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Professores da base

Rogério Micale: talentos e taças na mesma teia

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André Augusto - 29/01/2012

Um dos treinadores de categorias de base mais conhecidos do Brasil na atualidade, Mário Rogério Reis Micale é um dos pilares do Atlético-MG, clube que costuma dar diversas chances às suas crias. Do último Brasileiro, peças importantes da equipe de Cuca, como o goleiro Renan Ribeiro e o meia Bernard, são apenas alguns exemplos de jogadores que foram trabalhados pelo treinador de 42 anos.

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Depois de um início de 2011 onde tentou dar os primeiros técnicos como profissional, em breves passagens pelo Grêmio Prudente (atual Barueri) e Democrata, Rogério Micale voltou para ajudar o Galo com o título invicto da Taça BH, recheando ainda mais seu currículo de campeão da base e de revelador de talentos. Um novo bom trabalho no time mineiro pode credenciá-lo, novamente, a avançar rumo ao antigo sonho de treinar uma equipe profissional.

Fim e começo no Paraná

Poucas informações são conhecidas acerca do passado de atleta de Rogério Micale. Mas o baiano de Salvador fez a maior parte de sua carreira como goleiro no futebol paranaense, com passagens conhecidas na década de 90, entre outros, por Londrina e Apucarana. É dos tempos de jogador que vem o apelido de “Aranha”. E que pode ser comparada, em sua nova função, ao de montar bons elencos com jovens talentos da mesma forma que o aracnídeo tece sua teia: com cuidado e paciência.

Em Londrina, encerrou precocemente a carreira e assumiu o comando da Portuguesa Londrinense sub-17 com apenas 30 anos, em 1999. Os primeiros êxitos não demoraram a acontecer, com títulos no sub-17 e no sub-20 em dois anos de trabalho. Depois de estadias rápidas pela Adap/Jacarezinho (PR), Marcílio Dias (SC) e Adap/Campo Mourão (PR), Micale voltaria aos bons trabalhos na cidade em que começou a se projetar, já no comando da principal equipe da cidade, em 2002. Com o Tubarão, um título da Copa Itaguaré Sub-17, além de mais três títulos com o sub-20 – entre eles, o bicampeonato da Taça Jacy Staff, conquistado em 2001, com a Lusa Londrinense.

Apesar de empilhar títulos regionais medianos, era hora de Micale tentar outro nível. Desafio árduo para quem não era um nome conhecido fora dos pólos de futebol mais conhecidos dentro do próprio Paraná. Ainda assim, o jovem treinador foi capaz de rumar para um clube com um pouco mais de visibilidade, fato que aconteceu quando assumiu a base do Figueirense, em 2005.

Sucesso que veste preto e branco

O primeiro trabalho mais longo, justamente sob o comando do Figueira, deu resultados tanto em títulos quanto em novos talentos. Desembarcando em Florianópolis, em 2005, Micale começou a desenvolver um trabalho benéfico ao clube alvinegro em longo prazo. Primeiro, veio o bicampeonato Catarinense Sub-20, em 2006 e 2007, e a Copa Santa Catarina, também em 2007. Mas o melhor estava por vir: a Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2008, onde a mescla entre juniores e juvenis seria fundamental.

Após vencer as duas primeiras partidas do Grupo I, contra Vila Nova e Vilavelhense-ES, os catarinenses caíram ante o Pão de Açúcar e avançaram à segunda fase pelo índice técnico – como a oitava melhor campanha da primeira fase. Nada que descredenciasse a equipe. A partir dali, entre a eliminação de gigantes (como São Paulo e Palmeiras) e de bons jogos contra as surpresas da competição, o Figueirense chegou como favorito à final contra o não menos surpreendente Rio Branco, do qual venceu por 2 a 0 no simpático Estádio Nicolau Alayon, na capital paulista, sacramentando o título inédito para o futebol do estado.

Se não era o time mais técnico, o Figueira tinha um seguro goleiro Gustavo, além do meia Maicon Talhetti (que ainda não vingou), entre outros. E dos que não puderam estar naquela conquista, saiu o mais promissor e que rendeu retorno aos cofres do clube: o zagueiro Felipe Santana, campeão alemão pelo Borussia Dortmund na última temporada.

Mas o título e a fornada de novos jogadores não foram capazes de salvar Micale da foice da diretoria alvinegra, que alegou contenção de gastos quando demitiu o técnico, em dezembro de 2008. Contudo, um mês depois, ele começaria história de sucesso com outra equipe alvinegra, essa de muito mais peso no país: a do Atlético-MG.

Taças e decepções

Substituindo Leonardo Condé, eliminado na primeira fase da Copinha de 2009, Micale chegou ao Galo como parte de um projeto de investimento nas categorias de base do clube mineiro. Dentro de campo, os resultados do novo profissional não demoraram a acontecer, com os títulos da Taça BH e do Mineiro Sub-20 daquela mesma temporada, além do vice do Torneio de Teborg, na Holanda. Dessa safra, o principal nome da equipe foi o goleiro Renan Ribeiro, atual titular da meta do técnico Cuca.

Mesmo com uma geração promissora, seus comandados não conseguiram engatar o bom momento na Copinha seguinte, novamente eliminados na primeira fase. Após quase assumir interinamente a equipe principal após a demissão de Vanderlei Luxemburgo devido à má campanha naquele Brasileirão – Dorival Júnior chegaria logo em seguida –, Micale resolveu alçar um voo mais ousado e tentar a sorte no Campeonato Paulista, assumindo o Grêmio Prudente, recém-rebaixado da elite do futebol brasileiro, deixando o elenco atleticano a poucos dias da estreia da Copa SP de 2011.

Porém, a aventura do novo técnico no interior paulista durou apenas dois jogos, onde foi precocemente demitido, roteiro seguido à risca no Democrata, de Governador Valadares, poucos meses depois, já na terceira divisão do Mineiro. Poucos dias depois, porém, já reintegrado ao Galo, comandou a equipe na campanha perfeita no penta da Taça BH. Foram nada menos do que nove vitórias em nove jogos, 20 gols marcados, nenhum sofrido e mais um talento ganhando corpo: o meia Bernard, autor do gol do título contra o Fluminense.

De volta a São Paulo, porém, o técnico e o elenco do Galinho não conseguiram evitar nova eliminação na primeira fase da versão 2012 da Copinha - a terceira, em quatro anos, com o terceiro lugar do Grupo R, atrás de Desportivo Brasil e Criciúma. Contudo, o currículo de Rogério Micale sugere que, em breve, novos talentos do Atlético-MG já estejam “costurados” para poder servir à equipe de cima novamente.

Ficha técnica

Nome: Mário Rogério Reis Micale

Data de nascimento: 28/03/1969

Local: Salvador, Bahia

Clubes dirigidos: Portuguesa Londrinense, Adap/Jacarezinho, Marcílio Dias, Adap/Campo Mourão, Londrina, Figueirense, Atlético-MG, Grêmio Prudente (profissional) e Democrata de Governador Valadares (profissional)

Principais títulos: Campeão da Copa Paulista de Futebol Sub-17 (2000), Campeão da Copa Jacy Scaff Futebol Sub-20 (2001), Campeão da Copa Itaguaré Sub-17 (2002), Campeão da Copa Jacy Scaff Futebol Sub-20 (2003), Campeão da Copa Tribuna de Futebol Sub-20 (2003), Campeão dos Jogos Abertos do Paraná (2003), Campeão Catarinense Sub-20 (2006 e 2007), Campeão da Taça Santa Catarina (2007), Campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior (2008), Campeão da Taça BH (2009 e 2011)



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