Leonardo Mendes Júnior* - 05/02/2012
A eliminação com goleada foi incapaz de domar a curiosidade que a campanha na Copa São Paulo 2012 despertou nos torcedores de Coritiba e Atlético. Com seus times na semifinal, coxas e rubro-negros esfregaram as mãos à espera do que os piás formados pelos clubes podem fazer no profissional. Esperar uma solução caseira é tradição no futebol paranaense. Sem o poderio esportivo e financeiro dos dois principais eixos nacionais, o estado invariavelmente acaba sendo destino de jogadores de qualidade duvidosa ou interessados apenas em embolsar um pouco mais de dinheiro. As revelações acabam sendo, ao mesmo tempo, soluções baratas e que vestem a camisa, independentemente de o momento ser bom ou ruim.
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Para o torcedor do Coritiba, tão incômodo quanto ficar a um gol do título da Copa do Brasil ou a um passo da Libertadores foi ver que o 2011 de sonhos pouco teve de colaboração dos jogadores da casa. Lucas Mendes, zagueiro improvisado na lateral, era o único “piá do Alto da Glória” titular. Um enigma. Na última década, revelações como Adriano, Marcel, Lima, Miranda, Rafinha, Keirrison, Henrique e Pedro Ken surgiram e fizeram história em um clube com bem menos organização na base do que atualmente. Hoje, o Coxa tem um trabalho sólido coordenado por Felipe Ximenes, tem Marquinhos Santos, técnico de seleção de base, mas falta uma cria do CT da Graciosa brilhando no time de cima. A chegada à semifinal da Copinha só aguçou essa ansiedade, como já havia acontecido em 2010, com o título da Taça BH. O problema é que, exceto Luccas Claro, dificilmente algum torcedor consiga cravar um nome do sub-20 para subir de imediato.
O atleticano sabe bem o que é isso. Por anos, a estrutura de luxo do CT do Caju serviu apenas para dar a última lustrada em joias trazidas do PSTC, casos de Kléberson, Dagoberto, Jádson e Fernandinho. A geração vice-campeã da Copinha em 2009 recebeu toda a expectativa de ser essa fornada 100% made in Caju. Uma expectativa que acelerou a promoção dos garotos e queimou quase todos, só Manoel escapou.
O rebaixamento ano passado, com um elenco repleto de medalhões de contrato curto, despertou o sentimento de que somente um time identificado com o clube será capaz de devolver o Atlético à Série A. Juan Ramón Carrasco entendeu o recado imediatamente e abriu as portas para a base - inclusive quem sobrou da geração de 2009. A fritura generalizada da turma de Raul e Fransérgio, aliada ao bom começo do time em 2012, esfriou os apelos por garotos como Taiberson, o preferido dos rubro-negros na Copinha. Nada que não possa mudar ao longo do ano. Afinal, a dupla Atletiba nunca ficou na mão quando precisou de seus piás. E a Copa São Paulo 2012 mostrou que dos dois lados há garotos prontos para manter essa tradição.
* Leonardo Mendes Júnior é editor-chefe da Revista ESPN, blogueiro e colunista de Esportes do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, do qual foi repórter e editor de Esportes.
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