Pedro Venancio - 10/02/2012
Philippe Coutinho já estampa as capas de jornais, revistas e sites há pelo menos quatro anos e é profissional há três. Tratado como diamante no Vasco, assediado explicitamente no Real Madrid, vendido para a Internazionale, chegou a ser mais badalado inclusive que Neymar, a quem venceu na Copa Brasil Sub-17 em 2008 – vitória do Vasco sobre o Santos por 2 a 1 na final. Em 2012, porém, já não há mais tanta certeza assim de que será o craque que todos pintavam, e a prova disso é que a Inter, cansada de esperar boas atuações dele, o emprestou ao Espanyol para que o meia-atacante adquira rodagem e tempo de jogo, o que poderia ter sido feito na base.
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Ao olharmos em retrospectiva, é muito fácil dizer hoje que Coutinho subiu precocemente. O Vasco vivia uma crise técnica e para não perdê-lo imediatamente, o colocou para treinar com os profissionais em 2009, ano da estreia dele contra o Duque de Caxias, na Série B. O jogador, é claro, não recusou, pois viu a chance de estrear nos profissionais e crescer na carreira antes mesmo de tirar a carteira de habilitação. Parecia que ia dar certo. “Ele ainda tem defeitos, mas vai evoluir com o tempo”, diziam os defensores da promoção.
O presente mostra que a promoção precoce não ajudou no processo de formação. Ao contrário disso, nos três anos em que queimou etapas por ser mais talentoso do que os demais no drible – uma capacidade fantástica, o menino cola a bola no pé até hoje -, Coutinho não desenvolveu uma grande finalização, seja de dentro ou fora da área. Pior que isso: não é também um grande passador, algo que também poderia ter aprimorado. Evoluiu taticamente, é verdade, e hoje é um jogador de lado de campo importante para contra-ataques, mas está longe da progressão esperada.
A dificuldade em se adaptar ao futebol europeu também é outro ponto salientado, e as estatísticas ajudam a entender a razão de Coutinho ter perdido espaço na Inter. Em 19 jogos na temporada 2010/11, o meia fez apenas um gol e deu duas assistências, números insatisfatórios para quem chegou com reputação de craque. Em 2011/12, foram oito partidas, com um gol e uma assistência, e a ascenção do argentino Ricky Álvarez, contratado em julho, dificultou ainda mais as coisas para ele.
Na seleção brasileira sub-20, as coisas também não saíram da maneira esperada. Cortado do Sul-Americano da categoria por lesão, ele disputou apenas o Mundial. Em sete jogos, marcou três gols e fez uma assistência e foi útil na conquista do título. Mas o fato de ter chegado como protagonista capaz de suprir as ausências de Neymar e Lucas e ter sido coadjuvante de Oscar e Henrique também mostra que Coutinho, aos 19 anos, ainda não está pronto como se imaginou um dia que estava aos 17.
A ida por empréstimo ao Espanyol parece ter sido um excelente negócio para ele, por vários motivos. O clube catalão tem fama de tratar bem jovens jogadores, assim como o futebol na Espanha carrega o estereótipo de ser menos duro, mais ofensivo do que o italiano, o que facilita o estilo de jogo de Coutinho, de partir para o drible e tentar tabelas. É também a oportunidade de, em um contexto com pressão menor, trabalhar alguns aspectos do jogo que foram esquecidos em nome de uma precocidade a qualquer preço.
Na estreia dele, contra o Athletic Bilbao, atuação tímida, mas com participação na jogada do primeiro gol do empate por 3 a 3. Uma sequência maior de jogos é necessária para que uma avaliação mais clara seja feita, mas a expectativa é que Coutinho, finalmente, cresça e apareça com a força que se esperou dele um dia. Ainda há tempo para isso, é claro, mas também é claro que nas etapas queimadas também já foi perdido um tempo que não voltará mais. Para Coutinho, resta olhar para frente, corrigir os defeitos e voltar a mirar o sucesso que um dia muita gente apostava que ele faria.
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