Equipe Olheiros.net - 24/01/2012
Como maior competição de base do mundo, a Copa São Paulo também é a maior vitrine para os garotos mostrarem seu valor e conseguirem uma promoção para os profissionais ou, ainda, abocanharem uma transferência que pode significar a virada na carreira. Contrariando argumentos simplistas de "inchaço" e "torneio para empresários", temos o exemplo de Rômulo, destaque pelo Porto de Caruaru que acabou indo para o Vasco e para a seleção brasileira, calando a boca de quem acha que a Copinha "perdeu o seu charme".
Mas não é só após a competição que o mercado se agita. Prova disso é que muitos jogadores disputam a Copa São Paulo depois de se transferirem de clube ainda nas divisões de base, ou em alguns casos, até mesmo atuarem pelo profissional de equipes menores e, então, serem contratados para os times de baixo dos grandes. Confira, nos próximos parágrafos, dez exemplos desta realidade bastante comum: dez jogadores que tiveram bom desempenho na Copinha 2012 após mudarem de clube. (Maurício Vargas)
Douglas
Corinthians, ex-Guarani
O artilheiro corintiano na Copinha 2012 não é precisamente um fruto do terrão. Douglas foi contratado junto ao Guarani em maio de 2011, após se destacar na Copa São Paulo daquele ano (fez dois gols) e ter sido até utilizado nos profissionais por Vágner Mancini na reta final do Brasileirão de 2010, quando o Bugre lutava contra o rebaixamento. Negociado para que o Guarani pudesse pagar salários atrasados dos jogadores que ameaçavam não entrar em campo pela final da A-2 do Paulista, o camisa nove foi aprovado por Tite e chegou a treinar com o time principal, mas acabou colocado no sub-20 alvinegro, sendo o artilheiro da equipe no paulista da categoria. (MV)
Eduardo
Fluminense, ex-Fortaleza
Podemos dizer que uma das novas apostas do Fluminense nesta Copinha é um veterano, mesmo aos 18 anos. O meia Eduardo já havia disputado a competição pelo Fortaleza - que o revelou e no qual estava desde os 10 anos - por duas vezes. Após ser eliminado na primeira fase da edição passada, na qual marcou dois gols, subiu para a equipe profissional, teve poucas chances e viu seu vínculo com o time cearense chegar perto do fim. O interesse de outras equipes foi instantâneo e a opção foi o Fluminense, para onde rumou, em setembro de 2011. E após quatro meses de espera (por problemas na documentação) e apenas de treinos, o canhoto veio tinindo para ajudar o Tricolor a chegar à decisão desta Copa São Paulo, na qual marcou dois gols na estreia, além da classe na armação e assistência de várias jogadas do Flu rumo à defesa adversária. (André Augusto)
Higor
Fluminense, ex-Internacional
Nascido em Goiás, o meia ganhou evidência no sub-15 do Internacional e acumulou um cartel respeitável de títulos no Beira-Rio, que inclui Copa Santiago, Copa Brasil Sub-17 e BH Youth Cup, além dos Gaúchos Infantil e Juvenil. Apesar de anotar gols importantes, nem sempre foi protagonista ou mesmo titular da equipe. Levado ao Fluminense ainda no primeiro semestre de 2011, disputou a reta final do Carioca de Juniores e permaneceu no banco durante a OPG e no Brasileiro Sub-20, ganhando em novembro contrato até 2014. O camisa 8 tem sido fundamental na organização do Flu na Copinha e também no apoio ao ataque. Preciso com a perna direita e perigoso nas bolas paradas, já anotou quatro gols na competição.
Denner
Coritiba, ex-ABC
O cearense meia Denner despontou no ABC-RN em janeiro de 2011, quando marcou cinco gols pela Copa Rio Preto e fez ótimas atuações. Valorizado, o jogador foi chamado para os profissionais pelo técnico Leandro Campos (ainda é o atual treinador) e chegou a ser relacionado em um jogo da primeira fase da Copa do Brasil, mas não foi utilizado. No meio de jogadores mais rodados, acabou sendo preterido no elenco e vendido em seguida, após boa proposta do empresário Eduardo Uram, que inicialmente o colocou em seu clube, o Tombense-MG. Pouco tempo depois, Denner rumou para o Coritiba e disputou as competições estaduais do segundo semestre. Na Copa São Paulo, ele foi um reserva de luxo e brilhou com dois gols nas oitavas e quartas de final. Na semi foi alçado à condição de titular, mas sucumbiu junto dos companheiros contra o poderio do Fluminense. (Lucas Alencar)
Victor Brasil
Coritiba, ex-Red Bull
Um dos melhores goleiros da Copa SP, Victor chegou ao Coritiba apenas durante a última temporada, já no segundo semestre. Carioca, passou por Fla, Flu e Vasco, além de Madureira, ainda muito jovem. Despontou como arqueiro de qualidade no Red Bull e chegou até à filial austríaca da equipe. No Coxa, brilhou com defesas importantes, sobretudo diante do Internacional, e impressionou pela envergadura, rapidez e 1,91 m ainda aos 18 anos. (Dassler Marques)
Luiz Gustavo
Palmeiras, ex-Mirassol
Um zagueiro bom de cabeça. Assim é Luiz Gustavo, zagueiro do Palmeiras e um dos destaques do time na Copinha. Artilheiro quando frequenta a grande área, é também um atleta com bastante suporte psicológico. Após passar dificuldades financeiras recorrentes de muitos jogadores em início de carreira, começou no Mirassol e logo chamou atenção de grandes clubes. Após período de 20 dias treinando no Arsenal, recusou a proposta do clube inglês para não ficar longe do Brasil e por julgar não estar preparado para sair tão cedo do país. O zagueiro /94, então, voltou da Inglaterra com propostas brasileiras nas mãos e optou pelo Palmeiras, clube no qual é tido como uma das maiores apostas da base. (Leonardo Sacco)
Diego Souza
Palmeiras, ex-São Paulo
Artilheiro do Palmeiras na Copinha com cinco gols, Diego Souza iniciou sua formação em Cotia. O meia-atacante foi campeão e goleador do Paulista Sub-15 em 2008 pelo São Paulo anotando 23 gols, mas acabou dispensado do clube pouco depois por indisciplina. Atento, o Verdão convenceu o jovem a “pular o muro”, inclusive prometendo pagar luvas no valor de R$ 500 mil ao jogador. Após disputar o Paulista e o Brasileiro Sub-20, Diego se consolidou de vez como a grande promessa dos juniores do alviverde na disputa da Copa São Paulo, atuando como armador e marcando três gols nos primeiros três jogos da equipe. Nos jogos seguintes, o camisa 10 foi adiantado para o ataque (revivendo seus tempos de tricolor) e teve seu rendimento comprometido, mas ainda assim demonstrou muita técnica, agilidade e personalidade. (Gabriel Seixas)
Bruno Lamas
Santos, ex-São Paulo
Na Copa São Paulo deste ano, ele atuou com Pedro Castro, Victor Andrade e Neílton no Santos. Mas há pouco mais de dois anos, muito provavelmente o meia Bruno Lamas pensasse que debutaria na Copa São Paulo ao lado de Mirrai, Ademilson e Lucas Piazon. Afinal, foi atuando com o trio que o jogador brilhou na conquista da Copa Nike Sub-15 de 2009 e no ataque avassalador do tricolor no Paulista da categoria. Apesar de considerado peça importante do grupo pelo entrosamento que possuía com Piazon - então estrela da companhia - Bruno não teve seu vínculo renovado quando completou 16 anos e acabou descendo a serra para defender o Peixe, que já o observava desde o ano anterior. No alvinegro, foi importante no vice-campeonato do Paulista Sub-17 e em vários jogos da Copinha, com passes precisos e bolas paradas perigosas. (Lincoln Chaves)
Fred
Internacional, ex-Atlético-MG
Um dos destaques do Internacional na Copa São Paulo pelo segundo ano consecutivo, o meia Fred teve sua formação inicial no futsal de Minas Gerais, onde chegou a ser treinado por Enderson Moreira. Natural de Belo Horizonte, logo migrou para as categorias de base do Atlético Mineiro, clube que defendeu até 2008, ano em que foi semifinalista da Copa Votorantim com a equipe sub-15 – era lateral esquerdo na época. Pouco aproveitado no Galo, porém, buscou novos ares e desembarcou em solo gaúcho no ano seguinte, para atuar no Porto Alegre. Em 2010 já defendia o Inter, participando de seis títulos da base colorada. Relacionado para duas partidas da equipe profissional no último Campeonato Brasileiro, deve conseguir mais espaço em 2012. (Emílio Martins)
John Cley
Vasco, ex-Olé Brasil
Nascido em Brasília, John Cley teve a oportunidade de se desenvolver no Olé Brasil, onde ficou até 2009. Contratado pelo Vasco, teve alguma dificuldade no começo e era ofuscado por Guilherme, meia badalado desde a seleção sub-15 e convocado para o Sul-Americano Sub-17. Do meio para o final de 2011, porém, o meia evoluiu assustadoramente, a ponto de assumir a titularidade do time na Copa São Paulo e ser um dos poucos a conseguir se salvar em meio ao naufrágio vascaíno diante do Taubaté logo na primeira fase. A recompensa não demorou a aparecer: o técnico Cristóvão Borges o relacionou para a partida contra o Americano, na estreia pelo Campeonato Carioca e, embora não tenha sido aproveitado, Jhon Cley deverá ter mais oportunidades. Desde que, é claro, mantenha o ritmo. (Pedro Venancio)
Crédito das fotos:
Capa - Célio Messias/Agência Lance; Douglas - Hélio Suenaga/Gazeta Press; Eduardo - Ralff Santos/Fluminense FC; Higor - Ralff Santos/Fluminense FC; Denner - Divulgação; Victor Brasil - Edson Lopes Jr./Terra; Diego Souza - Divulgação; Bruno Lamas - Divulgação
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