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Um Walcott (bem) melhorado

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Lincoln Chaves - 06/02/2012

Velocidade e precocidade no futebol inglês. Desde 2006, a descrição enquadrava-se perfeitamente em Théo Walcott, jovem prata da casa do Arsenal que surpreendeu ao figurar entre os 23 convocados por Sven-Goran Eriksson para a seleção inglesa à Copa do Mundo de 2006 com somente 17 anos. Pouco mais de cinco anos depois, tais características voltam a ser presenciadas no Emirates Stadium, agora presentes em um jogador que desponta para ocupar a lacuna deixada pelo próprio Walcott, que nunca chegou a se firmar ou atingir o patamar que dele se esperou. A bola da vez nos Gunners e na Terra da Rainha é o winger /93 Alex Oxlade-Chamberlain.

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As comparações com Walcott se justificam. Embora joguem em diferentes lados do campo, ambos despontaram ainda garotos defendendo o Southampton e têm como características o drible em velocidade e a rapidez para deslocamento no campo. No entanto, o "novato" desponta como uma versão "melhorada" de seu antecessor, considerando dois fatores fundamentais. O primeiro deles é a produtividade, e aí os números complicam bastante Walcott, que em 188 partidas pelos Gunners desde 2006, fez só 37 gols (0,19 gols/jogo). Chamberlain, por sua vez, já contabiliza quatro tentos em 12 atuações (0,3 gols/jogo), um saldo que já supera a temporada inicial de Walcott em Londres: um gol em 23 jogos.

O outro fator é diretamente relacionado à produtividade: a capacidade de dar as caras em campo. Se Walcott se configura cada vez mais como um jogador irregular, que não raramente some em partidas importantes, Chamberlain trilha o caminho oposto. Logo em seu segundo jogo como titular, debutou na Liga dos Campeões e com apenas oito minutos, abriu o placar na vitória do Arsenal sobre o Olympiacos. Há algumas semanas, foi surpreendente listado para sair jogando o clássico contra o Manchester United. Com muita velocidade e movimentação pela direita, armou todos os contra-ataques do time londrino e fez a jogada do gol de Robin Van Persie. Melhor em campo, foi ovacionado pela torcida no Emirates.

Na última rodada, outra grande atuação de Chamberlain. Novamente mesclando velocidade e inteligência, foi um dos destaques do primoroso 7 a 1 do Arsenal sobre o Blackburn Rovers. Na partida, apareceu diversas vezes por trás da defesa rival, dando assistência para um dos três tentos de Van Persie e marcando seus dois primeiros gols na Premier League. Atuações que tem feito a torcida esquecer Gervinho (que está na Copa Africana de Nações com a Costa do Marfim) e praticamente ignorar Andrey Arshavin. Aliás, Chamberlain passa a dar enorme dor de cabeça a Arsenè Wenger, já que Gervinho, que retorna nas próximas semanas, ainda não rendeu o esperado pelos Gunners (apenas quatro gols em 25 jogos).

Com tudo isso, vem a dúvida: Alex Oxlade-Chamberlain tem espaço na seleção inglesa? Apesar da tenra idade, a resposta é: possivelmente. A concorrência, embora mais experiente, está por baixo - dentre eles, o próprio Walcott. Dentre os rivais mais consistentes, hoje, estão Aaron Lennon (Tottenham) e Ashley Young (Manchester United), que também atuam como wingers pela direita. Especulado na equipe que irá a Euro desde o ano passado, devido a suas atuações decisivas pela seleção sub-21 no Europeu da categoria - foram cinco assistências e três gols nos cinco jogos da fase de grupos do torneio - Chamberlain ainda tem pelo menos dois amistosos pela frente para poder ser testado antes da Euro.

Desde 2005 o Arsenal não sabe o que é ser campeão, e a menos que a seca acabe na FA Cup, a série sem títulos seguirá até a próxima temporada. Um cenário que, a julgar pela própria ascensão do atacante, deve jogar em Chamberlain parte da pressão que hoje recai, dentre outros, em Walcott. Também nas competições que virão, o atacante terá que provar ser fisicamente mais resistente do que foi o companheiro nos últimos anos. Até por isso, é cedo constatar até onde pode chegar o camisa 15 dos Gunners. Mas é fato que o inglês de Portsmouth tem uma largada superior a de Walcott pouco mais de cinco anos atrás. Resta saber se ao longo do grande prêmio, Chamberlain manterá o ritmo dessas primeiras voltas.

Fotos: Paul Gilham/Getty Images (Capa); Clive Rose/Getty Images e Matthew Childs/Action Images (internas)



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