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O obstáculo Rogério Ceni

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Leonardo Sacco - 28/01/2012

Nunca é fácil substituir um ídolo. Quando este ídolo tem mais de mil jogos pelo clube a situação só piora. E quando já marcou mais de cem gols as coisas ficam ainda mais difíceis. Se fez tudo isso sendo goleiro, é missão quase impossível. Pois bem, este é o panorama que os jovens goleiros Denis e Leonardo enfrentarão pelos próximos seis meses, quando terão a dificílima tarefa de substituir o lesionado Rogério Ceni na meta são-paulina. Uma fase que poderá consagrar os dois garotos e credencia-los a lutar pela titularidade assim que o ídolo se aposentar – o que, por seus 39 anos, é de se acreditar que não demorará muito. Mas pode acabar com suas carreiras em velocidade ainda maior.

Denis não é cria da base tricolor. Veio da Ponte Preta em 2009, quando tinha apenas 22 anos. Hoje, com 24, é considerado por muitos como o substituto natural de Rogério Ceni – inclusive pelo próprio titular. Não por acaso, assumiu a meta tricolor imediatamente após a lesão do titular. Fez boa partida diante do Botafogo-SP, na estreia do Paulistão, quando sequer foi muito exigido pelo frágil ataque adversário. Situação que mudou bastante no jogo seguinte, vitória por 3 a 2 sobre o Oeste. Dois gols sofridos e alguns ruídos vindos da torcida de que o arqueiro havia falhado em ambos. Surgiu, então, a dúvida: Denis será capaz de substituir Ceni?

O calibre de Rogério faz com que seja normal o surgimento de tal dúvidas. E não só entre os torcedores do tricolor. O medo dos dirigentes com a iminente aposentadoria de seu maior ídolo fez com que o São Paulo investisse pesado na formação de goleiros. Dessa obsessão em fabricar o novo Ceni surgiu Leonardo, ótimo goleiro /92 que ganhou o posto de reserva imediato com a lesão do ídolo. Reserva no time campeão da Copa São Paulo em 2010, o goleiro se destacou muito mais do que Richard, titular no ocasião, e acabou sendo visto por diretores e comissão técnica tricolor como um diamante a ser moldado.

O molde, obviamente, veste a camisa 01 e bate faltas – não que este seja um atributo necessário para o substituto de Ceni. Não raramente e o camisa 41 é pego falando de seu titular e ídolo em entrevistas. “Rogério é um espelho para todos nós de Cotia, onde o São Paulo investe muito”, afirma na maioria das vezes em que é questionado sobre a dura missão de ser goleiro reserva no tricolor paulista. Leonardo tem menos de um ano entre os profissionais do São Paulo e a diferença cronológica é tão grande que tem menos tempo de vida do que Rogério tem de clube. São diferenças assustadoras e que parecem travar o processo natural de substituição.

Quem também ganhou chances com a lesão de Ceni é Leo, goleiro dois anos mais velho do que Leonardo, mas ainda assim atrás de seu xará na corrida por uma vaga.  Revelado na Portuguesa, assumiu a condição de terceiro goleiro e, assim como Denis, representa o desejo tricolor de garimpar bons goleiros na ânsia de substituir Rogério.  Depois de chegar aos 14 anos no São Paulo, foi destaque no título da Dallas Cup em 2007, aos 17 anos, e desde então oscila entre os reservas do time profissional. Apesar de ser o possível substituto com mais tempo no clube, ainda não é visto como maduro suficiente para assumir a camisa 1 em um futuro próximo.

Para resolver tal problema, já passou uma temporada emprestado ao Toledo, do Paraná, para adquirir experiência e melhorar sua forma debaixo das traves. Além, é claro, de ter passado no intecâmbio ao lado de Ceni nos profissionais. Afinal, apesar de ser a sombra dos garotos, o goleiro se porta sempre de maneira muito solícita e tem ajudado pelo menos com conselhos aqueles que chegam ao clube para substituí-lo.

Por mais estranho que seja, a lesão de Ceni poderia ser boa para seus reservas imediatos. Mas não é. Colocou sobre as costas de Denis e, principalmente, Leo e Leonardo o peso de reproduzirem em campo o que um ídolo de 39 anos levou mais de 20 anos para conseguir. A ânsia são-paulina só piora quando é levada em conta a ausência de uma taça, artefato que não chega ao Morumbi desde o já distante título brasileiro de 2008 - quando Leo já fazia parte do elenco. Pouco para quem está acostumado a levar campeonatos a torto e a direito. E muito quando se coloca mais essa carga nas costas de dois garotos como Leonardo e Leo.

Ciente de que terá dificuldades, o São Paulo apenas investe em formação de novos goleiros em seu CT de Cotia. Apesar das cifras milionárias, é muito pouco para formar o substituto de um ídolo. Denis, que veio de outro clube, é o único que não conhece a realidade são-paulina desde a adolescência. Talvez por isso, apesar da qualidade, talvez caia em ostracismo em pouco tempo. Será a vez, então, dos xarás Leo e Leonardo provarem que Rogério pode ter substituto em campo, mesmo que nunca seja substituído na cabeça dos torcedores.

Crédito das fotos
Capa: Lance!
Denis: Uol.com.br
Leonardo: Lance!



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