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Copa São Paulo 2012

Review Copa São Paulo 2012

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Equipe Olheiros.net - 26/01/2012

O título não ficou em mãos muito diferentes. Maior campeão da história, o Corinthians ampliou sua vantagem com a oitava Copa São Paulo e agora vantagem de três conquistas para o Fluminense, vice-campeão de enorme brilho, qualidade técnica e de uma final marcante. Se teve um vencedor tradicional, a Copa São Paulo 2012 também teve muita coisa diferente, peculiar, que deixa a última edição com registro especial na história.

A começar por seu artilheiro, versão mato-grossense chamada Valdívia e camisa 10 do Rondonópolis, e passando por uma primeira fase que varreu os dois últimos campeões, São Paulo e Flamengo, a Copinha 2012 desafiou o script. Teve jogos emocionantes, um camisa 10 clássico, Eduardo, um zagueiro fora de série, Marquinhos, um nome decisivo de só 16 anos, Leonardo, e um herói pouco provável. Antônio Carlos, o carioca corintiano de dois gols na final, havia saído do próprio Flu. Abaixo, o Olheiros mostra tudo e mais um pouco e faz até uma autocrítica: quem apostamos e naufragou? Confira a seguir. (Dassler Marques)

O campeão acima de qualquer suspeita

Aproveitamento de 100%, com oito vitórias em oito jogos. O melhor ataque e a melhor defesa da competição e o time com mais jogadores com condições de chegar aos profissionais. O título conquistado pelo Corinthians, em que pese um Fluminense fortíssimo e com até mais qualidade técnica, é difícil de ser contestado. A oitava conquista da Copa São Paulo dá ainda mais vantagem aos corintianos na história da competição.

Intensa, solidária sem a bola, com volantes técnicos e o sistema tático do 4-2-3-1, o Corinthians de Narciso foi montado ao espelho do time principal, o que pode facilitar para Tite a observação e o encaixe dos mais jovens em seus planos. O treinador, naturalmente, pode se amparar na campanha irretocável.

A partir da estreia com vitória por 9 a 0 sobre o Santos-PB, passando por Desportiva Capixaba, Juventus, Goiás e Primeira Camisa para chegar entre os oito melhores. Adiante, o Corinthians foi econômico e fez 1 a 0 sobre o América-MG, mas encaixou ainda incríveis 6 a 0 sobre o Atlético-PR para ir à decisão. A final apresentou fato novo, que foi sair atrás do marcador, e a taça veio de virada. Matheus Caldeira, Antônio Carlos, Marquinhos, Denner, Gomes, Anderson, Matheuzinho e Douglas têm mais chances de treinar com os profissionais. Leonardo, com 16 anos, e Giovanni, com 17, devem esperar mais. (DM)

Flu, Coritiba e Atlético-PR: derrotados? Longe disso

A perda do título da Copa São Paulo pode ser encarada de duas formas no Fluminense. Sob a ótica negativa, fica o quarto seguido da equipe júnior tricolor em cerca de seis meses. Na otimista, fica a constatação: um time que alcança a final dos três principais torneios de base do País (além da Copinha, o Flu também decidiu a Taça BH e o Brasileiro Sub-20) deve realmente fazer um ótimo trabalho. Esta última análise é a que melhor pode descrever o vice tricolor.

É verdade que a equipe só "engrenou" no mata-mata. Na primeira fase, uma goleada esperada sobre o Ji-Paraná (RO), uma vitória apertada contra o Mogi Mirim e a surpreendente derrota para o Olé Brasil, que levou o Fluminense à disputa de vaga por índice técnico. A partir do difícil triunfo sobre o Bahia, a máquina tricolor entrou em ação. Nos três jogos seguintes, foram 12 gols. Se ao longo do torneio brilhou pelo Flu o camisa 10 Eduardo - talvez o grande nome da Copinha - na fase eliminatória quem tomou os holofotes para si foi Marcos Júnio.

Até a semifinal, a campanha da dupla Atle-Tiba foi excelente. No geral, o Coritiba fica um pouco à frente após encerrar a primeira fase com 100% de aproveitamento e marcar 23 vezes, com destaque ao artilheiro Alex, vice-artilheiro com 7 gols, aos meias José Rafael, Denner e Thiago Primão e ao seguro goleiro Victor Brasil. Também comandado por um goleador (Taiberson), o Furacão foi mais econômico nos gols (18), mas passou pelos fortes Palmeiras e Cruzeiro. Além de Taiberson, o lateral Jean e o goleiro Hugo também saem valorizados. (Lincoln Chaves)

Os jogadores que terminam em alta

Quem também sai da Copinha em alta, mesmo com a eliminação precoce no mata-mata, são o zagueiro artilheiro Jubal e o meia Pedro Castro, do Santos, além do volante Filipe e do atacante Paulinho, do Bahia, já integrados aos profissionais por Joel Santana. O mesmo pode se dizer dos palmeirenses João Denoni e Diego Souza, ótimos coadjuvantes de Bruno Dybal, e do atacante Sassá, principal destaque do Botafogo nos gramados paulistas.

Entre os pequenos, destaque absoluto para o goleador Valdivia, do Rondonópolis, talvez o grande personagem do campeonato, e seu companheiro Kaike, que foi às redes em cinco oportunidades. O mesmo número de gols marcaram Chico e Luiz Phelype, do Desportivo Brasil, clube que alcançou excelente participação pelo segundo ano consecutivo. Danrlei, do Grêmio Osasco, algoz do Grêmio na fase de grupos, e Fernando, seis gols pelo São Caetano, também merecem lembrança. (Emílio Martins)

Os jogadores que terminam em baixa

Por outro lado, alguns atletas não mostraram na Copinha o que deles se esperava e acabaram perdendo prestígio, ainda que tenham potencial para, em breve, dar a volta por cima. Foram os casos, por exemplo, do volante Marlon Bica, do Internacional, e do meia Bruno Sabiá, do Palmeiras. Semifinalistas do Mundial Sub-17 com a seleção brasileira em 2011, ambos começaram a competição como titulares e terminaram no banco de reservas – Marlon perdeu a posição para Tárik, enquanto Sabiá sobrou no cauteloso esquema do técnico Márcio Vicente.

Quem também decepcionou foi o badalado Guilherme, do Vasco. O talentoso meia esteve apático como na maioria de suas aparições nos últimos meses e, de quebra, viu seu companheiro John Cley ser relacionado por Cristóvão Borges e chegar ao grupo principal. Quem sai em baixa é Ademilson, do São Paulo. O atacante não conseguiu classificar o tricolor ao mata-mata, e, cotado para subir aos profissionais, ainda aguarda o chamado de Emerson Leão. Por fim, mais um que não mostrou a que veio e ficou pelo caminho na fase de grupos foi Lorran, do Flamengo. Campeão no ano passado, o meia estagna enquanto vê Frauches, Muralha, Thomás, Adryan e Lucas aproveitados por Vanderlei Luxemburgo. (EM)

Autocrítica do Olheiros: os acertos

Antes de a Copinha começar, o Olheiros apontou jogadores para se acompanhar mais de perto. Em um torneio tão imprevisível, ao menos oito deles foram bem. São os casos de Bruno Dybal (Palmeiras), João Felipe (São Paulo), Agdon (Vitória), Rodrigo Dourado (Inter), Paulinho (Bahia), Victor Andrade (Santos) e Marcos Guilherme (Atlético-PR). Os dois últimos garotos são da safra /95 e, mesmo dois anos abaixo da idade-limite, não se intimidaram em nenhum momento.

O maior acerto de nossa equipe acabou ficando por conta de Eduardo, finalista com o Fluminense e um dos melhores jogadores da Copinha. Técnico e de qualidade apurada em passes e chutes, o habilidoso jogador foi o cérebro de uma equipe que fez ótima campanha e aguarda chance nos profissionais. (Leonardo Sacco)

Autocrítica do Olheiros: os tiros n’água

Se mandamos bem em alguns nomes, também borrifamos em outros. O principal deles é Adryan, que passou longe do destaque de 2011 e afundou junto com o Flamengo ainda na primeira fase. Também sumido em campo esteve Luan Teixeira, que fez parte da turbulenta defesa vascaína eliminada na primeira fase. Paulinho, considerado um dos destaques do time corintiano, acabou se machucando contra o América-MG após perder os primeiros jogos justamente por estar se recuperando de contusão. Willian Rocha, do Coritiba, Jean Deretti, do Figueirense, e Alisson, do Cruzeiro, foram outros discretos. (Maurício Vargas)

Surpresas e decepções

Decepções não faltaram na Copinha 2012. De fato, desde 2006, quando Atlético-MG, Cruzeiro, Fluminense, Palmeiras e São Paulo caíram logo de cara (o maior número da história), não havia tantos grandes eliminados na primeira fase – este ano foram quatro: Atlético-MG, Flamengo, São Paulo e Vasco. O Galo, aliás, está se especializando em vexames, e nos últimos cinco anos só avançou à segunda fase uma vez.

Já o Flamengo deu vexame atrás de vexame. Em um grupo fraco, empatou os três jogos, contra Aquidauanense-MS, São Carlos e União São João, e ficou em terceiro lugar, passando longe da vaga. O fracasso da campanha só aumenta quando se lembra que vários nomes da conquista de 2011 estavam presentes, como Adryan, além de Muralha e Thomás – a maior decepção da Copinha nos últimos anos.

Contudo, se as decepções foram muitas, as surpresas não foram tantas como em anos anteriores. Já nas quartas de final, tirando o Desportivo Brasil de Chico e Luiz Phelype – que nem é mais tão surpresa assim, afinal foi semifinalista no ano passado -, todas as equipes ainda vivas na competição eram tradicionais.

Interessante notar, novamente, o bom desempenho dos clubes-empresa, como o próprio Desportivo: em seu segundo ano na Copinha, o Red Bull chegou às oitavas de final com nomes interessantes como os meias Gabriel e Augusto e o Olé Brasil derrotou o Fluminense na fase de grupos com um bom futebol. O Primeira Camisa também passou da primeira barreira do mata-mata, mas parou no embalado Corinthians.

Mas o título de grande surpresa da Copa São Paulo 2012 foi mesmo para o Rondonópolis. Em um grupo no qual parecia brigar apenas com o Linhares/ES para não terminar na lanterna, o campeão mato-grossense sub-18 venceu a Ferroviária dona da casa por 4 a 3 em um jogo emocionante, perdeu para o Palmeiras por 3 a 0, mas se classificou para a segunda fase com uma goleada de 6 a 1 sobre os capixabas.  Valdívia, um /94 que fez três gols em um jogo e quatro no outro, terminou a competição como artilheiro com oito no total e a perspectiva de um futuro promissor. (MV)



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