Leandro Stein - 16/02/2012
O que já é um fenômeno antigo aqui no Brasil está virando praxe também na Inglaterra, ainda que por motivos diferentes. Os clubes do país estão gastando cada vez mais para contratar garotos nas categorias de base e, sobretudo, para pagá-los com cifras que antes só eram vistas entre os profissionais. A implantação na regra dos homegrown players, que obriga os clubes a relacionarem um número de pratas da casa ou de jogadores sub-21 em seus elencos, tem alterado a política de transferências feitas pelas equipes.
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Um exemplo claro da mudança de mentalidade aconteceu no dia do fechamento da janela de transferências da Premier League, em 31 de janeiro. Famoso pelos jogadores criados em suas categorias de base, o West Ham resolveu desembolsar 785 mil de euros por Ravel Morrison. O meia de 18 anos se destacou na base dos Red Devils e conquistou o título da FA Youth Cup. Mas sua experiência no time de Alex Ferguson se limitou a três partidas na Copa da Liga Inglesa, apenas uma como titular. Vale a pena o risco?
Esta temporada foi a última em que os clubes puderam abrir os cofres para trazer jovens sem se preocupar com o Fair Play financeiro, que será aplicado pela Uefa. Mais uma vez o maior gastador é o Chelsea, já famoso pelos tiros n’água dados em outros verões. Ao longo da temporada os Blues gastaram 53,2 milhões de euros com jogadores de 20 anos ou menos – e, por enquanto, o retorno em campo só tem aparecido com Oriol Romeu e Lucas Piazon.
Um negócio que até seria vantajoso para as equipes menores, não fossem os baixos valores que, por regulamentação, os compradores precisam pagar como contraparte pelas transferências. A tendência é que as atitudes como a do Chelsea, que investia em atletas a ponto de se profissionalizar, mudem para a direção de garotos ainda desenvolvendo seus predicados nos infantis ou nos juvenis.
Do outro lado da via, os clubes formadores por excelência já sentem as consequências dessas mudanças. As palavras vêm de Frank Clark, diretor do Nottingham Forest: “Nós sempre estivemos prontos para manter os nossos jogadores mais talentosos por um bom tempo no primeiro time. Mas agora os grandes clubes estão pagando fortunas para garotos de 13, 14, 15, 16 anos”.
E a probabilidade é que os resultados da formação no futebol inglês, que já tem sido baixos nos últimos anos, piorem ainda mais. Conforme uma pesquisa realizada no país, cinco de cada seis jogadores da base não atuam mais um clube quando completam 21 anos. Com o aumento no trânsito entre atletas e a aplicação de mais dinheiro neste tipo de negócio, a quantidade de jovens que ficarem pelo caminho tende a aumentar.
Somente uma política de formação bem estabelecida pode mudar tal panorama. Atualmente o maior exemplo de sucesso na base inglesa é dado pelo Southampton. Diante de toda a concorrência e das ofertas feitas por outros clubes, os Saints têm conseguido lapidar seus talentos e dar cancha para esses garotos entre os profissionais. A filosofia do clube prevalece e já rendeu mais de 100 milhões de libras as suas finanças, incluindo a venda de Gareth Bale e Alex Oxlade-Chamberlain.
Quem tenta agora se transformar em patamar para os outros é o Manchester City, transformando o perfil de vilão da história. O clube projeta a construção de um centro de treinamentos especialmente dedicado para a formação de jogadores. Para se ter uma ideia, as instalações suntuosas contam com 15 campos em tamanho oficial. E a inspiração vem de outras equipes famosas no trato com seus garotos, incluindo Barcelona, Los Angeles Lakers e New York Giants. A intenção é a de que os resultados comecem a aparecer em dez anos. Resta saber se, para que isso se realize, os milhões investidos na ideia não irão se desviar para as contas bancária de jovens promissores espalhados pela Grã-Bretanha.
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