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Philipe Troussier: as façanhas do “feiticeiro”

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Bruno Alves - 12/02/2012

O francês Philipe Troussier é “desconhecido” no futebol de sua pátria, mas em centros já tem um nome consolidado nos continentes africano e asiático. África do Sul, Marrocos, Nigéria, entre outras seleções, estão registradas no seu currículo. Mas seu trabalho começou a ter destaque no início dos anos 2000, quando passou pela base e no time principal da Seleção Japonesa, sendo um dos responsáveis pela evolução nipônica.

O bom trabalho feito no continente africano, onde passou pelas seleções da África do Sul, Costa do Marfim e Burkina Fasso, lhe rendeu a alcunha de “feiticeiro branco”. Atualmente, seus poderes estão concentrados no futebol chinês, onde, ao lado de outros técnicos estrangeiros, tenta revolucionar o futebol no país.

A carreira de atleta e o início como treinador

Como jogador, Troussier não teve tanto sucesso, como vem conseguindo como treinador. Com uma carreira breve, de apenas sete anos, Philippe atuou no futebol de sua pátria, defendendo o Angoulême, Red Star 93, Rouen e Stade de Reims, encerrando a carreira em 1983. No mesmo ano, passaria a tentar a sorte como treinador, no extinto Vichy.

Até que em 1989, teve sua primeira grande oportunidade, para um treinador em início de carreira. Após uma passagem pelo Red Star 93, Troussier assumiu o comando do Crétteil, que havia sido campeão da Terceira Divisão Francesa na temporada anterior. Sem muito sucesso em sua pátria, em 1990 foi uma das apostas do Mimosas, hoje o maior campeão marfinense, mas na época estava há 10 anos sem conquistar o Campeonato Marfinenses.

O renascimento do Mimosas e a consagração de Troussier

A aposta deu certo e recolocou o Mimosas como um dos times mais fortes da Costa do Marfim. Sob o comando de Troussier, foram conquistados três campeonatos marfinenses (1990-91-92), e os marfinenses voltaram a fazer boas campanhas na Copa Africana dos Campeões, que em 1997 passou a ser conhecida como Liga dos Campeões da África.

Na Copa Africana, em 1991, o Mimosas chegou apenas à semifinal, mas no ano seguinte, voltou a ser semifinalista, feito que não ocorria desde 1976. O bom trabalho feito por Troussier veio a dar frutos futuros com o clube se firmando como um dos principais reveladores de talentos do país. Jogadores como Yaya Touré (Manchester City), Gervinho (Arsenal), Eboué (Galatasaray), Kolo Trouré (Arsenal), Kalou (Chelsea) e Romaric (Sevilla), são alguns dos jogadores revelados pela equipe nos últimos anos.

O renascimento do Mimosas, que neste período encaminhou uma das maiores series invictas, com 108 jogos sem derrotas,  deu força ao currículo de Troussier, que em 1993 foi comandar a Costa do Marfim nas eliminatórias para a Copa dos Estados Unidos em 1994. O “feiticeiro branco” quase levou os Elefantes Brancos para a Copa, mas após seis jogos, onde não perdeu nenhuma partida, com uma proposta dos africanos do Kaizer Chiefs, deixou o comando da seleção, que perdeu a vaga para a Nigéria.

Após bons trabalhos com os africanos e no Rabat, da Burkina Faso, onde se converteria ao islã e mudaria o nome para Omar, voltou a atuar em seleções. Um de seus trabalhos mais marcantes foi com a seleção de Burkina Faso, na Copa Africana de Nações, em 1998. Os burquinenses, anfitriões da competição, não eram vistos como favoritos antes da bola rolar, mas a magia do “feiticeiro branco”, fez com que a equipe perdesse apenas para o Camarões na fase de grupos, conseguindo a classificação em segundo lugar, duas vitórias sobre Argélia e Guiné.

Contra a Tunísia nas quartas de final, classificação nos pênaltis, mas a eliminação veio nas semifinais para o Egito. Na disputa pelo terceiro lugar, contra o Congo, nova decisão nos pênaltis, mas dessa vez derrota burquinense. O quarto lugar conquistado na CAN de 1998 até hoje é a melhor campanha do selecionado na competição.

No mesmo ano o treinador assumiu o comando da África do Sul para a Copa do Mundo na França. Mas desta vez nem toda a magia de Troussier conseguiu fazer os Bafana Bafana conquistarem uma vitória sequer. Após o insucesso com os africanos, o mago francês levou seus poderes para o continente asiático, mais precisamente para o Japão.

Na terra do sol nascente, sucesso na base e na principal

O trabalho de Troussier com a seleção nipônica começou na base, onde o primeiro desafio foi em 1999 no Mundia Sub-20. Com os garotos da “geração J-League”, como Shinji Ono, Junichi Inamoto, Naohiro Takahara e Yasuhito Endo , o francês comandou os meninos nipônicos até o vice-campeonato.

Após a classificação na fase de grupos, os garotos do Japão passaram por Portugal, México e Uruguai, mas não conseguiram superar a geração /79 espanhola, sendo derrotados por 4 a 0 na final. No mesmo ano, Troussier comandou o selecionado do Sol Nascente nas Olimpíadas de Sidney, onde a “geração J-League” foi a base do time, eliminado nas quartas de final, após a derrota na disputa de pênaltis contra os EUA.

Em 2000, no comando da principal, o francês levaria os nipônicos ao título da Copa da Ásia, de forma invicta. Alguns dos garotos do Mundial de 1999 já estavam na principal naquela temporada. Destaque para Takahara, que foi vice-artilheiro da com cinco gols e eleito para a seleção da AFC. A conquista levou o técnico Philippe Troussier a ser eleito o técnico do ano pela Confederação Asiática de Futebol.

Todos estes feitos eram apenas previsão do que estava por vir. Na Copa das Confederações de 2001, em um grupo que contava com Brasil, Camarões e Canadá, os nipônicos se classificaram de forma invicta, passando pela Austrália nas semifinais e ficando com o vice por causa da derrota para a França na final.

Em 2002, com um dos anfitriões da primeira Copa do Mundo disputada simultaneamente em dois países, o “feiticeiro branco” levou os japoneses a inédita classificação para as oitavas de final, onde seriam eliminados pelos turcos. Mas era a melhor campanha nipônica até então, que só foi repetida na Copa do Mundo de 2010, disputada na África do Sul.

Após o sucesso no Japão, o treinador tentou repetir o mesmo feito em países, como Qatar e Marrocos, mas sem sucesso. Ainda passou por clubes como o Olimpique de Marseille e o pequeno Ryukyu, da terceira divisão japonesa, onde ficou por três anos. Atualmente no Shenzhen Ruby, que disputa o Campeonato Chinês, o “feiticeiro branco”, onde Takahara é uma estrelas do elenco, é uma das apostas para tornar grande o futebol do país mais populoso do mundo.

Ficha técnica

Nome: Philippe Troussier
Data de nascimento: 21/03/1955
Local: Paris, França
Clubes dirigidos: INF Vichy, CS Alençon, Red Star 93, Créteil, Mimosas, seleção da Costa do Marfim (principal), Kaizer Chiefs, CA Rabat, FUS Rabat, seleção da Nigeria (principal), seleção de Burkina Faso (principal), seleção da África do Sul (principal), seleção do Japão (sub-20, sub-23 e principal), seleção do Qatar (principal), Olympique de Marseille, seleção do Maroccos, Ryukyu e Shenzhen Ruby
Principais títulos: Tricampeonato Marfinense (1990-91-92), Copa da Ásia (2000)



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