Pedro Venancio - 24/01/2012
Tranquilidade. Durante boa parte da Copa São Paulo, essa palavra ressoou como um mantra na cabeça do atacante Marcos Júnio, do Fluminense. Autor de dois golaços contra o Coritiba na semifinal do torneio, ele conta o que pensou durante os lances. “Eu havia falado com meu tio Alexandre antes do jogo, e ele me disse para ter tranquilidade na hora de finalizar. Quando recebi a bola do Eduardo no primeiro gol, só pensei nisso. E consegui ter a calma para driblar e chutar bem”, revela ao Olheiros.
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O pedido do tio, que também foi o primeiro técnico do atacante na cidade do Gama, no Distrito Federal, se justifica. Artilheiro do Campeonato Brasileiro Sub-20 com sete gols, ele passou por um pequeno jejum no início da competição e admite que ficou ansioso nesse período. “Depois do Brasileiro, acabei mentalizando que tinha que ser artilheiro de todas as competições que eu disputasse. Acabei ficando quatro jogos sem marcar, e a comissão técnica conversou comigo depois disso.”, admite Marcos Júnio, que, mesmo durante esse período, contribuiu com o time em lances decisivos, como o cruzamento para Michael fazer o gol de cabeça que deu a vitória por 1 a 0 sobre o Bahia na primeira fase.
O primeiro gol, marcado contra o Grêmio nas oitavas de final, acabou com essa ansiedade, e o futebol de Marcos Júnio voltou a aparecer com mais naturalidade. Algo surpreendente para um atacante que está há pouco tempo na posição. Desde os 13 anos no Flu, Marcos Júnio começou como volante e chegou a virar lateral direito nos infantis com Marcelo Veiga, enquanto Wellington Silva e Pernão faziam a fama precoce no ataque. Os dois, no entanto, saíram do time antes mesmo de chegar aos profissionais e o então lateral virou meia, e depois migrou para o ataque durante a breve passagem de Osmar Loss no tricolor. Foi a senha para que o futebol dele deslanchasse de vez.
Exceto pela ansiedade provocada, a badalação parece não mudar muito a cabeça de Marcos Júnio. Ousado dentro das quatro linhas e sem medo de encarar zagueiros altos e fortes com seus 1,67m, ele demonstra uma timidez incomum fora de campo. “Sou mais caladão, esse é meu jeito mesmo. Se alguém puxar conversa comigo, falo numa boa, mas fico mais quieto, e também sou bastante crítico com meu desempenho, às vezes me lamento muito quando erro determinadas jogadas, mas logo passa”.
Em relação a ídolos e sonhos, o atacante não dribla o gosto da maioria. “Gostava de ver o Ronaldinho Gaúcho no Barcelona ali em 2005, era fantástico. Mas hoje, como virei atacante, procuro ver vídeos do Ronaldo Fenômeno para saber como ele finalizava e se posicionava. Outro em que busco inspiração é o Romário”, diz Marcos Júnio, que sonha se profissionalizar no Fluminense e ajudar a família. Ele encara a carreira com otimismo, mesmo sabendo que enfrentará uma boa concorrência quando subir ao time principal. “Estou tranquilo quanto a isso. Se eu trabalhar bem, sei que as chances vão aparecer”, disse o atacante, que tem contrato com o clube até o fim de 2013.
Em relação à final da Copa São Paulo contra o Corinthians, Marcos Júnio se mostrou, mais uma vez, tranquilo para a partida. “Vai ser uma grande experiência, não só para mim, mas como para todo o time do Fluminense. Jogar em estádio lotado, contra a torcida do Corinthians, encarar essa pressão será importante para as nossas carreiras. É a minha última Copinha e vou dar o sangue para sair com esse título”, avisou.
Créditos das fotos
Capa: Arquivo pessoal do jogador
Interna 1: Divulgação / Site oficial do Fluminense
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