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Cabeleira da Colina

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Leonardo Sacco - 18/02/2012

Estrutura capaz de dar às categorias de base tranquilidade para trabalhar. Um projeto organizado e que tem como intuito a formação de novos jogadores. Um CT moderno e um planejamento da diretoria que transforma o clube em um dos celeiros de atletas do Rio de Janeiro. São essas as premissas do Nova Iguaçu, jovem clube fluminense que desde o ano passado tem tido um pouco mais de destaque na mídia. Primeiro por revelar ao Botafogo o lateral Bruno Cortês – hoje Cortez e do São Paulo. Agora, por ser formador daquele que vem sendo um dos destaques do Vasco na temporada: William Barbio.

O atacante cruz-maltino foi destaque na última semana ao disputar sua primeira partida como titular do Vasco com gol e ótima atuação. Chamou atenção também pelo cabelo no estilo rastafari, que logo fez com que a torcida o apelidasse, ainda durante o jogo, de ‘Cabeleira’. A origem humilde, o jeito engraçado e tímido, o bom futebol e, claro, o estilo do cabelo fizeram com que as comparações com Cortez não demorassem a pipocar. Destacaram, então, o ótimo trabalho de base que o Nova Iguaçu vem fazendo. E que vem rendendo frutos para os grandes clubes cariocas.

Atacante rápido e com faro de gols, Barbio é da mesma safra de Cortez, apesar de ser mais novo que o lateral são-paulino. Da geração /92, demorou mais que o ex-companheiro para explodir por postura do próprio Vasco: após contratar o atacante, a diretoria cruz-maltina preferiu deixá-lo em um período de adaptação que durou até a pré-temporada deste ano. Ótimo para o jogador, que comemora o fato de ter estreado já ambientado à pressão e ao ambiente de um clube grande. No Vasco mostrou que pretende fazer o que sempre fez pelo Nova Iguaçu: muitos gols.

Sempre amparado pelo empresário – e espécie de padrinho no futebol – Jorge Morais, Barbio mostra faro de gols e velocidade que combinados fizeram dele o grande destaque recente da base do Nova Iguaçu. Artilheiro do Carioca Juvenil em 2009 e da Taça OPG em 2010, o atacante não demorou para ser alçado aos profissionais. Foi bem em seu primeiro Carioca no time principal e chamou a atenção vascaína quando o cruz-maltino ainda vivia fase ruim em 2011 e foi derrotado por 3 a 2 pelo Nova Iguaçu, com Barbio anotando o gol decisivo.

Chama a atenção, porém, o estilo de Barbio fora dos gramados. A semelhança com Cortez não para no corte de cabelo chamativo. Humilde, tem discurso quase idêntico ao do ex-companheiro e faz chamar a atenção para a formação de jogadores do Nova Iguaçu. O surgimento do atacante cruz-maltino não é acaso, é fruto de um projeto que segue vivo desde os primórdios do Laranja da Baixada, ainda em 1990, e que hoje rende ao clube de menor expressão uma merecida liderança no Carioca Sub-20 – venceu o Flamengo em seu último jogo para assumir a primeira colocação ao lado do próprio rubro-negro e do Fluminense.

A trajetória no Vasco apenas começou – com o pé direito calibrado, diga-se de passagem –, mas Barbio já é visto como a nova joia da Colina. Deverá ter chances nos profissionais enquanto o time titular se concentrar na Libertadores, competição mais importante do ano. Se mantiver o faro de gols que lhe é característico, aos poucos deverá ganhar ainda mais chances no time de Cristóvão Borges, uma vez que o titular Alecsandro, apesar da boa fase, é irregular e não dificilmente é contestado pela torcida.

Bom para o Vasco, que tem em suas mãos um atacante talentoso a ser lapidado. Bom para Barbio, que tem no Vasco a grande chance de dar um ótimo pontapé inicial em sua carreira. E bom para o Brasil ter clubes como Nova Iguaçu, que ainda apostam na garotada para crescer.

Crédito das imagens
Capa: Jornal Extra
Barbio: GloboEsporte.com



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