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Projetos em amadurecimento

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Lincoln Chaves - 30/01/2012

Oitavas de final da Copa São Paulo. Dentre os 16 sobreviventes, quatro clubes-empresa. Um fato relevante pela significativa representatividade estabelecida na fase, de um clube-empresa em cada quatro classificados (25%). Estatística que ganha força quando se recorda que eram apenas cinco times dessa natureza entre os 96 participantes da Copinha (cerca de 5% do total). Isso porque um deles – o Desportivo Brasil, que em 2011 já fora às semifinais – ainda alcançou as quartas. Tais projetos ainda são relativamente jovens, com (em média) cinco anos de existência, mas os resultados recentes (incluindo os da última Copa SP) mostram que o trabalho já começa a amadurecer e dar os primeiros frutos rumo à afirmação.

>>> Confira a entrevista de Carlos Andrade, diretor de base do Red Bull Brasil ao Olheiros
>>> Campanhas e afirmação de Bruno Uvini atestam trabalho no Audax (ex-Pão de Açúcar)
>>> Veja a entrevista de Eduardo Zanello, dirigente do Olé Brasil, ao Olheiros em 2010

"Mas por que usar resultados como parâmetro, sendo que na base o importante é revelar?". É importante entender que enquanto os times tradicionais formam jogadores essencialmente para abastecer sua equipe profissional, os clubes-empresa têm, geralmente, o mote de forjar talentos para negociações posteriores. Se ganhar na base – embora importante – não é fundamental para Corinthians, Santos ou Internacional, o discurso muda de figura quando se fala em clubes como DB ou Olé Brasil. Afinal, enquanto esses projetos vivem seus primeiros anos de vida, são resultados positivos e a revelação dos primeiros jogadores que propiciarão evidência e respeito ao pesado investimento usualmente feito nesse trabalho.

Os números, mais uma vez, são interessantes. Na Copa SP do ano passado, quatro clubes-empresa já haviam passado da primeira fase, e dois (Audax – antigo Pão de Açucar – e DB) chegado às oitavas. Em 2010, foram três os times que chegaram a segunda fase e dois (novamente, Audax e DB) os que ficaram entre os 16 primeiros. Nos Paulistas de base, a constatação também é curiosa. De 2007 para cá, em pelo menos um dos quatro níveis do Estadual (sub-15, sub-17 e sub-20 - 1ª e 2ª divisões) há a presença de um clube-empresa na final (foram seis decisões nesse período, com três títulos e uma curiosa final no Paulista Sub-17 de 2009 entre Olé Brasil e Paulínia).

Quem puxa essa fila hoje é o Desportivo Brasil. Pelo segundo ano consecutivo, o time coordenado pela Traffic alcançou um posto entre os 10 primeiros da Copinha. Além disso, no último ano, foi semifinalista do Paulista Sub-17 e campeão inquestionável no Sub-15. Os resultados dão força ao potencial de alguns dos meninos que despontam nas canteiras da Traffic em Porto Feliz, dos garotos /96 Renato Kayser e Bruno Gomes (que fez treinos pelo Manchester United no ano passado) passando a atuais promessas como Aguilar, Lucas Evangelhista e Chico, e chegando aos que já rumaram a novas aventuras, como Gladestony (Twente) e Dellatorre (Internacional), da safra semifinalista da Copa SP em 2011.

Ainda que um degrau atrás, Olé Brasil e Primeira Camisa – dois dos quatro clubes–empresa paulistas nas oitavas da Copinha – também vêm galgando seus espaços. O primeiro ganhou destaque em 2009, quando sagrou-se campeão paulista sub-17, apresentando uma interessante safra /92, encabeçada pelo atacante Fábio (ex-Santos) e pelo ótimo meia Canesin (Anderlecht). O segundo, desde 2007 na ativa, além da evolução nos resultados (passou da primeira fase da Copinha pelo terceiro ano seguido), também já vê revelações rumarem a categorias de base de outros centros do País (Maycon e Douglas no Inter, Gilberto, Pedro e Dielton no Fluminense) e até de fora (Carlos Eduardo, zagueiro /92 do Sturm Graz).

Nessa mesma toada, mas com resultados de impacto mais recentes, estão Red Bull Brasil e Paulínia. Seguindo um mote diferente dos demais clubes-empresa e focando a formação de jogadores para o próprio elenco profissional, o Touro Vermelho, além da classificação inédita às oitavas da Copa SP, viu as safras /94 e /96 – que serão as primeiras totalmente formadas no clube – fazerem ótimas campanhas nos Paulistas Sub-15 e Sub-17, atestando o bom trabalho. Passo semelhante vem dando o Paulínia, cuja geração /92 vice-campeã paulista em 2009 e que encabeçou o título estadual de juniores da 2ª divisão em 2010 surpreendeu em 2011, obtendo o terceiro lugar no Paulista Sub-20 principal.

Mas talvez seja o Audax o mais "famoso" dentre os clubes-empresa de São Paulo. Os atuais resultados até não impressionam tanto. Se em 2011 o time paulistano teve como melhor campanha a classificação a segunda fase do Paulista Sub-15, a equipe fundada em 2004 já havia chamado atenção principalmente entre 2007 e 2008, com dois vices (Estaduais Sub-15 e Sub-17) e um título (Sub-17). Apesar disso, o Audax começa a viver hoje uma fase de amadurecimento, na qual já pode ser melhor avaliado pela variedade de revelações presentes em grandes do País e até do exterior – casos do zagueiro Bruno Uvini (São Paulo), do meia Paulinho (Corinthians), e do atacante Rafael Diniz (Porto).

Por agora, ainda é difícil afirmar que já se exista uma excelência na formação de jogadores nestes clubes. Até porque trata-se de um trabalho extenso e que demanda paciência (uma realidade nem sempre presente nas empresas). No entanto, a evolução dos resultados e na aparição de garotos com bom potencial nestas equipes – que, consequentemente, permitem a formação de times competitivos na base – evidencia duas coisas: que o caminho está sendo bem feito de forma geral e que a eterna desconfiança quanto aos projetos desses clubes começa a se esvair. Exceto em um ponto: a durabilidade destes trabalhos, ainda muito dependente de uma demanda de mercado que nem sempre é favorável ao do futebol.

Fotos: Fernando Martinez/Jogos Perdidos (capa); Bê Caviquioli/Futura Press (Desportivo Brasil); voetbalbelgie.be (Canesin)



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