certo na base com a reformulação feita a partir do início de 2011. Para o técnico Marcelo Veiga, no entanto, o feito significa muito mais: trata-se de mais uma realização profissional de sua curta carreira.

>>> Saiba tudo sobre a Copa São Paulo 2012 
>>> Tabela da Copa São Paulo 2012   
>>> Artilharia da Copa São Paulo 2012  
>>> Siga o Olheiros no Twitter
 

Aos 49 anos, Marcelo tem uma história incomum para um treinador. Nascido em Petrópolis, interior do Rio de Janeiro, ele jogou futebol de salão por lá e foi preparador físico do Serrano, da segunda divisão carioca, entre 1985 e 1988. As circunstâncias da vida, no entanto, o obrigaram a abandonar momentaneamente o sonho de vencer no mundo da bola. “Na época, o futebol era muita ilusão e eu estava recém-casado. Me tornei professor de educação  física, passei num concurso do estado e dei aulas por muito tempo”, revela.

A volta ao futebol só aconteceu em 2004, quando ele foi chamado para uma entrevista de emprego para o sub-11. Marcelo Teixeira, na época diretor da base do Flu, o contratou. “Ele buscava um perfil mais educador, e me deu essa chance. Larguei tudo, resolvi arriscar para ser feliz e sou muito grato ao Fluminense por essa oportunidade”. Do sub-11, Veiga foi crescendo no clube até chegar aos juniores no início de 2011 após a saída de Mário Marques.

O discurso do técnico e  a visão de futebol também foge aos clichês boleiros. Sereno e com temperamento leve, o técnico afirma acreditar no uso do futebol para melhorar a sociedade brasileira. “O futebol é parte da nossa cultura e pode sim ser utilizado para educar melhor a nossa sociedade. É algo muito poderoso que está presente na rotina de milhões de pessoas”, analisa o técnico, que, no aspecto técnico, diz ter aprendido muito com a passagem rápida de Osmar Loss pelo Fluminense “Convivi com ele por menos de um mês, mas aprendi muito. O Loss tem uma metodologia que ia muito ao encontro das coisas que eu pensava, mas apresentava isso de maneira mais organizada”.

Sobre a campanha na Copa São Paulo, Veiga revela que o jogo mais difícil na caminhada até a decisão foi contra o Desportivo Brasil, pelas quartas de final. Na ocasião, o Fluminense venceu por 4 a 2, mas passou maus bocados no primeiro tempo, abrindo o placar em um lance de sorte, num momento em que era muito pressionado. O momento de maior aflição, porém, foi quando o time perdia por 3 a 1 para o Olé Brasil na primeira fase. “Ali até eu fiquei nervoso”, admite.

A resposta mais surpreendente do treinador, no entanto, aconteceu quando ele foi questionado sobre a possibilidade de chegar aos profissionais. Ao contrário da grande maioria dos profissionais, que certamente ambiciona chegar rápido ao topo, Marcelo mostra uma serenidade impressionante. “Estou no Fluminense para ser feliz, e esse trabalho me realiza muito profissionalmente. Se tiver que acontecer, aceitarei, mas me sinto muito bem no momento e satisfeito com o meu trabalho”.



Colunas anteriores:

Todos direitos reservados olheiros.net | Copyright reserved 2008

Triares