Emílio Martins - 30/01/2012
A cada ano par, sempre nos meses de janeiro e fevereiro, a Copa Africana de Nações surge como uma interessante competição a ser acompanhada pelos amantes do futebol. Em 2012, no Gabão e Guiné Equatorial, não tem sido diferente, mesmo com a ausência de seleções tradicionais do continente, vergadas de forma surpreendente (algumas nem tanto) nas Eliminatórias – casos do atual tricampeão Egito, Camarões, Nigéria, Argélia, etc. E, como não poderia ser diferente, a CAN mais uma vez nos brinda com a presença de alguns jovens talentos.
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Em muitas seleções a juventude aparece com força. Gana, uma das favoritas ao título com a ausência egípcia, é um exemplo. Do time campeão mundial sub-20 em 2009 – e alguns “analistas” ainda falam mal dos mundiais de base –, sete titulares fazem parte do elenco principal, entre eles protagonistas como Emmanuel Badu e André Ayew. Aliás, alguns nomes dessa geração participaram da própria CAN e da Copa do Mundo em 2010, ostentando uma rodagem pontual para que novatos como o /91 Jordan Ayew, irmão de André, e o /92 Masahudu Alhassan, titular na vitória contra Mali, no último sábado, se sintam a vontade no grupo.
Pegando o gancho dos Mundiais Sub-20, ainda, veremos que as referências do futebol ganês, hoje, são de uma geração que foi finalista no Mundial da Argentina, em 2001. Naquela equipe estavam Pantsil, John Mensah, Muntari e Derek Boateng, além do lesionado Michael Essien, o que evidencia a importância do trabalho de base, algo que tem faltado ao já eliminado Senegal, por exemplo, uma seleção que desde 2002 só decepciona.
Outro país que tem se beneficiado dos jovens é o anfitrião Gabão. Já classificado para os Jogos Olímpicos de Londres – e motivo de piada para os mesmos “analistas” durante amistoso com a seleção brasileira, no ano passado –, os gaboneses tem em Pierre-Emerick Aubameyang, 22 anos, a sua referência, ainda que o mesmo não seja, de um modo geral, o que dele se esperava nas categorias inferiores do Milan. Entre os titulares, também, destaque para Lévy Madinda, 19 anos, e André Biyogo Poko, 18, garotos que já desenvolvem seu talento no futebol europeu.
Fazendo valer o fator local, o Gabão já está classificado para as quartas de final, e, nesta terça-feira, define a liderança do Grupo C diante da Tunísia. Certamente o técnico alemão Gernot Rohr está preocupado com Youssef Msakni, autor de dois gols no torneio até o momento. Reserva na estreia, Msakni entrou para definir a vitória sobre o Marrocos, ganhou a posição e voltou às redes contra Níger, na segunda rodada. Nascido em 1990, o atacante já mostrara bons atributos no Mundial de Clubes, mesmo com o seu Esperance caindo precocemente frente ao Al-Sadd. Destaque, ainda, para o lateral esquerdo Aymen Abdennour, 22 anos.
Por fim, é importante pontuar nomes como o do atacante Emmanuel Mayuka, 21 anos, um dos personagens da belíssima campanha de Zâmbia na primeira fase, e dos guineenses Sadio Diallo e Abdoul Camara, autores de três dos seis gols de Guiné na goleada sobre Botsuana. Enquanto o prodígio Mayuka já labuta no futebol europeu desde 2008 – atualmente defende o Young Boys, da Suíça –, Diallo e Camara atuam na França, sendo que o último, formado no conceituado centro de formação do Rennes, defendeu a seleção francesa no Mundial Sub-17 de 2007.
Na teia da aranha
#1
Definida na última quarta-feira, a Copa São Paulo teve um justo campeão. Embora não tenha jogado mais do que o Fluminense na decisão – a vitória veio com dois gols de bola parada –, o Corinthians mostrou qualidade durante todo o torneio, finalizando com a melhor campanha, melhor ataque e melhor defesa. Marquinhos, Matheuzinho e principalmente Leonardo são ótimos talentos.
#2
Líder do Ranking Olheiros e referência em categorias ed base no Brasil, o Internacional segue devendo com suas gerações /97 e /98. Embora tenha chegado à semifinal em Votorantim, a atual geração sub-15 carece de talentos e está muito abaixo da /96, campeã da mesma competição em 2011. A sub-14, por sua vez, perdeu o Gre-Nal e foi eliminada pelo Juventude no Efipan, o que evidencia que alguma coisa está errada. Será a hora de uma reestruturação nessas categorias?
#3
Figueirense, campeão em Rio Preto, Coritiba, campeão em Votorantim após uma emocionante decisão frente ao Grêmio, e Santos, campeão do Efipan, são os três grandes vencedores da base brasileira em janeiro – ao lado do Corinthians, claro. Parabéns aos clubes e atenções voltadas, a partir de agora, para a Copa Santiago, já em andamento no Rio Grande do Sul.
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